Testes Neuropsicológicos
Os pacientes alcoólicos confirmados ao se submeterem a testes de inteligência apresentam 45 a 70% normais. Contudo, esses mesmos ao fazerem testes mais específicos em determinadas áreas do funcionamento mental, como a capacidade de resolver problemas, pensamento abstracto, desempenho psicomotor, memória e capacidade de lidar com novidades, costumam apresentar problemas.
Os testes normalmente representam actividades desempenhadas diariamente e não situações especiais ou raras. Este resultado mostra que os testes superficiais deixam passar comprometimentos significativos. Os testes neuropsicológicos são mais adequados e precisos na medição de capacidades mentais comprometidas pelo álcool. Têm sido observadas também que no cérebro dos alcoólicos ocorrem modificações na estrutura apresentada nos exames de tomografia ou ressonância, além de comprometimento na vascularização e nos padrões eléctricos. Como essas descobertas são recentes, não houve tempo para se estudar a relação entre essas alterações laboratoriais e os prejuízos psicológicos que eles representam.
Efeitos do Álcool sobre o Cérebro
Os resultados de exames pos-mortem (autópsia) mostram que pacientes com história de consumo prolongado e excessivo de álcool têm o cérebro menor, mais leve e encolhido do que o cérebro de pessoas sem história de alcoolismo. Estas descobertas continuam sendo confirmadas pelos exames de imagem como a tomografia, a ressonância magnética e a tomografia por emissão de fótons. O dano físico directo do álcool sobre o cérebro é um facto já inquestionavelmente confirmado. A parte do cérebro mais afectada costumam ser o córtex pré-frontal, a região responsável pelas funções intelectuais superiores como o raciocínio, capacidade de abstracção de conceitos e lógica. Os mesmos estudos que investigam as imagens do cérebro identificam uma correspondência linear entre a quantidade de álcool consumida ao longo do tempo e a extensão do dano cortical. Quanto mais álcool mais dano. Depois do córtex, regiões profundas seguem na lista de mais acometidas pelo álcool: as áreas envolvidas com a memória e o cerebelo que é a parte responsável pela coordenação motora.
O Processo Metabólico do Álcool
Quando o álcool é consumido passa pelo estômago e começa a ser absorvido no intestino caindo na corrente sanguínea. Ao passar pelo fígado começa a ser metabolizado, ou seja, a ser transformado em substâncias diferentes do álcool e que não possuem os seus efeitos. A primeira substancia formada pelo álcool chama-se acetaldeído, que é depois convertido em acetado por outras enzimas, essas substâncias assim com o álcool excedente são eliminados pelos rins; as que eventualmente voltam ao fígado acabam sendo transformadas em água e gás carbónico expelido pelos pulmões.
A passagem do intestino para o sangue dá-se de acordo com a velocidade com que o álcool é ingerido, já o processo de degradação do álcool pelo fígado obedece a um ritmo fixo podendo ser ultrapassado pela quantidade consumida. Quando isso acontece temos a intoxicação pelo álcool, o estado de embriaguez. Isto significa que há muito álcool circulando e agindo sobre o sistema nervoso além dos outros órgãos.
Como a quantidade de enzimas é regulável, um indivíduo com uso contínuo de álcool acima das necessidades estará produzindo mais enzimas metabolizadoras do álcool, tornando-se assim mais "resistente" ao álcool. A presença de alimentos no intestino torna mais lenta a absorção do álcool. Quanto mais gordura houver no intestino mais lenta se tornará a absorção do álcool.
Apesar do álcool ser altamente calórico (um grama de álcool tem 7,1 calorias; o açúcar tem 4,5), ele não fornece material permanente; assim a energia oferecida pelo álcool é utilizada enquanto ele circula ou é perdida. A famosa "barriga de cerveja" é dada mais pelos aperitivos que acompanham a bebida do que pelo próprio alcool, é um mito urbano.
Consequências corporais do alcoolismo
À medida que o alcoolismo avança, as repercussões sobre o corpo agravam-se. Os órgãos mais atingidos são: o cérebro, o trato digestivo, coração, músculos, sangue e glândulas hormonais. Como o álcool dissolve o mucus do trato digestivo, provoca irritação na camada externa de revestimento que pode acabar provocando sangramento. A maioria dos casos de pancreatite aguda (75%) são provocados por alcoolismo. As afecções sobre o fígado podem ir de uma simples degeneração gordurosa à cirrose que é um processo irreversível e incompatível com a vida. O desenvolvimento de patologias cardíacas pode levar 10 anos por abusos de álcool e ao contrário da cirrose pode ser revertida com a interrupção do vício. Os alcoólicos tornam-se mais susceptíveis a infecções porque suas células de defesas são em menor número. O álcool interfere directamente com a função sexual masculina, com infertilidade por atrofia das células produtoras de testosterona, e diminuição dos hormonas masculinas. O predomínio das hormanas femininos nos alcoólocos do sexo masculino leva ao surgimento de características físicas femininas como o aumento da mama (ginecomastia).
O álcool pode afectar o desejo sexual e levar a impotência por danos causados nos nervos ligados a erecção. Nas mulheres o álcool pode afectar a produção hormonal feminina, levando diminuição da menstruação, infertilidade e afectando as características sexuais femininas.
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quinta-feira, 27 de junho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
O Alcoolismo - Parte 7
Problemas Psiquiátricos Causados pelo Alcoolismo
Síndrome de abstinência fetal
A Síndrome de Abstinência Fetal descrita pela primeira vez em 1973 era considerada inicialmente uma consequência da desnutrição da mãe, posteriormente viu-se que os bebés das mães alcoólicas apresentavam problemas distintos dos bebés das mães desnutridas, além de outros problemas que esses não tinham. Constatou-se assim que os recém-nascidos das mães alcoólicas apresentam um problema específico, sendo então denominada Síndrome de Abstinência Fetal (SAF). As características da SAF são: baixo peso ao nascer, atraso no crescimento e no desenvolvimento, anormalidades neurológicas, prejuízos intelectuais, más formações do esqueleto e sistema nervoso, comportamento perturbado, modificações na pálpebra deixando os olhos mais abertos que o comum, lábio superior fino e alongado. O retardação mental e a hiperactividade são os problemas mais significativos da SAF. Mesmo não havendo retardação é comum ainda o prejuízo na aprendizagem, na atenção e na memória; e também descoordenação motora, impulsividade, problemas para falar e ouvir. O déficit de aprendizado pode persistir até a idade adulta.
O stress pode provocar alcoolismo?
O stress não determina o alcoolismo, mas estudos mostraram que pessoas submetidas a situações stressantes para as quais não encontra alternativa, tornam-se mais frequentemente alcoólicos. O álcool possui efeito relaxante e tranquilizante semelhante ao dos ansiolíticos. O problema é que o álcool tem muito mais efeitos colaterais que os ansiolíticos. Numa situação dessas o uso de ansiolíticos poderia prevenir o surgimento de alcoolismo. Na verdade o que se encontra é a vontade de abolir as preocupações com a embriaguez e isso os ansiolíticos não proporcionam, ou o fazem em doses que levariam ao sono. O homem quando submetido a stress tende a procurar não a tranquilidade, mas o prazer. Daí que a vida sexualmente promíscua muitas vezes é acompanhada de abuso de álcool e drogas. O facto de uma pessoa não encontrar uma solução para seu stress não significa que a solução não exista.
A Logoterapia, por exemplo, ajuda o paciente a encontrar um significado na sua angústia. Não suprime a fonte da angústia, mas a torna mais suportável. Quando uma dor adquire um sentido, torna-se possível contorná-la, continuar a vida com um sorriso, desde que ela não seja incapacitante. Sob esse aspecto a logoterapia pode ajudar a vencer o alcoolismo nas suas etapas iniciais, quando ainda não surgiu dependência química. Uma situação de stress real que passamos aatualmente é o desemprego. Este problema social é de difícil resolução e geralmente faz com que as pessoas se ajustem às custas de elevação da tensão emocional prolongada, que é a mesma coisa de stress.
Alcoolismo e desnutrição
As principais funções do processo alimentar são a manutenção da estrutura corporal e das necessidades energéticas diárias. Uma alimentação equilibrada proporciona o que precisamos. O álcool é uma substância bastante energética, em épocas passadas, chegou a ser usado em pacientes após cirurgias para uma reposição mais rápida da energia perdida na cirurgia. Apesar de altamente calórico o álcool não é armazenável.
Não fossem os efeitos prejudiciais ao longo do tempo, o álcool seria um excelente meio de perder peso. Para que se possa entender como o álcool fornece energia e ao mesmo tempo não é armazenável é necessário entender seu mecanismo metabólico o que não será abordado aqui.
Pelo facto do bebedor de álcool possuir suas necessidades energéticas satisfeitas ele não sente muita ou nenhuma fome, assim não há vontade de comer. A diminuição da oferta das substâncias (proteínas, açucares, gorduras, vitaminas e minerais) usadas na constante reconstrução dos tecidos, não interrompe o processo de destruição natural das células que estão sendo substituídas constantemente. Assim o corpo do alcoólico começa a se consumir. Este processo leva à desnutrição normal que vemos habitualmente em pessoas que são bebedores regulares.
Síndrome de abstinência fetal
A Síndrome de Abstinência Fetal descrita pela primeira vez em 1973 era considerada inicialmente uma consequência da desnutrição da mãe, posteriormente viu-se que os bebés das mães alcoólicas apresentavam problemas distintos dos bebés das mães desnutridas, além de outros problemas que esses não tinham. Constatou-se assim que os recém-nascidos das mães alcoólicas apresentam um problema específico, sendo então denominada Síndrome de Abstinência Fetal (SAF). As características da SAF são: baixo peso ao nascer, atraso no crescimento e no desenvolvimento, anormalidades neurológicas, prejuízos intelectuais, más formações do esqueleto e sistema nervoso, comportamento perturbado, modificações na pálpebra deixando os olhos mais abertos que o comum, lábio superior fino e alongado. O retardação mental e a hiperactividade são os problemas mais significativos da SAF. Mesmo não havendo retardação é comum ainda o prejuízo na aprendizagem, na atenção e na memória; e também descoordenação motora, impulsividade, problemas para falar e ouvir. O déficit de aprendizado pode persistir até a idade adulta.
