Foi este o tema escolhido pelo autor desta edição para divulgar o drama
que tem vivido desde que foi empurrado para tratamentos à base de
tranquilizantes.
Nuno Álvaro Vaz alerta para o perigo das benzodiazepinas, que conduzem a
um fenómeno bem conhecido, chamado habituação e dependência, com os
consequentes desequilíbrios psíquicos e desarranjos orgânicos. Diversos
relatórios clínicos têm confirmado que as benzodiazepinas podem provocar
ansiedade, derivando com muita frequência para o desespero e a
depressão. Há, pois, que esclarecer as pessoas com debates públicos.
Que este trabalho de Nuno Álvaro Vaz sirva de mensagem para todos
quantos directa ou indirectamente possam estar a ser vítimas dos
tranquilizantes.
Isto inclui-me a mim próprio, vitima desta teia maléfica armada por médicos, psiquiatras, psicoterapeutas e outros que tais………
Evitem os medicamentos, evitem a toxicodependência legal, sejam normais tal como são.
O meu pai sempre dizia: Somos como somos!
OS DOENTES E A FAMÍLIA
Quero sublinhar que me parece não serem, em princípio, os
tranquilizantes os causadores de certas desavenças e desentendimentos
nas famílias. Todavia, quando um tratamento se torna prolongado, os
doentes deixam de acompanhar o ritmo quotidiano da família, mas disso
não têm culpa, porque a sua natureza não os ajuda, Acontece que algumas
famílias não estão preparadas para compreender convenientemente os
seus pacientes. Gera-se, então, um certo mal-estar que contamina todo o
agregado familiar, Daqui, a necessidade de uma grande formação humana
por parte das famílias atingidas por estas dramáticas situações.
As expressões como «ele não está bom da cabeça, ele está insuportável,
ele é um maníaco, ele isto, ele aquilo», magoam os doentes e deixam-nos
ainda mais angustiados, mais sós, mais isolados e mais entregues à sua
sorte. E muito mais, quando o doente atingido se comporta sem que nada
justifique tais comentários.
Nisto, como em tudo, as vítimas são os mais fracos, e ninguém se deve
considerar uma vítima daqueles que sofrem, para justificar, muitas
vezes, a sua pouca compreensão, a sua saturação, a sua falta de
resignação.
Haverá que lutar, isso sim, ao lado do doente, apoiando-o, e
encorajando-o para tentar vencer a situação criada pêlos
tranquilizantes.
Famílias há — a maioria, felizmente — que uma vez envolvidas por dramas
desta natureza, tudo fazem pêlos seus pacientes, dispensando-lhes todo o
carinho, toda a compreensão e aceitando, com a maior resignação, a
situação. É desta forma que o doente deve ser acompanhado, suavizando,
com um sorriso, uma carícia, um beijo, todas as dores que o devoram
noite e dia.
Infelizmente, conheço casos de lares totalmente destruídos e de famílias
inteiras voltadas contra os seus doentes drogados. Vi também casos de
desprezo total, muito bem disfarçado, que não é fácil detectar a
qualquer observador.
Mas também conheço casos de doação total aos seus doentes, Casos, onde a
fé em Deus ilumina todo o agregado familiar e onde todos querem ser os
primeiros a estar junto dos seus doentes.
Vem aqui, a propósito, subscrever algumas passagens do livro «A VIDA
SEM TRANQUILIZANTES», da autoria do Dr. Vernon Coleman, traduzido por
Paula Reis e editado em Portugal pela TERRAMAR.
Logo na sua introdução, o autor começa por esclarecer que «o maior
problema de dependência da droga no mundo é criado por um grupo de
medicamentos, as benzodiazepinas, que são muitíssimo receitados pêlos
médicos e tomados por milhões incontáveis de pessoas perfeitamente
vulgares em todo o globo».
Embora só estejam à disposição há menos de um quarto de século, «as
benzodiazepinas, como o Valium, o Librium e o Mogadan, tornaram-se das
drogas mais pulares no mundo. Usam-se para ajudar as pessoas a
adormecer, para as ajudar a suportar a ansiedade e para tratar centenas
de sintomas físicos e mentais muito variados», considera Vernon
Coleman.
Mas diz mais. Lembra, por exemplo, que os especialistas em dependência
de drogas bradam que «livrar as pessoas das benzodiazepinas é mais
difícil do que desintoxicar dependentes da heroína». E, apesar deste
aviso, os médicos continuam a passar receitas com esse tipo de
medicamentos.