O stress pode provocar alcoolismo?
O stress não determina o alcoolismo, mas estudos mostraram que pessoas submetidas a situações stressantes para as quais não encontra alternativa, tornam-se mais frequentemente alcoólicos. O álcool possui efeito relaxante e tranquilizante semelhante ao dos ansiolíticos. O problema é que o álcool tem muito mais efeitos colaterais que os ansiolíticos. Numa situação dessas o uso de ansiolíticos poderia prevenir o surgimento de alcoolismo. Na verdade o que se encontra é a vontade de abolir as preocupações com a embriaguez e isso os ansiolíticos não proporcionam, ou o fazem em doses que levariam ao sono. O homem quando submetido a stress tende a procurar não a tranquilidade, mas o prazer. Daí que a vida sexualmente promíscua muitas vezes é acompanhada de abuso de álcool e drogas. O facto de uma pessoa não encontrar uma solução para seu stress não significa que a solução não exista.
A Logoterapia, por exemplo, ajuda o paciente a encontrar um significado na sua angústia. Não suprime a fonte da angústia, mas a torna mais suportável. Quando uma dor adquire um sentido, torna-se possível contorná-la, continuar a vida com um sorriso, desde que ela não seja incapacitante. Sob esse aspecto a logoterapia pode ajudar a vencer o alcoolismo nas suas etapas iniciais, quando ainda não surgiu dependência química. Uma situação de stress real que passamos aatualmente é o desemprego. Este problema social é de difícil resolução e geralmente faz com que as pessoas se ajustem às custas de elevação da tensão emocional prolongada, que é a mesma coisa de stress.
Alcoolismo e desnutrição
As principais funções do processo alimentar são a manutenção da estrutura corporal e das necessidades energéticas diárias. Uma alimentação equilibrada proporciona o que precisamos. O álcool é uma substância bastante energética, em épocas passadas, chegou a ser usado em pacientes após cirurgias para uma reposição mais rápida da energia perdida na cirurgia. Apesar de altamente calórico o álcool não é armazenável.
Não fossem os efeitos prejudiciais ao longo do tempo, o álcool seria um excelente meio de perder peso. Para que se possa entender como o álcool fornece energia e ao mesmo tempo não é armazenável é necessário entender seu mecanismo metabólico o que não será abordado aqui.
Pelo facto do bebedor de álcool possuir suas necessidades energéticas satisfeitas ele não sente muita ou nenhuma fome, assim não há vontade de comer. A diminuição da oferta das substâncias (proteínas, açucares, gorduras, vitaminas e minerais) usadas na constante reconstrução dos tecidos, não interrompe o processo de destruição natural das células que estão sendo substituídas constantemente. Assim o corpo do alcoólico começa a se consumir. Este processo leva à desnutrição normal que vemos habitualmente em pessoas que são bebedores regulares.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
O Alcoolismo - Parte 6
Problemas Psiquiátricos Causados pelo Alcoolismo Abuso de Álcool
A pessoa que abusa de álcool não é necessariamente alcoólico, ou seja, dependente e faz uso continuado. O critério de abuso existe para caracterizar as pessoas que eventualmente, mas recorrentemente têm problemas por causa dos exagerados consumos de álcool em curtos períodos de tempo. Critérios: para se fazer esse diagnóstico é preciso que o paciente tenha problemas com álcool durante pelo menos 12 meses e ter pelo menos uma das seguintes situações: a) prejuízos significativos no trabalho, escola ou família como faltas ou negligências nos cuidados com os filhos. b) exposição a situações potencialmente perigosas como dirigir ou manipular máquinas perigosas embriagado. c) problemas legais como desacato a autoridades ou superiores. d) persistência no uso de álcool apesar do apelo das pessoas próximas em que se interrompa o uso.
Dependência ao Álcool
Para se fazer o diagnóstico de dependência alcoólica é necessário que o paciente tenha problemas decorrentes do uso de álcool durante 12 meses seguidos e preencher pelo menos 3 dos seguintes critérios: a) apresentar tolerância ao álcool -- marcante aumento da quantidade ingerida para produção do mesmo efeito obtido no início ou marcante diminuição dos sintomas de embriaguez ou outros resultantes do consumo de álcool apesar da continua ingestão de álcool. b) sinais de abstinência -- após a interrupção do consumo de álcool a pessoa passa a apresentar os seguintes sinais: sudorese excessiva, aceleração do pulso (acima de 100), tremores nas mãos, insônia, náuseas e vômitos, agitação psicomotora, ansiedade, convulsões, alucinações táteis. A reversão desses sinais com a reintrodução do álcool comprova a abstinência. Apesar do álcool "tratar" a abstinência o tratamento de facto é feito com diazepan ou clordiazepóxido entre outras medicações. c) o dependente de álcool geralmente bebe mais do que planeja beber d) persistente desejo de voltar a beber ou incapacidade de interromper o uso. e) emprego de muito tempo para obtenção de bebida ou recuperando-se do efeito. f) persistência na bebida apesar dos problemas e prejuízos gerados como perda do emprego e das relações familiares.
Abstinência alcoólica
A síndrome de abstinência constitui-se no conjunto de sinais e sintomas observado nas pessoas que interrompem o uso de álcool após longo e intenso uso. As formas mais leves de abstinência se apresentam com tremores, aumento da sudorese, aceleração do pulso, insônia, náuseas e vômitos, ansiedade depois de 6 a 48 horas desde a última bebida. A síndrome de abstinência leve não precisa necessariamente surgir com todos esses sintomas, na maioria das vezes, inclusive, limita-se aos tremores, insônia e irritabilidade. A síndrome de abstinência torna-se mais perigosa com o surgimento do delirium tremens. Nesse estado o paciente apresenta confusão mental, alucinações, convulsões. Geralmente começa dentro de 48 a 96 horas a partir da ultima dose de bebida. Dada a potencial gravidade dos casos é recomendável tratar preventivamente todos os pacientes dependentes de álcool para se evitar que tais síndromes surjam. Para se fazer o diagnóstico de abstinência, é necessário que o paciente tenha pelo menos diminuído o volume de ingestão alcoólica, ou seja, mesmo não interrompendo completamente é possível surgir a abstinência. Alguns pesquisadores afirmam que as abstinências tornam-se mais graves na medida em que se repetem, ou seja, um dependente que esteja passando pela quinta ou sexta abstinência estará sofrendo os sintomas mencionados com mais intensidade, até que surja um quadro convulsivo ou de delirium tremens. As primeiras abstinências são menos intensas e perigosas.
Delirium Tremens
O Delirium Tremens é uma forma mais intensa e complicada da abstinência. Delirium é um diagnóstico inespecífico em psiquiatria que designa estado de confusão mental: a pessoa não sabe onde está, em que dia está, não consegue prestar atenção em nada, tem um comportamento desorganizado, sua fala é desorganizada ou ininteligível, a noite pode ficar mais agitado do que de dia. A abstinência e várias outras condições médicas não relacionadas ao alcoolismo podem causar esse problema. Como dentro do estado de delirium da abstinência alcoólica são comuns os tremores intensos ou mesmo convulsão, o nome ficou como Delirium Tremens. Um traço comum no delírio tremens, mas nem sempre presente são as alucinações tácteis e visuais em que o paciente "vê" insetos ou animais asquerosos próximos ou pelo seu corpo. Esse tipo de alucinação pode levar o paciente a um estado de agitação violenta para tentar livrar-se dos animais que o atacam. Pode ocorrer também uma forma de alucinação induzida, por exemplo, o entrevistador pergunta ao paciente se está vendo as formigas andando em cima da mesa sem que nada exista e o paciente passa a ver os insetos sugeridos. O Delirim Tremens é uma condição potencialmente fatal, principalmente nos dias quentes e nos pacientes debilitados. A fatalidade quando ocorre é devida ao desequilíbrio hidro-eletrolítico do corpo.
Intoxicação pelo álcool
O estado de intoxicação é simplesmente a conhecida embriaguez, que normalmente é obtida voluntariamente. No estado de intoxicação a pessoa tem alteração da fala (fala arrastada), descoordenação motora, instabilidade no andar, nistagmo (ficar com olhos oscilando no plano horizontal como se estivesse lendo muito rápido), prejuízos na memória e na atenção, ou coma nos casos mais extremos. Normalmente junto a essas alterações neurológicas apresenta-se um comportamento inadequado ou impróprio da pessoa que está intoxicada. Uma pessoa muito embriagada geralmente encontra-se nessa situação porque quis, uma leve intoxicação em alguém que não está habituado é aceitável por inexperiência mas não no caso de alguém que conhece seus limites.
Wernicke-Korsakoff (síndrome amnéstica)
Os alcoólicos "pesados" em parte (10%) desenvolvem algum problema grave de memória. Há dois desses tipos: a primeira é a chamada Síndrome Wernicke-Korsakoff (SWK) e a outra a demência alcoólica. A SWK é caracterizada por descoordenação motora, movimentos oculares rítmicos como se estivesse lendo (nistagmo) e paralisia de certos músculos oculares, provocando algo parecido ao estrabismo para quem antes não tinha nada. Além desses sinais neurológicos o paciente pode estar em confusão mental, ou se com a consciência clara, pode apresentar prejuízos evidentes na memória recente (não consegue gravar o que o examinador falou 5 minutos antes) e muitas vezes para preencher as lacunas da memória o paciente inventa histórias, a isto chamamos fabulações. Este quadro deve ser considerado uma emergência, pois requer imediata reposição da vitamina B1(tiamina) para evitar um agravamento do quadro. Os sintomas neurológicos acima citados são rapidamente revertidos com a reposição da tiamina, mas o déficit da memória pode se tornar permanente. Quando isso acontece o paciente apesar de ter a mente clara e várias outras funções mentais preservadas, torna-se uma pessoa incapaz de manter suas funções sociais e pessoais. Muitos autores referem-se a SWK como uma forma de demência, o que não está errado, mas a demência é um quadro mais abrangente, por isso preferimos o modelo americano que diferencia a SWK da demência alcoólica.
Síndrome Demencial Alcoólica
Esta é semelhante a demência propriamente dita como a de Alzheimer. No uso pesado e prolongado do álcool, mesmo sem a síndrome de Wernick-Korsakoff, o álcool pode provocar lesões difusas no cérebro prejudicando além da memória a capacidade de julgamento, de abstração de conceitos; a personalidade pode se alterar, o comportamento como um todo fica prejudicado. A pessoa torna-se incapaz de sustentar-se.
A pessoa que abusa de álcool não é necessariamente alcoólico, ou seja, dependente e faz uso continuado. O critério de abuso existe para caracterizar as pessoas que eventualmente, mas recorrentemente têm problemas por causa dos exagerados consumos de álcool em curtos períodos de tempo. Critérios: para se fazer esse diagnóstico é preciso que o paciente tenha problemas com álcool durante pelo menos 12 meses e ter pelo menos uma das seguintes situações: a) prejuízos significativos no trabalho, escola ou família como faltas ou negligências nos cuidados com os filhos. b) exposição a situações potencialmente perigosas como dirigir ou manipular máquinas perigosas embriagado. c) problemas legais como desacato a autoridades ou superiores. d) persistência no uso de álcool apesar do apelo das pessoas próximas em que se interrompa o uso.
Dependência ao Álcool
Para se fazer o diagnóstico de dependência alcoólica é necessário que o paciente tenha problemas decorrentes do uso de álcool durante 12 meses seguidos e preencher pelo menos 3 dos seguintes critérios: a) apresentar tolerância ao álcool -- marcante aumento da quantidade ingerida para produção do mesmo efeito obtido no início ou marcante diminuição dos sintomas de embriaguez ou outros resultantes do consumo de álcool apesar da continua ingestão de álcool. b) sinais de abstinência -- após a interrupção do consumo de álcool a pessoa passa a apresentar os seguintes sinais: sudorese excessiva, aceleração do pulso (acima de 100), tremores nas mãos, insônia, náuseas e vômitos, agitação psicomotora, ansiedade, convulsões, alucinações táteis. A reversão desses sinais com a reintrodução do álcool comprova a abstinência. Apesar do álcool "tratar" a abstinência o tratamento de facto é feito com diazepan ou clordiazepóxido entre outras medicações. c) o dependente de álcool geralmente bebe mais do que planeja beber d) persistente desejo de voltar a beber ou incapacidade de interromper o uso. e) emprego de muito tempo para obtenção de bebida ou recuperando-se do efeito. f) persistência na bebida apesar dos problemas e prejuízos gerados como perda do emprego e das relações familiares.
Abstinência alcoólica
A síndrome de abstinência constitui-se no conjunto de sinais e sintomas observado nas pessoas que interrompem o uso de álcool após longo e intenso uso. As formas mais leves de abstinência se apresentam com tremores, aumento da sudorese, aceleração do pulso, insônia, náuseas e vômitos, ansiedade depois de 6 a 48 horas desde a última bebida. A síndrome de abstinência leve não precisa necessariamente surgir com todos esses sintomas, na maioria das vezes, inclusive, limita-se aos tremores, insônia e irritabilidade. A síndrome de abstinência torna-se mais perigosa com o surgimento do delirium tremens. Nesse estado o paciente apresenta confusão mental, alucinações, convulsões. Geralmente começa dentro de 48 a 96 horas a partir da ultima dose de bebida. Dada a potencial gravidade dos casos é recomendável tratar preventivamente todos os pacientes dependentes de álcool para se evitar que tais síndromes surjam. Para se fazer o diagnóstico de abstinência, é necessário que o paciente tenha pelo menos diminuído o volume de ingestão alcoólica, ou seja, mesmo não interrompendo completamente é possível surgir a abstinência. Alguns pesquisadores afirmam que as abstinências tornam-se mais graves na medida em que se repetem, ou seja, um dependente que esteja passando pela quinta ou sexta abstinência estará sofrendo os sintomas mencionados com mais intensidade, até que surja um quadro convulsivo ou de delirium tremens. As primeiras abstinências são menos intensas e perigosas.
Delirium Tremens
O Delirium Tremens é uma forma mais intensa e complicada da abstinência. Delirium é um diagnóstico inespecífico em psiquiatria que designa estado de confusão mental: a pessoa não sabe onde está, em que dia está, não consegue prestar atenção em nada, tem um comportamento desorganizado, sua fala é desorganizada ou ininteligível, a noite pode ficar mais agitado do que de dia. A abstinência e várias outras condições médicas não relacionadas ao alcoolismo podem causar esse problema. Como dentro do estado de delirium da abstinência alcoólica são comuns os tremores intensos ou mesmo convulsão, o nome ficou como Delirium Tremens. Um traço comum no delírio tremens, mas nem sempre presente são as alucinações tácteis e visuais em que o paciente "vê" insetos ou animais asquerosos próximos ou pelo seu corpo. Esse tipo de alucinação pode levar o paciente a um estado de agitação violenta para tentar livrar-se dos animais que o atacam. Pode ocorrer também uma forma de alucinação induzida, por exemplo, o entrevistador pergunta ao paciente se está vendo as formigas andando em cima da mesa sem que nada exista e o paciente passa a ver os insetos sugeridos. O Delirim Tremens é uma condição potencialmente fatal, principalmente nos dias quentes e nos pacientes debilitados. A fatalidade quando ocorre é devida ao desequilíbrio hidro-eletrolítico do corpo.
Intoxicação pelo álcool
O estado de intoxicação é simplesmente a conhecida embriaguez, que normalmente é obtida voluntariamente. No estado de intoxicação a pessoa tem alteração da fala (fala arrastada), descoordenação motora, instabilidade no andar, nistagmo (ficar com olhos oscilando no plano horizontal como se estivesse lendo muito rápido), prejuízos na memória e na atenção, ou coma nos casos mais extremos. Normalmente junto a essas alterações neurológicas apresenta-se um comportamento inadequado ou impróprio da pessoa que está intoxicada. Uma pessoa muito embriagada geralmente encontra-se nessa situação porque quis, uma leve intoxicação em alguém que não está habituado é aceitável por inexperiência mas não no caso de alguém que conhece seus limites.
Wernicke-Korsakoff (síndrome amnéstica)
Os alcoólicos "pesados" em parte (10%) desenvolvem algum problema grave de memória. Há dois desses tipos: a primeira é a chamada Síndrome Wernicke-Korsakoff (SWK) e a outra a demência alcoólica. A SWK é caracterizada por descoordenação motora, movimentos oculares rítmicos como se estivesse lendo (nistagmo) e paralisia de certos músculos oculares, provocando algo parecido ao estrabismo para quem antes não tinha nada. Além desses sinais neurológicos o paciente pode estar em confusão mental, ou se com a consciência clara, pode apresentar prejuízos evidentes na memória recente (não consegue gravar o que o examinador falou 5 minutos antes) e muitas vezes para preencher as lacunas da memória o paciente inventa histórias, a isto chamamos fabulações. Este quadro deve ser considerado uma emergência, pois requer imediata reposição da vitamina B1(tiamina) para evitar um agravamento do quadro. Os sintomas neurológicos acima citados são rapidamente revertidos com a reposição da tiamina, mas o déficit da memória pode se tornar permanente. Quando isso acontece o paciente apesar de ter a mente clara e várias outras funções mentais preservadas, torna-se uma pessoa incapaz de manter suas funções sociais e pessoais. Muitos autores referem-se a SWK como uma forma de demência, o que não está errado, mas a demência é um quadro mais abrangente, por isso preferimos o modelo americano que diferencia a SWK da demência alcoólica.
Síndrome Demencial Alcoólica
Esta é semelhante a demência propriamente dita como a de Alzheimer. No uso pesado e prolongado do álcool, mesmo sem a síndrome de Wernick-Korsakoff, o álcool pode provocar lesões difusas no cérebro prejudicando além da memória a capacidade de julgamento, de abstração de conceitos; a personalidade pode se alterar, o comportamento como um todo fica prejudicado. A pessoa torna-se incapaz de sustentar-se.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
O Alcoolismo - Parte 5
Recaída alcoólica
A taxa de recaída (voltar a beber depois de ter se tornado dependente e parado com o uso de álcool) é muito elevada: aproximadamente 90% dos alcoólicos voltam a beber nos 4 anos seguintes a interrupção, quando nenhum tratamento é feito.
A semelhança com outras formas de dependência como a nicotina, tranquilizantes, estimulantes, etc, levam a crer que um há um mecanismo psicológico (cognitivo) em comum.
O dependente que consiga manter-se longe do primeiro gole terá mais hipóteses de contornar a recaída.
O aspecto central da recaída é o chamado "craving", palavra sem tradução para o português que significa uma intensa vontade de voltar a consumir uma droga pelo prazer que ela causa. O craving é a dependência psicológica propriamente dita.
As mulheres são mais vulneráveis ao alcool que os homens?
Aparentemente sim, as mulheres são mais vulneráveis .Elas atingem concentrações sanguíneas de álcool mais altas com as mesmas doses quando comparadas com os homens. Parece também que sob a mesma carga de álcool os órgãos das mulheres são mais prejudicados do que o dos homens.