«Creio que a razão principal para tal acontecer é os médicos estarem tão
viciados em receitar benzodiazepinas como os pacientes estarem
viciados em toma-las»,
QUE EFEITOS PRODUZEM, AFINAL, AS BENZODIAZEPINAS?
No dizer de Vernon Coleman, desde que foram introduzidas nos mercados e
na prática médica, na década de 60, as benzodiazepinas, «têm quatro
efeitos principais».
Em primeiro lugar, «aliviam a ansiedade»,
Em segundo lugar, «têm uma acção sedativa e fazem com que as pessoas que as tomam se sintam sonolentas»,
Em terceiro lugar, algumas dessas benzodiazepinas são utilizadas no tratamento de «situações, como a epilepsia».
Em quarto e último lugar, as benzodiazepinas são também tomadas para «relaxar músculos tensos e contraídos».
Lembra também o autor do livro «A VIDA SEM TRANQUILIZANTES», que, para
clínicos gerais mal treinados, que enfrentam de repente uma epidemia de
doenças mentais, «aquelas drogas são uma resposta para muitos
problemas, se não para todos».
As benzodiazepinas contam-se, ainda hoje, entre as drogas mais
amplamente receitadas no mundo, sendo «o Librium e o Valium os cabeças
de lista mais vendidos».
Parece, até, que os primeiros sucessos obtidos com o Valium «convenceram
muitos médicos de que este era uma panaceia que servia para todas as
doenças conhecidas do homem», considera Vernon Coleman.
O uso das benzodiazepinas espalhou-se de tal forma, que qualquer pessoa
que vá ao médico «está condenada a uma receita deste tipo de drogas»,
porque as benzodiazepinas constituem, quase de certeza, «o grupo de
drogas mais receitado no mundo».
À medida que os anos vão passando, cada vez mais investigadores têm
escrito documentos mostrando que «as benzodiazepinas não são tão inócuas
como primeiro se pensava», alerta, no seu livro, o Dr. Vernon Coleman.
Infelizmente, ainda hoje, é prática corrente, nos hospitais, dar-se benzodiazepinas a pessoas internadas, por rotina.
«Tal como estão as coisas neste momento — considera Vernon Coleman — o
problema parece destinado a piorar muito mais, antes de se conseguir
algumas melhorias».
Na última parte do seu livro, Vernon Coleman chama a atenção para
algumas das formas que achou úteis para ajudar os pacientes a fazer
frente às pressões, dizendo: «Faça frente à culpa, ao aborrecimento, à
frustração, à ambição, ao medo», sem deixar de ficar atento aos
primeiros sinais avisadores, tais como:«dores de cabeça, indigestões,
erupções cutâneas, tonturas, dores de peito, diarreia, insónia, cansaço,
e ainda comportamento impulsivo, memória fraca, irritabilidade, etc».
Perante tal cenário deve tomar uma atitude: «relaxar-se», aconselha Vernon Coleman.
AS BENZODIAZEPINAS E A DEPENDÊNCIA
Há que deixar os pacientes e não pacientes bem esclarecidos quanto às
diferenças e efeitos, por exemplo, do Valium, que habitualmente é
utilizado como droga contra a ansiedade, e do Mogadan, que é utilizado
como comprimido para dormir.
Ambos têm constituintes básicos muito semelhantes, e os efeitos que produzem também são semelhantes.
O que eu digo não é, nem pretende ser, obviamente, uma prova científica,
mas há muita gente que argumenta que as benzodiazepinas não causam
dependência, e isso não corresponde à verdade. Que o digam os
fabricantes que põem à venda estes produtos, ainda se compreende. Mas
já não se compreende que o afirmem alguns medicos.
Não há que deturpar os factos e muito menos utilizar argumentos que não
podem encontrar suporte. Dizer que tais drogas conduzem apenas a um
«hábito» ou a uma «viciação», no fundo é a mesma coisa que dizer:
conduzem à «dependência».
Logo que se utilizem benzodiazepinas por um período superior a dez dias,
é natural que o paciente fique dependente. Comigo sucedeu assim, e com
muitos outros que eu conheci igual.
Há muitos médicos e muitos, e mesmo muitos doentes, que apoiam as minhas
afirmações. O que se lembra é que, apesar destas verdades e provas, as
benzodiazepinas ainda se continuam a receitar sem qualquer restrição,
provocando danos físicos e cerebrais que arruínam para sempre a saúde
das pessoas.
Diversos relatórios clínicos têm confirmado que as benzodiazepinas podem provocar ansiedade.