A idade onde se encontra a maior incidência de alcoolismo feminino está entre 26 e 34 anos, principalmente entre mulheres separadas e divorciadas. Se a separação foi causa ou efeito do alcoolismo isto ainda não está claro. As consequências do alcoolismo sobre os órgãos são diferentes nas mulheres: elas estão mais sujeitas a cirrose hepática do que os homens.
Alguns estudos também mostram que mesmo o consumo moderado de álcool diário aumenta as hipóteses de cancro da mama.
Os filhos de Alcoólicos
Milhões de crianças e adolescentes convivem com algum parente alcoólico em Portugal. As estatísticas mostram que eles estarão mais sujeitos a problemas emocionais e psiquiátricos do que a população desta faixa etária não exposta ao problema, o que não significa que todos eles serão afectados.
Na verdade pensa-se que 59% podem nem desenvolver nenhum problema.
O primeiro problema que podemos citar é a baixa auto-estima e auto-imagem com consequentes repercussões negativas sobre o rendimento escolar e demais áreas do funcionamento mental, inclusive em testes de QI.
Estes adolescentes e crianças tendem a, quando examinados, a subestimarem suas próprias capacidades e qualidades.
Outros problemas comuns em filhos e parentes de alcoólicos são persistência em mentiras, roubo, conflitos e disturbios com colegas, vadiagem e problemas relacionados com a escola.
O alcoolismo é genético?
Esta pergunta bastante antiga vem sendo muito estudada nas últimas décadas através de estudos com gêmeos, e será mais aprofundada com o projeto genoma.
A influência familiar do alcoolismo é um facto já conhecido e aceite. O que se pergunta é se o alcoolismo ocorre por influência do convívio ou por influência genética. Para responder a essa pergunta a melhor maneira é a verificação prática da influência, o que pode ser feito estudando os filhos dos alcoólicos. Estudos como estes podem investigar os gêmeos monozigóticos (idênticos) e os dizigóticos.
Constatou-se que quando um dos gêmeos idênticos se torna alcoólico o irmão se torna mais frequentemente alcoólico do que os irmãos gêmeos não idênticos.
Esta constatação mostra a influência genética real, mas não explica porque, mesmo tendo os "genes do alcoolismo," uma pessoa não se torna alcoólica.
Os estudos familiares mostraram que a participação genética é inegável, mas apenas parcial, os demais factores que levam ao desenvolvimento do alcoolismo não estão suficientemente claros.
A taxa de recaída (voltar a beber depois de ter se tornado dependente e parado com o uso de álcool) é muito elevada: aproximadamente 90% dos alcoólicos voltam a beber nos 4 anos seguintes a interrupção, quando nenhum tratamento é feito.
A semelhança com outras formas de dependência como a nicotina, tranquilizantes, estimulantes, etc, levam a crer que um há um mecanismo psicológico (cognitivo) em comum.
O dependente que consiga manter-se longe do primeiro gole terá mais hipóteses de contornar a recaída.
O aspecto central da recaída é o chamado "craving", palavra sem tradução para o português que significa uma intensa vontade de voltar a consumir uma droga pelo prazer que ela causa. O craving é a dependência psicológica propriamente dita.
As mulheres são mais vulneráveis ao alcool que os homens?
Aparentemente sim, as mulheres são mais vulneráveis .Elas atingem concentrações sanguíneas de álcool mais altas com as mesmas doses quando comparadas com os homens. Parece também que sob a mesma carga de álcool os órgãos das mulheres são mais prejudicados do que o dos homens.
A idade onde se encontra a maior incidência de alcoolismo feminino está entre 26 e 34 anos, principalmente entre mulheres separadas e divorciadas. Se a separação foi causa ou efeito do alcoolismo isto ainda não está claro. As consequências do alcoolismo sobre os órgãos são diferentes nas mulheres: elas estão mais sujeitas a cirrose hepática do que os homens.
Alguns estudos também mostram que mesmo o consumo moderado de álcool diário aumenta as hipóteses de cancro da mama.
Os filhos de Alcoólicos
Milhões de crianças e adolescentes convivem com algum parente alcoólico em Portugal. As estatísticas mostram que eles estarão mais sujeitos a problemas emocionais e psiquiátricos do que a população desta faixa etária não exposta ao problema, o que não significa que todos eles serão afectados.
Na verdade pensa-se que 59% podem nem desenvolver nenhum problema.
O primeiro problema que podemos citar é a baixa auto-estima e auto-imagem com consequentes repercussões negativas sobre o rendimento escolar e demais áreas do funcionamento mental, inclusive em testes de QI.
Estes adolescentes e crianças tendem a, quando examinados, a subestimarem suas próprias capacidades e qualidades.
Outros problemas comuns em filhos e parentes de alcoólicos são persistência em mentiras, roubo, conflitos e disturbios com colegas, vadiagem e problemas relacionados com a escola.
O alcoolismo é genético?
Esta pergunta bastante antiga vem sendo muito estudada nas últimas décadas através de estudos com gêmeos, e será mais aprofundada com o projeto genoma.
A influência familiar do alcoolismo é um facto já conhecido e aceite. O que se pergunta é se o alcoolismo ocorre por influência do convívio ou por influência genética. Para responder a essa pergunta a melhor maneira é a verificação prática da influência, o que pode ser feito estudando os filhos dos alcoólicos. Estudos como estes podem investigar os gêmeos monozigóticos (idênticos) e os dizigóticos.
Constatou-se que quando um dos gêmeos idênticos se torna alcoólico o irmão se torna mais frequentemente alcoólico do que os irmãos gêmeos não idênticos.
Esta constatação mostra a influência genética real, mas não explica porque, mesmo tendo os "genes do alcoolismo," uma pessoa não se torna alcoólica.
Os estudos familiares mostraram que a participação genética é inegável, mas apenas parcial, os demais factores que levam ao desenvolvimento do alcoolismo não estão suficientemente claros.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
O Alcoolismo - Parte 4
Problemas Clínicos
Diversos são os problemas causados pela bebida alcoólica pesada e prolongada. Fugiria ao nosso objectivo entrar em detalhes a esse respeito, por isso abordaremos o tema superficialmente.
Sistema Nervoso - Amnésias nos períodos de embriaguez acontecem em 30 a 40% das pessoas no fim da adolescência e início da terceira década de vida: provavelmente o álcool inibe algum dos sistemas de memória impedindo que a pessoa se recorde de factos ocorridos durante o período de embriaguez. Induz a sonolência, mas o sono sob efeito do álcool não é natural, tendo sua estrutura registrada no eletroencefalograma alterado.
Entre 5 e 15% dos alcoólatras apresentam neuropatia periférica. Este problema consiste num permanente estado de hipersensibilidade, dormência, formigueiro nas mãos, pés ou ambos. Nas síndromes alcoólicas pode-se encontrar quase todas as patologias psiquiátricas: estados de euforia patológica, depressões, estados de ansiedade na abstinência, delírios e alucinações, perda de memória e comportamento desequilibrado.
Sistema Gastrintestinal - Grande quantidade de álcool ingerida de uma vez pode levar a inflamação no esófago e estômago o que pode levar a sangramentos além de enjôo, vómitos e perda de peso. Esses problemas costumam ser reversíveis, mas as varizes decorrentes de cirrose hepática além de irreversíveis, são potencialmente fatais devido ao sangramento de grande volume que pode acarretar Pancreatites agudas e crónicas são comuns nos alcoólicos constituindo-se uma emergência à parte.
A cirrose hepática é um dos problemas mais falados dos alcoólicos; é um problema irreversível e incompatível com a vida, levando o alcoólico lentamente à morte.
Cancro - Os alcoólicos estão 10 vezes mais sujeitos a qualquer forma de cancro que a população em geral.
Sistema Cardiovascular - Doses elevadas por muito tempo provocam lesões no coração provocando arritmias e outros problemas como tromboses e derrames cerebrais consequentes.
É relativamente comum a ocorrência de um acidente vascular cerebral após a ingestão de grande quantidade de bebida.
Hormonas Sexuais - O metabolismo do álcool afecta o balanço das hormonas reprodutivas no homem e na mulher. No homem o álcool contribui para lesões testiculares o que prejudica a produção de testosterona e a síntese de esperma. Já com cinco dias de uso contínuo de 220 gramas de álcool os efeitos acima mencionados começam a manifestar-se e continua-se a aprofundar com a permanência do álcool. Essa deficiência contribui para a feminilização dos homens, com o surgimento, por exemplo, de ginecomastia (presença de mamas no homem).
Hormonas do crescimento - Alterações são observadas em indivíduos que abusam de álcool, mas essas alterações não provocam problemas detectáveis como inibição do crescimento ou baixa estatura, pelo menos até o momento.
Hormona Antidiurética - Esta hormona inibe a perda de água pelos rins, o álcool afecta esta hormona: como resultado a pessoa perde mais água que o habitual, urina mais, o que pode levar a desidratação.
Ociticina - Esta hormona é responsável pelas contracções do útero no parto. O álcool tanto pode inibir um parto prematuro como atrapalhar um parto a termo, podendo tanto ser terapêutico como danoso.
Insulina - O álcool não afecta directamente os níveis de insulina: quando isso acontece é por causa de uma possível pancreatite que é outro processo distinto. A diminuição do açúcar no sangue não se deve a acção do álcool sobre a insulina ou sobre o glucagon (outra hormona envolvido no metabolismo do açúcar).
Gastrina - Esta hormona estimula a secreção de ácido no estômago preparando-o para a digestão. O principal estímulo para a secreção de gastrina é a presença de alimentos no estômago, principalmente as proteínas. É controverso o efeito do álcool sobre a gastrina, alguns cientistas dizem que o álcool não provoca sua libertação, outros dizem que provoca, o que levaria ao aumento da acidez estomacal.
Podem provocar úlceras no aparelho digestivo.
Diversos são os problemas causados pela bebida alcoólica pesada e prolongada. Fugiria ao nosso objectivo entrar em detalhes a esse respeito, por isso abordaremos o tema superficialmente.
Sistema Nervoso - Amnésias nos períodos de embriaguez acontecem em 30 a 40% das pessoas no fim da adolescência e início da terceira década de vida: provavelmente o álcool inibe algum dos sistemas de memória impedindo que a pessoa se recorde de factos ocorridos durante o período de embriaguez. Induz a sonolência, mas o sono sob efeito do álcool não é natural, tendo sua estrutura registrada no eletroencefalograma alterado.
Entre 5 e 15% dos alcoólatras apresentam neuropatia periférica. Este problema consiste num permanente estado de hipersensibilidade, dormência, formigueiro nas mãos, pés ou ambos. Nas síndromes alcoólicas pode-se encontrar quase todas as patologias psiquiátricas: estados de euforia patológica, depressões, estados de ansiedade na abstinência, delírios e alucinações, perda de memória e comportamento desequilibrado.
Sistema Gastrintestinal - Grande quantidade de álcool ingerida de uma vez pode levar a inflamação no esófago e estômago o que pode levar a sangramentos além de enjôo, vómitos e perda de peso. Esses problemas costumam ser reversíveis, mas as varizes decorrentes de cirrose hepática além de irreversíveis, são potencialmente fatais devido ao sangramento de grande volume que pode acarretar Pancreatites agudas e crónicas são comuns nos alcoólicos constituindo-se uma emergência à parte.
A cirrose hepática é um dos problemas mais falados dos alcoólicos; é um problema irreversível e incompatível com a vida, levando o alcoólico lentamente à morte.
Cancro - Os alcoólicos estão 10 vezes mais sujeitos a qualquer forma de cancro que a população em geral.
Sistema Cardiovascular - Doses elevadas por muito tempo provocam lesões no coração provocando arritmias e outros problemas como tromboses e derrames cerebrais consequentes.
É relativamente comum a ocorrência de um acidente vascular cerebral após a ingestão de grande quantidade de bebida.
Hormonas Sexuais - O metabolismo do álcool afecta o balanço das hormonas reprodutivas no homem e na mulher. No homem o álcool contribui para lesões testiculares o que prejudica a produção de testosterona e a síntese de esperma. Já com cinco dias de uso contínuo de 220 gramas de álcool os efeitos acima mencionados começam a manifestar-se e continua-se a aprofundar com a permanência do álcool. Essa deficiência contribui para a feminilização dos homens, com o surgimento, por exemplo, de ginecomastia (presença de mamas no homem).
Hormonas do crescimento - Alterações são observadas em indivíduos que abusam de álcool, mas essas alterações não provocam problemas detectáveis como inibição do crescimento ou baixa estatura, pelo menos até o momento.
Hormona Antidiurética - Esta hormona inibe a perda de água pelos rins, o álcool afecta esta hormona: como resultado a pessoa perde mais água que o habitual, urina mais, o que pode levar a desidratação.
Ociticina - Esta hormona é responsável pelas contracções do útero no parto. O álcool tanto pode inibir um parto prematuro como atrapalhar um parto a termo, podendo tanto ser terapêutico como danoso.
Insulina - O álcool não afecta directamente os níveis de insulina: quando isso acontece é por causa de uma possível pancreatite que é outro processo distinto. A diminuição do açúcar no sangue não se deve a acção do álcool sobre a insulina ou sobre o glucagon (outra hormona envolvido no metabolismo do açúcar).
Gastrina - Esta hormona estimula a secreção de ácido no estômago preparando-o para a digestão. O principal estímulo para a secreção de gastrina é a presença de alimentos no estômago, principalmente as proteínas. É controverso o efeito do álcool sobre a gastrina, alguns cientistas dizem que o álcool não provoca sua libertação, outros dizem que provoca, o que levaria ao aumento da acidez estomacal.
Podem provocar úlceras no aparelho digestivo.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
O Alcoolismo - Parte 3
Tratamento do Alcoolismo
O alcoolismo, essencialmente, é o desejo incontrolável de consumir bebidas alcoólicas numa quantidade prejudicial ao bebedor. O núcleo da doença é o desejo pelo álcool; há tempos que isto é aceito, mas nunca se obteve uma substância psicoactiva que inibisse tal desejo.
Como prova de que inúmeros fracassos não desanimaram os pesquisadores, temos hoje já comprovadas, ou em fase avançada de testes, duas substâncias eficazes na supressão do desejo pelo álcool, dois remédios que atingem a essência do problema, que cortam o mal pela raiz.
Estamos falando naltrexona e do acamprosato.
O tratamento do alcoolismo não deve ser confundido com o tratamento da abstinência alcoólica. Como o organismo incorpora literalmente o álcool ao seu metabolismo, a interrupção da ingestão de álcool faz com que o corpo se ressinta: a isto chamamos abstinência que, dependendo, do tempo e da quantidade de álcool consumidos pode causar sérios problemas e até a morte nos casos não tratados. As medicações acima citadas não têm finalidade de atuar nessa fase. A abstinência já tem suas alternativas de tratamento bem estabelecidas e relativamente satisfatórias.
O Dissulfiram é uma substância que força o paciente a não beber sob a pena de intenso mal estar: se isso for feito, não suprime o desejo e deixa o paciente num conflito psicológico amargo. Muitos alcoólicos morreram por não conseguirem conter o desejo pelo álcool enquanto estavam sob efeito do Dissulfiram. Mesmo sabendo o que poderia acontecer, não conseguiram evitar a combinação do álcool com o Dissulfiram, não conseguiram sequer esperar a eliminação do Dissulfiram.
Factos como esses servem para que os clínicos e os não-alcoólatras saibam o quanto é forte a inclinação para o álcool sofrida pelos alcoólatras, mais forte que a própria ameaça de morte. Serve também para medir o grau de benefício trazido pelas medicações que suprimem o desejo pelo álcool, atualmente disponíveis. Podemos fazer uma analogia para entender essa evolução. Com o Dissulfiram o paciente tem que fazer um esforço semelhante ao motorista que tenta segurar um veículo ladeira abaixo, pondo-se à frente deste, tentando impedir que o automóvel deslize, atropelando o próprio motorista.
Com as novas medicações o motorista está dentro do carro apertando o pedal do freio até que o carro chegue no fim da ladeira. Em ambos os casos, é possível chegar ao fim da ladeira (controle do alcoolismo). Numa o esforço é enorme causando grande percentagem de fracassos; noutro o esforço é pequeno, permitindo grande adesão ao tratamento. Vejamos agora algumas informações sobre as novas medicações.
Naltrexona
A naltrexona é uma substância conhecida há vários anos; seu uso restringia-se ao bloqueio da actividade dos opióides. É uma espécie de antídoto para a intoxicação de heroína, morfina e similares.
Recentemente verificou-se que a naltrexona possui um efeito bloqueador do prazer proporcionado pelo álcool, cortando o ciclo de reforço positivo que leva e mantém o alcoolismo.
A naltrexona foi a primeira substância a atingir a essência do alcoolismo: o desejo pelo consumo de álcool. Como era uma medicação conhecida quanto aos efeitos benéficos e colaterais, sua utilização para o alcoolismo foi relativamente rápida pois já se encontrava no mercado há muitos anos: bastou que se acrescentasse na bula uma nova indicação, o tratamento do alcoolismo. Os principais efeitos colaterais da naltrexona, o enjôo e o vómito não são intensos o suficiente para impedir o seu uso. Os principais efeitos da naltrexona são inibir o desejo pelo álcool e mesmo que se beba, o prazer da sensação de estar "alto" é abolido. Assim, a bebida para o alcoóloco em uso de naltrexona torna-se uma coisa sem graça.
Como não há uma interacção danosa entre Álcool e naltrexona, a naltrexona exerce uma real actividade terapêutica.
Os estudos mostram que a recaída do alcoolismo é menor entre as pessoas que fazem uso de naltrexona em relação ao placebo; o baixo índice de efeitos colaterais da naltrexona permite que os pacientes adiram ao tratamento prolongado. Agora ficou mais fácil diferenciar o alcoólico impotente perante seu vício daquele que simplesmente não quer abandonar o prazer da embriaguez.
O paciente que se nega a tratar-se por perceber que a naltrexona abole o prazer é o alcoólico por opção; aquele que adere ao tratamento era a vítima do vício.
Por fim, não podemos esquecer que nem todos os pacientes se beneficiam da naltrexona, ou seja, há uma parcela da população que mesmo em uso da naltrexona mantém o prazer da bebida e nesses o tratamento é ineficaz.
A naltrexona foi o primeiro e grande passo para o tratamento do alcoolismo, mas não resolveu todo o problema sozinho.
Acamprosato
Essa substância ao contrário da naltrexona é nova e foi criada especificamente para o tratamento do alcoolismo. Já é usada na Europa há alguns anos. O mecanismo do acamprosato é distinto da naltrexona embora também diminua o desejo pelo álcool. O acamprosato actua mais na abstinência, reduzindo o reforço negativo deixado pela supressão do álcool naqueles que se tornaram dependentes.
Podemos dizer que há basicamente dois mecanismos de manutenção da dependência química ao álcool: inicialmente há o reforço pelo estímulo positivo, pela busca de gratificação e prazer dadas pelo álcool.
À medida que o indivíduo se torna tolerante às primeiras doses passa a ser necessária sua elevação para voltar a ter o mesmo prazer das primeiras doses. Nessa fase o indivíduo já é dependente e está em aprofundamento e agravamento da dependência. A bebida não dá mais prazer algum e por outro lado trouxe uma série de problemas pessoais e sociais; o alcoólico está preso ao vício porque ao tentar interromper o consumo de álcool surgem os efeitos da abstinência.