Na Holanda, por exemplo, segundo refere Vernon Coleman, um psiquiatra
contribuiu com um artigo para uma publicação médica holandesa, na qual
descrevia como «quatro pacientes, que tomavam um comprimido de
benzodiazepinas para dormir, tinham aparecido com uma ansiedade
acentuada e alterações psicológicas intoleráveis». O relatório
desencadeou centenas de outras queixas semelhantes acerca da droga. Isto
para focar apenas um de entre largas dezenas de casos semelhantes.
Há também provas — e muitas! — que as mesmas drogas podem provocar
depressão. E isto acontece — e digo-o por experiência — quando os
pacientes vivem exclusivamente num mundo escuro, irreal, onde se
encontram entorpecidos, derivando com muita frequência para o
«desespero e a depressão».
Deve, pois, dizer-se, por amor à verdade, que todas as pessoas que
tomarem qualquer benzodiazepina em grande quantidade, estão a caminhar
para um «perigo real», pondo mesmo em causa a sua vida.
Não me parece que alguém possa saber, com precisão, quais poderão ser
os efeitos, a longo prazo, que as benzodiazepinas poderão provocar no
cérebro das pessoas. Sabe-se que afectam gravemente a memória, dado que
foi já referido em muitos congressos de neuropsicofarmacologia
internacionais, como, por exemplo, o de Jerusalém, em 1982.
As benzodiapezinas podem ainda afectar — e quem o revela é o dr. Vernon
Coleman — a capacidade para gozar, para pensar, e ter efeitos poderosos
na personalidade das pessoas. Aliás, um psiquiatra do Royal Edinburgh
Hospital,em Edinburgo, disse que duas dezenas de pacientes de meia
idade, que haviam ingerido uma benzodiazepina, «com uma meia vida muito
curta», para os ajudar a dormir, se tinham tornado mais ansiosos. E
também há provas que as mesmas drogas também podem provocar uma certa
depressão e angústia.
AS BENZODIAZEPINAS E AS DEMAIS DROGAS
Para que todos quantos me lerem possam ficar bem esclarecidos, alerto
aqui para o relacionamento das benzodiazepinas e as outras drogas.
Não sei, penso também que muito poucos o poderão saber, o que poderá
suceder na ligação entre as benzodiazepinas e o álcool, barbitúricos,
drogas antidiabéti-cas, antidepressivos, cafeína, etc. Sabe-se que não
ligam bem, Por outro lado, cientistas e especialistas no sector afirmam
que, embora não provoquem de uma forma directa o cancro, podem fazer
com que «se desenvolva nas pessoas com predisposição para tal».
Portanto, ninguém poderá dizer com absoluta certeza se a benzodiazepina
provoca ou não o cancro.
Uma coisa, porém, é certa: «Quanto ao fígado, o consumo generalizado da
droga necessita de uma avaliação mais minuciosa dos testes da função
hepática, enquanto os pacientes estão a tomar, por exemplo Diazepam»,
revelam em relatório publicado no volume 27, Nº5, do Digestive Discases
and Sciences, Francis Tedasco e Luther Mills, doutores em medicina.
FACTORES DE RISCO DAS BENZODIAZEPINAS
O grande problema que envolve certos doentes que foram iniciados em
tratamentos à base de drogas do grupo das benzodiazepinas tem a ver com
a desculpa de certos médicos que, vendo-se acusados de estar a receitar
benzodiazepinas em excesso, desculpam-se logo, alegando que não passam
de «tranquilizantes menores», o que não é bem assim,
De facto, as benzodiazepinas não são, nem nunca foram, «tranquilizantes
menores», porque são potencialmente perigosas, quando tomadas em
grandes quantidades.
INTERROGAÇÕES AOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE
É ou não é verdade que os tranquilizantes levam a uma dependência tanto
ou mais amarga que a produzida pelas drogas ilegais, como a cocaína,
haxixe, marijuana, etc?
É ou não verdade que os tranquilizantes têm uma acção tóxica prolongada no organismo das pessoas?
É ou não verdade que os tranquilizantes actuam de forma negativa a nível cerebral, hepático, renal, muscular, etc., etc?
É ou não verdade que é mais difícil combater a dependência dos tranquilizantes, que a das drogas ilegais?
É ou não verdade que no mundo da medicina não há, por enquanto, nenhum
antídoto para resolver o problema provocado pela dependência dos
tranquilizantes?
É ou não é verdade que o uso excessivo e prolongado dos tranquilizantes
leva as pessoas a uma tal dependência e estado de desespero, que passam a
ser potenciais candidatas a levar o resto da vida com internamentos
constantes em hospitais e clínicas de desintoxicação?
Perante esta tão dolorosa quão chocante realidade, pergunta-se:
Por que razão não são esclarecidas as pessoas?