Nesta fase o alcoólico não bebe mais por prazer, mas para não sofrer os efeitos da abstinência alcoólica. É nesta fase que o acamprosato actua. Além de inibir os efeitos agudos da abstinência como os benzodiazepínicos fazem, o acamprosato inibe o desejo pelo álcool nessa fase, diminuindo as taxas de recaída para os pacientes que interromperam o consumo de álcool.
A principal actividade do acamprosato é sobre os neurotransmissores gabaérgicos, taurinérgicos e glutamatérgicos, envolvidos no mecanismo da abstinência alcoólica.
O acamprosato tem poucos efeitos colaterais: os principais indicados foram confusão mental leve, dificuldade de concentração, alterações das sensações nos membros inferiores, dores musculares e vertigens.
O alcoolismo, essencialmente, é o desejo incontrolável de consumir bebidas alcoólicas numa quantidade prejudicial ao bebedor. O núcleo da doença é o desejo pelo álcool; há tempos que isto é aceito, mas nunca se obteve uma substância psicoactiva que inibisse tal desejo.
Como prova de que inúmeros fracassos não desanimaram os pesquisadores, temos hoje já comprovadas, ou em fase avançada de testes, duas substâncias eficazes na supressão do desejo pelo álcool, dois remédios que atingem a essência do problema, que cortam o mal pela raiz.
Estamos falando naltrexona e do acamprosato.
O tratamento do alcoolismo não deve ser confundido com o tratamento da abstinência alcoólica. Como o organismo incorpora literalmente o álcool ao seu metabolismo, a interrupção da ingestão de álcool faz com que o corpo se ressinta: a isto chamamos abstinência que, dependendo, do tempo e da quantidade de álcool consumidos pode causar sérios problemas e até a morte nos casos não tratados. As medicações acima citadas não têm finalidade de atuar nessa fase. A abstinência já tem suas alternativas de tratamento bem estabelecidas e relativamente satisfatórias.
O Dissulfiram é uma substância que força o paciente a não beber sob a pena de intenso mal estar: se isso for feito, não suprime o desejo e deixa o paciente num conflito psicológico amargo. Muitos alcoólicos morreram por não conseguirem conter o desejo pelo álcool enquanto estavam sob efeito do Dissulfiram. Mesmo sabendo o que poderia acontecer, não conseguiram evitar a combinação do álcool com o Dissulfiram, não conseguiram sequer esperar a eliminação do Dissulfiram.
Factos como esses servem para que os clínicos e os não-alcoólatras saibam o quanto é forte a inclinação para o álcool sofrida pelos alcoólatras, mais forte que a própria ameaça de morte. Serve também para medir o grau de benefício trazido pelas medicações que suprimem o desejo pelo álcool, atualmente disponíveis. Podemos fazer uma analogia para entender essa evolução. Com o Dissulfiram o paciente tem que fazer um esforço semelhante ao motorista que tenta segurar um veículo ladeira abaixo, pondo-se à frente deste, tentando impedir que o automóvel deslize, atropelando o próprio motorista.
Com as novas medicações o motorista está dentro do carro apertando o pedal do freio até que o carro chegue no fim da ladeira. Em ambos os casos, é possível chegar ao fim da ladeira (controle do alcoolismo). Numa o esforço é enorme causando grande percentagem de fracassos; noutro o esforço é pequeno, permitindo grande adesão ao tratamento. Vejamos agora algumas informações sobre as novas medicações.
Naltrexona
A naltrexona é uma substância conhecida há vários anos; seu uso restringia-se ao bloqueio da actividade dos opióides. É uma espécie de antídoto para a intoxicação de heroína, morfina e similares.
Recentemente verificou-se que a naltrexona possui um efeito bloqueador do prazer proporcionado pelo álcool, cortando o ciclo de reforço positivo que leva e mantém o alcoolismo.
A naltrexona foi a primeira substância a atingir a essência do alcoolismo: o desejo pelo consumo de álcool. Como era uma medicação conhecida quanto aos efeitos benéficos e colaterais, sua utilização para o alcoolismo foi relativamente rápida pois já se encontrava no mercado há muitos anos: bastou que se acrescentasse na bula uma nova indicação, o tratamento do alcoolismo. Os principais efeitos colaterais da naltrexona, o enjôo e o vómito não são intensos o suficiente para impedir o seu uso. Os principais efeitos da naltrexona são inibir o desejo pelo álcool e mesmo que se beba, o prazer da sensação de estar "alto" é abolido. Assim, a bebida para o alcoóloco em uso de naltrexona torna-se uma coisa sem graça.
Como não há uma interacção danosa entre Álcool e naltrexona, a naltrexona exerce uma real actividade terapêutica.
Os estudos mostram que a recaída do alcoolismo é menor entre as pessoas que fazem uso de naltrexona em relação ao placebo; o baixo índice de efeitos colaterais da naltrexona permite que os pacientes adiram ao tratamento prolongado. Agora ficou mais fácil diferenciar o alcoólico impotente perante seu vício daquele que simplesmente não quer abandonar o prazer da embriaguez.
O paciente que se nega a tratar-se por perceber que a naltrexona abole o prazer é o alcoólico por opção; aquele que adere ao tratamento era a vítima do vício.
Por fim, não podemos esquecer que nem todos os pacientes se beneficiam da naltrexona, ou seja, há uma parcela da população que mesmo em uso da naltrexona mantém o prazer da bebida e nesses o tratamento é ineficaz.
A naltrexona foi o primeiro e grande passo para o tratamento do alcoolismo, mas não resolveu todo o problema sozinho.
Acamprosato
Essa substância ao contrário da naltrexona é nova e foi criada especificamente para o tratamento do alcoolismo. Já é usada na Europa há alguns anos. O mecanismo do acamprosato é distinto da naltrexona embora também diminua o desejo pelo álcool. O acamprosato actua mais na abstinência, reduzindo o reforço negativo deixado pela supressão do álcool naqueles que se tornaram dependentes.
Podemos dizer que há basicamente dois mecanismos de manutenção da dependência química ao álcool: inicialmente há o reforço pelo estímulo positivo, pela busca de gratificação e prazer dadas pelo álcool.
À medida que o indivíduo se torna tolerante às primeiras doses passa a ser necessária sua elevação para voltar a ter o mesmo prazer das primeiras doses. Nessa fase o indivíduo já é dependente e está em aprofundamento e agravamento da dependência. A bebida não dá mais prazer algum e por outro lado trouxe uma série de problemas pessoais e sociais; o alcoólico está preso ao vício porque ao tentar interromper o consumo de álcool surgem os efeitos da abstinência.
Nesta fase o alcoólico não bebe mais por prazer, mas para não sofrer os efeitos da abstinência alcoólica. É nesta fase que o acamprosato actua. Além de inibir os efeitos agudos da abstinência como os benzodiazepínicos fazem, o acamprosato inibe o desejo pelo álcool nessa fase, diminuindo as taxas de recaída para os pacientes que interromperam o consumo de álcool.
A principal actividade do acamprosato é sobre os neurotransmissores gabaérgicos, taurinérgicos e glutamatérgicos, envolvidos no mecanismo da abstinência alcoólica.
O acamprosato tem poucos efeitos colaterais: os principais indicados foram confusão mental leve, dificuldade de concentração, alterações das sensações nos membros inferiores, dores musculares e vertigens.
terça-feira, 28 de maio de 2013
O Alcoolismo - Parte 1
O que é?
O alcoolismo é o conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongado do álcool; é entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, e todas as consequências decorrentes. O alcoolismo é, portanto, um conjunto de diagnósticos. Dentro do alcoolismo existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez). Síndromes amnéstica (perdas restritas de memória), demencial, alucinatória, delirante, de humor. Distúrbios de ansiedade, sexuais, do sono e distúrbios inespecíficos. Por fim o delirium tremens, que pode ser fatal.
Assim o alcoolismo é um termo genérico que indica algum problema, mas medicamente para maior precisão, é necessário apontar qual ou quais distúrbios estão presentes, pois geralmente há mais de um.
O fenômeno da Dependência (Addiction)
O comportamento de repetição obedece a dois mecanismos básicos não patológicos: o reforço positivo e o reforço negativo. O reforço positivo refere-se ao comportamento de busca do prazer: quando algo é agradável a pessoa busca os mesmos estímulos para obter a mesma satisfação. O reforço negativo refere-se ao comportamento de evitar a dor ou desprazer. Quando algo é desagradável a pessoa procura os mesmos meios para evitar a dor ou desprazer, causados numa dada circunstância. A fixação de uma pessoa no comportamento de busca do álcool, obedece a esses dois mecanismos acima apresentados. No começo a busca é pelo prazer que a bebida proporciona. Depois de um período, quando a pessoa não alcança mais o prazer anteriormente obtido, não consegue mais parar porque sempre que isso é tentado surgem os sintomas desagradáveis da abstinência, e para evitá-los a pessoa mantém o uso do álcool. Os reforços positivo e negativo são mecanismos ou recursos normais que permitem às pessoas se adaptarem ao seu ambiente.
As medicações hoje em uso atuam sobre essas fases: a naltrexona inibe o prazer dado pelo álcool, inibindo o reforço positivo; o acamprosato diminui o mal estar causado pela abstinência, inibindo o reforço negativo. Provavelmente, dentro de pouco tempo, teremos estudos avaliando o benefício trazido pela combinação dessas duas medicações para os dependentes de álcool que não obtiveram resultados satisfatórios com cada uma isoladamente.