Por que não se fazem debates públicos a nível nacional, como acontece em relação às drogas ilegais?
Qual a razão para que se ataque só aquela e não esta, se ambas são idênticas quanto aos seus efeitos?
Por que se esconde tão dura realidade, permitindo que se vão destruindo milhares de pessoas, só no nosso país?
Por que se omite ao público um esclarecimento tão importante, a exigir
que a saúde não se perca e o bem-estar das pessoas se não degrade?
Porquê tanta passividade por parte das autoridades com responsabilidade
no sector, permitindo, com o seu silêncio, que tantas pessoas se tornem
escravas dos tranquilizantes?
Peço, muito especialmente aos homens da comunicação social, que tenham a
coragem de fazer um levantamento exaustivo das realidades sobre esta
matéria, que poderão observar nas Casas de Saúde, nos Hospitais e nas
Clínicas da Especialidade de doenças nervosas (Psiquiatrias), e nas suas
próprias residências, onde poderão ver, com os seus próprios olhos, que
uma boa parte dos pacientes envolvidos neste tipo de tratamentos, à
base de tranquilizantes, poderiam ter sido poupados.
Quantos dramas!... Quantas lágrimas!... Quantas angústias e tristezas as paredes dessas instituições não escondem!...
Encontrarão gente de todas as idades e estratos sociais a suplicar a cura para os seus males.
As Selecções Reader's Digest, de Agosto de 1990, relatam um
acontecimento que merece ser aqui abordado. Trata-se de uma consultora
médica, que, devido a uma doença incurável, teve de lhe ser amputada
uma perna na clínica Maio, dos Estados Unidos.
O Dr. Glover e o Dr. Brakovec receitaram-lhe, para acalmar as suas
dores tranquilizantes, para usar apenas num limitadíssimo período de
tempo pós-operatório. Como porém, não podia suportar as dores,
desobedecendo ao que lhe fora prescrito, continuou a ingeri-los.
Chegando ao conhecimento do Dr. Glover a atitude desta doente, aquele
repreendeu-a com certa dureza, dizendo-lhe: «Leonor, mais vale morrer
de cancro do que tornar-se uma drogada. Se não se desembaraçar
imediatamente dos tranquilizantes, perderá muito mais do que já perdeu:
todo o amor-próprio e por fim a própria vida».
No encontro distrital sobre Toxicodependência, realizado, em 18 de
Fevereiro de 1991, na Escola Superior de Educação, em Bragança, no
âmbito do Projecto Vida, depois de ter deixado a toda a assistência o
meu testemunho, dirigindo-me à Mesa que presidia, composta por alguns
médicos, sempre perguntei ao moderador do debate: «Senhor doutor: é ou
não verdade que os tranquilizantes são tão terríveis e nefastos para o
organismo, quanto o são as drogas ilegais, como a cocaína, a heroína e a
haxixe?» A resposta do médico foi bem clara: «Está fora de dúvida».
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quarta-feira, 9 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
O LIVRO DO DESASSOSSEGO
Um relato dramático sobre a ingestão de tranquilizantes começou por agitar Bragança e caba por atingir a classe médica e laboratórios de produtos medicamentosos, que podem ser chamados a tribunal.
"EU DROGADO LEGAL ME CONFESSO" foi escrito em desespero de causa por um empresário comercial da cidade de Bragança e, segundo o seu autor, Nuno Álvaro Vaz, "é um desafio à classe médica e uma acusação aos laboratórios".
Em foco está a benzodiazepina, uma substância química normalmente presente emtranquilizantes e anti-depressivos.
No seu livro que, em apenas 20 dias, praticamente se esgotou só em Bragança, Nuno Vaz compara os tranquilizantes às drogas ilegais, pela dependência e pelas sequelas que produzem.
Os efeitos secundários das benzodiazepinas podem ser tão gravosos que levem a diversas incapacidades psíquicas e orgânicas dos consumidores e, na opinião de um psiquiatra por nós contactado, "estão por contabilizar os acidentes de viação e de trabalho que terão provocado".
Segundo elementos que colhemos, os laboratórios que produzem medicamentos à base de benzodiazepinas não avisaram devidamente os médicos acerca dos riscos da sua utilização, pelo que podem ser chamados a prestar contas pelas pessoas que se considerem lesadas.
A ONU ALERTOU
Há 30 anos que os portugueses ingerem benzodiazepinas para lutar contra a ansiedade, estados de insónia ou aflições de momento.
A Ordem dos Médicos nunca promoveu nenhum estudo ou debate, para analisar as consequências do uso destes produtos farmacêuticos.