Tolerância e Dependência
A tolerância e a dependência ao álcool são dois eventos distintos e indissociáveis. A tolerância é a necessidade de doses maiores de álcool para a manutenção do efeito de embriaguez obtido nas primeiras doses. Se no começo uma dose de uísque era suficiente para uma leve sensação de tranquilidade, depois de duas semanas (por exemplo) são necessárias duas doses para o mesmo efeito. Nessa situação se diz que o indivíduo está desenvolvendo tolerância ao álcool. Normalmente, à medida que se eleva a dose da bebida alcoólica para se contornar a tolerância, ela volta em doses cada vez mais altas. Aos poucos, cinco doses de uísque podem se tornar inócuas para o indivíduo que antes se embriagava com uma dose. Na prática não se observa uma total tolerância, mas de forma parcial. Um indivíduo que antes se embriagava com uma dose de uísque e passa a ter uma leve embriaguez com três doses está tolerante apesar de ter algum grau de embriaguez. O alcoólico não pode dizer que não está tolerante ao álcool por apresentar sistematicamente um certo grau de embriaguez. O critério não é a ausência ou presença de embriaguez, mas a perda relativa do efeito da bebida. A tolerância ocorre antes da dependência. Os primeiros indícios de tolerância não significam, necessariamente, dependência, mas é o sinal claro de que a dependência não está longe. A dependência é simultânea à tolerância. A dependência será tanto mais intensa quanto mais intenso for o grau de tolerância ao álcool. Dizemos que a pessoa tornou-se dependente do álcool quando ela não tem mais forças por si própria de interromper ou diminuir o uso do álcool.
O alcoólico de "primeira viagem" sempre tem a impressão de que pode parar quando quiser e afirma: "quando eu quiser, eu paro". Essa frase geralmente encobre o alcoolismo incipiente e resistente; resistente porque o paciente nega qualquer problema relacionado ao álcool, mesmo que os outros não acreditem, ele próprio acredita na ilusão que criou. A negação do próprio alcoolismo, quando ele não é evidente ou está começando, é uma forma de defesa da auto-imagem (aquilo que a pessoa pensa de si mesma). O alcoolismo, como qualquer diagnóstico psiquiátrico, é estigmatizante. Fazer com que uma pessoa reconheça o próprio estado de dependência alcoólica, é exigir dela uma forte quebra da auto-imagem e consequentemente da auto-estima. Com a auto-estima enfraquecida a pessoa já não tem a mesma disposição para viver e, portanto, lutar contra a própria doença. É uma situação paradoxal para a qual não se obteve uma solução satisfatória. Dependerá da arte de conduzir cada caso particularmente, dependerá da habilidade de cada psiquiatra.
O alcoolismo é o conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongado do álcool; é entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, e todas as consequências decorrentes. O alcoolismo é, portanto, um conjunto de diagnósticos. Dentro do alcoolismo existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez). Síndromes amnéstica (perdas restritas de memória), demencial, alucinatória, delirante, de humor. Distúrbios de ansiedade, sexuais, do sono e distúrbios inespecíficos. Por fim o delirium tremens, que pode ser fatal.
Assim o alcoolismo é um termo genérico que indica algum problema, mas medicamente para maior precisão, é necessário apontar qual ou quais distúrbios estão presentes, pois geralmente há mais de um.
O fenômeno da Dependência (Addiction)
O comportamento de repetição obedece a dois mecanismos básicos não patológicos: o reforço positivo e o reforço negativo. O reforço positivo refere-se ao comportamento de busca do prazer: quando algo é agradável a pessoa busca os mesmos estímulos para obter a mesma satisfação. O reforço negativo refere-se ao comportamento de evitar a dor ou desprazer. Quando algo é desagradável a pessoa procura os mesmos meios para evitar a dor ou desprazer, causados numa dada circunstância. A fixação de uma pessoa no comportamento de busca do álcool, obedece a esses dois mecanismos acima apresentados. No começo a busca é pelo prazer que a bebida proporciona. Depois de um período, quando a pessoa não alcança mais o prazer anteriormente obtido, não consegue mais parar porque sempre que isso é tentado surgem os sintomas desagradáveis da abstinência, e para evitá-los a pessoa mantém o uso do álcool. Os reforços positivo e negativo são mecanismos ou recursos normais que permitem às pessoas se adaptarem ao seu ambiente.
As medicações hoje em uso atuam sobre essas fases: a naltrexona inibe o prazer dado pelo álcool, inibindo o reforço positivo; o acamprosato diminui o mal estar causado pela abstinência, inibindo o reforço negativo. Provavelmente, dentro de pouco tempo, teremos estudos avaliando o benefício trazido pela combinação dessas duas medicações para os dependentes de álcool que não obtiveram resultados satisfatórios com cada uma isoladamente.
Tolerância e Dependência
A tolerância e a dependência ao álcool são dois eventos distintos e indissociáveis. A tolerância é a necessidade de doses maiores de álcool para a manutenção do efeito de embriaguez obtido nas primeiras doses. Se no começo uma dose de uísque era suficiente para uma leve sensação de tranquilidade, depois de duas semanas (por exemplo) são necessárias duas doses para o mesmo efeito. Nessa situação se diz que o indivíduo está desenvolvendo tolerância ao álcool. Normalmente, à medida que se eleva a dose da bebida alcoólica para se contornar a tolerância, ela volta em doses cada vez mais altas. Aos poucos, cinco doses de uísque podem se tornar inócuas para o indivíduo que antes se embriagava com uma dose. Na prática não se observa uma total tolerância, mas de forma parcial. Um indivíduo que antes se embriagava com uma dose de uísque e passa a ter uma leve embriaguez com três doses está tolerante apesar de ter algum grau de embriaguez. O alcoólico não pode dizer que não está tolerante ao álcool por apresentar sistematicamente um certo grau de embriaguez. O critério não é a ausência ou presença de embriaguez, mas a perda relativa do efeito da bebida. A tolerância ocorre antes da dependência. Os primeiros indícios de tolerância não significam, necessariamente, dependência, mas é o sinal claro de que a dependência não está longe. A dependência é simultânea à tolerância. A dependência será tanto mais intensa quanto mais intenso for o grau de tolerância ao álcool. Dizemos que a pessoa tornou-se dependente do álcool quando ela não tem mais forças por si própria de interromper ou diminuir o uso do álcool.
O alcoólico de "primeira viagem" sempre tem a impressão de que pode parar quando quiser e afirma: "quando eu quiser, eu paro". Essa frase geralmente encobre o alcoolismo incipiente e resistente; resistente porque o paciente nega qualquer problema relacionado ao álcool, mesmo que os outros não acreditem, ele próprio acredita na ilusão que criou. A negação do próprio alcoolismo, quando ele não é evidente ou está começando, é uma forma de defesa da auto-imagem (aquilo que a pessoa pensa de si mesma). O alcoolismo, como qualquer diagnóstico psiquiátrico, é estigmatizante. Fazer com que uma pessoa reconheça o próprio estado de dependência alcoólica, é exigir dela uma forte quebra da auto-imagem e consequentemente da auto-estima. Com a auto-estima enfraquecida a pessoa já não tem a mesma disposição para viver e, portanto, lutar contra a própria doença. É uma situação paradoxal para a qual não se obteve uma solução satisfatória. Dependerá da arte de conduzir cada caso particularmente, dependerá da habilidade de cada psiquiatra.
sábado, 9 de março de 2013
quarta-feira, 16 de maio de 2012
O sentimento de raiva
É normal sentir raiva. Mas muitas pessoas têm medo de a mostrar ou a receber e fazem tudo para que não aconteça. esta errado, devemos mostrar a nossa raiva sempre que nos apetecer. Se a raiva ficar recalcada corre-se o perigo de ela irromper como um vulcão, especialmente quando bebeu álcool.
Poderá então assumir proporções que nada têm a ver o que a desencadeou.
É importante percebermos os nossos sentimentos de raiva. Faça s perguntas a si mesmo:
1. Qual foi a situação que antecedeu o sentimento?
2. Qual foi o pensamento que antecedeu o sentimento de raiva?
3. Pode escolher falar consigo próprio e sentir ainda mais raiva. Muda alguma coisa? Compfreende o problema?
4. Consegue usar a sua raiva para fazer algo positivo que mude a situação? Ou consegue usar a raiva para fazer algo que o acalme?
Pode escolher libertar-se da raiva inútil e convencer-se disso. Não é a mesma coisa que recalcá-la para a eliminar. Ponha-a simplesmente de lado e continue a viver no presente, ou liberte-a violentamente.
As outras pessoas não o 'fazem' sentir-se zangado. Você já esta zangado. Você é pode ser responável por 70 % dos seus próprios sentimentos, mas os outros poderão ser pelos restantes 30%.
Poderá não gostar do que alguém fez. Mas tem a opção de deixar que isso o aborreça. Tem duas hipóteses, ou poderá optar por lhes dizer calma, clara, gentil e firmemente que não gosta do que foi feito e explicar o que seria mais aceitável, ou explodir para cima deles. Depois não se preocupe mais. Seja o que for já está!
Atacar a outra pessoa verbal ou fisicamente só gera mais raiva. Pode ser bom ou mau. não tenha medo, Não anule uma pessoa só porque permitiu que algo no comportamento dela o perturbasse. Mas se isso o faz sentir melhor não tenha duvidas e actue.
Talvez 80-90% do seu comportamento seja perfeitamente aceitável - tente concentrar-se nisso. Ficar zangado e manter a zanga faz-Ihe pior e tira-lhe a paz de espírito.
Liberte a raiva, liberte-se a si próprio!
Poderá então assumir proporções que nada têm a ver o que a desencadeou.
É importante percebermos os nossos sentimentos de raiva. Faça s perguntas a si mesmo:
1. Qual foi a situação que antecedeu o sentimento?
2. Qual foi o pensamento que antecedeu o sentimento de raiva?
3. Pode escolher falar consigo próprio e sentir ainda mais raiva. Muda alguma coisa? Compfreende o problema?
4. Consegue usar a sua raiva para fazer algo positivo que mude a situação? Ou consegue usar a raiva para fazer algo que o acalme?
Pode escolher libertar-se da raiva inútil e convencer-se disso. Não é a mesma coisa que recalcá-la para a eliminar. Ponha-a simplesmente de lado e continue a viver no presente, ou liberte-a violentamente.
As outras pessoas não o 'fazem' sentir-se zangado. Você já esta zangado. Você é pode ser responável por 70 % dos seus próprios sentimentos, mas os outros poderão ser pelos restantes 30%.
Poderá não gostar do que alguém fez. Mas tem a opção de deixar que isso o aborreça. Tem duas hipóteses, ou poderá optar por lhes dizer calma, clara, gentil e firmemente que não gosta do que foi feito e explicar o que seria mais aceitável, ou explodir para cima deles. Depois não se preocupe mais. Seja o que for já está!
Atacar a outra pessoa verbal ou fisicamente só gera mais raiva. Pode ser bom ou mau. não tenha medo, Não anule uma pessoa só porque permitiu que algo no comportamento dela o perturbasse. Mas se isso o faz sentir melhor não tenha duvidas e actue.
Talvez 80-90% do seu comportamento seja perfeitamente aceitável - tente concentrar-se nisso. Ficar zangado e manter a zanga faz-Ihe pior e tira-lhe a paz de espírito.
Liberte a raiva, liberte-se a si próprio!
quarta-feira, 9 de maio de 2012
ESTE LIVRO É PARA MIM?
Destinado tanto aos que se questionam sobre os seus hábitos de beber como àqueles que convivem com um bebedor problemático, neste livro, os autores convidam o leitor à reflexão sobre os hábitos de beber-e os limites entre o beber "social" e o problemático. De maneira "clara, simples, objectiva, são focadas as questões essenciais, fornecendo informações actualizadas, e cientificamente fundamentadas, sobre os efeitos do álcool na saúde física e mental'. Também são abordados os problemas familiares, sociais e no trabalho decorrentes do uso excessivo de álcool. A inclusão de relatos de pacientes ilustra as questões abordadas, propondo diversas, maneiras de lidar .com as situações mais comuns, com ou sem ajuda profissional. Optimistas, sem ingenuidade: eclécticos, mas objectivos, os autores propõem alternativas que contemplam a diversidade e a sensibilidade das pessoas com problemas relacionados com o álcool.
Os autores, revelando-se como distintos alcoologistas, mostram-se também notáveis contadores de histórias, recheadas de sugestivos exemplos práticos, que ilustram uma exposição já de si estimulante, tornando-a ainda mais sugestiva e compreensível.
ESTE LIVRO E PARA MIM?
Esperamos que este livro vá ajudar as pessoas com problemas com a bebida e aqueles que se preocupam com a forma como eles bebem ou que têm amigos ou parentes que se queixam disso. O livro também se destina a ser útil à família e amigos cias pessoas que bebem demasiado. 'Estou farto de ouvir bons conselhos", dizem alguns dos que bebem de mais. Sentem que já lhes ralharam o suficiente: 'Não compreendo por que é que toda a gente se preocupa.' Ou talvez vejam que há um problema, mas 'as pessoas nem fazem ideia de como me é tão difícil mudar a minha forma de beber, é uma parte tão importante da minha vida.' Os amigos e também os familiares podem até já ter dado bastantes conselhos, que muitas vezes entram em conflito. Alguns dizem-lhes 'Nunca desistas,' enquanto outros dizem 'É com ele, mais ninguém pode já fazer seja o que for.' Às vezes o conselho é 'Não te afastes dela, mesmo que ela vos esteja a fazer a vida difícil a todos,' enquanto noutro lado é 'Tens de ser duro; ameaça com o divórcio se não ela nunca fará nada por si própria.' Às vezes os familiares ficam muito envergonhados, encobrem o alcoólico e tentam esconder as suas preocupações. Assim, devem com certeza sentir--se sós e desnorteados.
Uma pessoa com problemas de bebida alguma vez poderá mudar?
Sim. A maior parte das pessoas que têm problemas por beber de mais mudam ou param com êxito o seu padrão de comportamento. Normalmente acham que a vida sem ou com menos álcool não é tão má como temiam, e que algum tempo depois poderá ser mais agradável do que a vida que tinham antes. Muitas vezes, as pessoas param ou deixam totalmente de beber por si próprias ou com a ajuda cia família. Outras procuram uma ajuda especial.
Sabe-se que o álcool muitas vezes pode prejudicar, mas actualmente não podemos dizer com segurança por que é que uma pessoa tem dificuldades com a bebida enquanto outra não. Como também não podemos dizer em definitivo quem é que irá recuperar totalmente de um problema de bebida e quem é que provavelmente irá continuar a beber ou ficar muito doente e até morrer.
Mas por mais pequenos que sejam os problemas que se relacionam com a bebida, quanto mais cedo se fizer algo, melhor. Depois de um trabalho perdido, de uma saúde estragada ou de um casamento arruinado, é muito mais difícil endireitar as coisas
QUE ESPÉCIE DE LIVRO É ESTE?
Isto é um guia: não pensem que vão ter de o ler do princípio ao fim. Mergulhem nele. Se encontrarem páginas que possam ajudar, sublinhem--nas ou marquem-nas. Tentámos ser breves - e isso significa que alguns dos conselhos podem parecer demasiado simples.
Quando citamos antigos clientes ou pacientes estamos a usar as suas palavras com a sua autorização, tiradas directamente de cartas que nos foram enviadas.
Gostaríamos de receber os vossos comentários sobre se o livro vos ajudou em alguma coisa. Se acharem que tentaram absolutamente tudo o que leram aqui e sem grande proveito, poderá valer a pena verificar se tentaram de forma consistente - porque muitas vezes quando estamos em crise tentamos qualquer coisa quase à toa. É necessário considerar o que será melhor para si. Num livrinho tão pequeno não podemos responder a todas as questões que possa ter, mas esperamos que encontre algo que o possa ajudar. Não se esqueça, o vento soprará a seu favor se continuar a tentar.
Os autores, revelando-se como distintos alcoologistas, mostram-se também notáveis contadores de histórias, recheadas de sugestivos exemplos práticos, que ilustram uma exposição já de si estimulante, tornando-a ainda mais sugestiva e compreensível.
ESTE LIVRO E PARA MIM?
Esperamos que este livro vá ajudar as pessoas com problemas com a bebida e aqueles que se preocupam com a forma como eles bebem ou que têm amigos ou parentes que se queixam disso. O livro também se destina a ser útil à família e amigos cias pessoas que bebem demasiado. 'Estou farto de ouvir bons conselhos", dizem alguns dos que bebem de mais. Sentem que já lhes ralharam o suficiente: 'Não compreendo por que é que toda a gente se preocupa.' Ou talvez vejam que há um problema, mas 'as pessoas nem fazem ideia de como me é tão difícil mudar a minha forma de beber, é uma parte tão importante da minha vida.' Os amigos e também os familiares podem até já ter dado bastantes conselhos, que muitas vezes entram em conflito. Alguns dizem-lhes 'Nunca desistas,' enquanto outros dizem 'É com ele, mais ninguém pode já fazer seja o que for.' Às vezes o conselho é 'Não te afastes dela, mesmo que ela vos esteja a fazer a vida difícil a todos,' enquanto noutro lado é 'Tens de ser duro; ameaça com o divórcio se não ela nunca fará nada por si própria.' Às vezes os familiares ficam muito envergonhados, encobrem o alcoólico e tentam esconder as suas preocupações. Assim, devem com certeza sentir--se sós e desnorteados.
Uma pessoa com problemas de bebida alguma vez poderá mudar?
Sim. A maior parte das pessoas que têm problemas por beber de mais mudam ou param com êxito o seu padrão de comportamento. Normalmente acham que a vida sem ou com menos álcool não é tão má como temiam, e que algum tempo depois poderá ser mais agradável do que a vida que tinham antes. Muitas vezes, as pessoas param ou deixam totalmente de beber por si próprias ou com a ajuda cia família. Outras procuram uma ajuda especial.
Sabe-se que o álcool muitas vezes pode prejudicar, mas actualmente não podemos dizer com segurança por que é que uma pessoa tem dificuldades com a bebida enquanto outra não. Como também não podemos dizer em definitivo quem é que irá recuperar totalmente de um problema de bebida e quem é que provavelmente irá continuar a beber ou ficar muito doente e até morrer.
Mas por mais pequenos que sejam os problemas que se relacionam com a bebida, quanto mais cedo se fizer algo, melhor. Depois de um trabalho perdido, de uma saúde estragada ou de um casamento arruinado, é muito mais difícil endireitar as coisas
QUE ESPÉCIE DE LIVRO É ESTE?
Isto é um guia: não pensem que vão ter de o ler do princípio ao fim. Mergulhem nele. Se encontrarem páginas que possam ajudar, sublinhem--nas ou marquem-nas. Tentámos ser breves - e isso significa que alguns dos conselhos podem parecer demasiado simples.
Quando citamos antigos clientes ou pacientes estamos a usar as suas palavras com a sua autorização, tiradas directamente de cartas que nos foram enviadas.
Gostaríamos de receber os vossos comentários sobre se o livro vos ajudou em alguma coisa. Se acharem que tentaram absolutamente tudo o que leram aqui e sem grande proveito, poderá valer a pena verificar se tentaram de forma consistente - porque muitas vezes quando estamos em crise tentamos qualquer coisa quase à toa. É necessário considerar o que será melhor para si. Num livrinho tão pequeno não podemos responder a todas as questões que possa ter, mas esperamos que encontre algo que o possa ajudar. Não se esqueça, o vento soprará a seu favor se continuar a tentar.
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