No entanto, em 1984, houve um princípio de polémica sobre a inclusão, ou não, das benzodiazepinas no grupo dos estupefacientes e psico-trópicos. Um parecer da ONU recomendou restrição e controlo no consumo das benzodiazepinas, pronunciando-se a favor da sua inclusão no grupo dos estupefacientes, o que não foi levado em conta pelo Ministério da Saúde. A legislação mais recente, de Março deste ano, continua a considerar que, "dado tratar-se de produtos de grande utilização no campo clínico", e para evitar "incómodos e inconvenientes" para médicos, farmácias e utentes, para a sua obtenção basta o uso da receita normal, em vez da receita médica especial para estupefacientes.
Na prática, significa que qualquer cidadão pode abastecer-se de benzodiazepinas na maior parte das farmácias, automedicando-se e criando dependência.
No caso de Nuno Vaz, em que a entrada no mundo das benzodiazepinas foi feita por mão de médicos, as consequências colocaram-lhe, segundo nos diz, "a vida a prazo".
OS LABORATÓRIOS NÃO AVISARAM
"As benzodiazepinas devem ser os medicamentos mais receitados em todo o mundo, e em Portugal também", disse-nos o Dr. Afonso de Albuquerque, director de serviço do Hospital Júlio de Matos. Utilizadas como tranquilizantes e como hipnótico, no primeiro caso para diminuir a ansiedade e no segundo para induzir o sono, as benzodiazepinas, segundo nos informa, foram postas no mercado sem que a classe médica tivesse sido devidamente alertada para as consequências do seu uso.
"Só há poucos anos se começou a perceber que havia certas pessoas afectadas por este grupo de medicamentos em casos de dependência psicológica e fisiológica", afirma o psiquiatra.
Na sua opinião, "as companhias farmacêuticas não avisaram devidamente os médicos, na apresentação das benzodiazepinas, acerca dos riscos da sua utilização".
Durante três décadas, os tranquilizantes foram receitados tanto por psiquiatras como por cardiologistas, estomatologistas, e médicos de todas as especialidades. Afonso de Albuquerque está mesmo convencido de que o maior consumo de benzodiazepinas é feito em clínica geral e não em psiquiatria.
"Os laboratórios que as produzem têm, de certo modo, escondido a possibilidade de criar dependência", disse-nos. "Em Portugal já houve alguns debates sobre esse tema, mas entre os psiquiatras, que começaram a ser alertados pêlos seus próprios doentes".
"Tenho tido muitos doentes que já me chegam em estado de dependência das benzodiazepinas", confirmou o psiquiatra. "Num ou noutro caso, tive mesmo necessidade de os internar. Mas normalmente a desintoxicação é feita em regime ambulatório, com recurso a outro medicamento, para ir criando a desabituação".
TRANQUILIZANTES E ESTUPEFACIENTES
Nuno Vaz, que também se submeteu a diversas curas de desintoxicação, compara os efeitos das benzodiazepinas aos dos estupefacientes. Ouvimos a opinião do Dr. Afonso de Albuquerque:
"Ambos são produtos que actuam sobre o cérebro. Mas aquilo que se supõe ser o mecanismo de acção cerebral passa por vias diferentes, num caso ou noutro. Há sectores do cérebro que são receptores das benzodiazepinas, o que significa que o medicamento actua nessas zonas, e apenas nessas. E o estupefaciente actua noutras zonas. A condução do estímulo produzido pela benzodiazepina é diferente da produzida pêlos opiácios".
A IMPORTÂNCIA DO LIVRO
Cálculos por alto estimam em alguns milhares os portugueses profundamente afectados pêlos efeitos secundários dos tranquilizantes e anti-depressivos. Em Inglaterra já há grupos de utentes que procuram fazer pressão e obter indemnização dos laboratórios que lançam estes medicamentos no mercado sem aviso sobre os direitos colaterais.
Por nós contactada, a direcção da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, que representa as companhias produtoras de medicamentos, afirmou-nos que "cumpre estritamente a lei".
Nalgumas embalagens de medicamentos contendo benzodiazepinas verificámos que nas contra-indicações não consta nenhuma referência quanto ao facto de poderem produzir dependência.
Atentos ao problema, os médicos do Júlio de Matos estão a procurar substituir as benzodiazepinas de efeitos mais gravosos por outras de fabrico mais recente que, na prática, provocam menos sonolência. As doses, sob controlo, procuram ser mínimas, a fim de reduzir os riscos da habituação.
"É bom alertar as pessoas para não abusarem das doses prescritas", recomenda o psiquiatra, adiantando que "a própria classe médica ainda não está mentalizada para a gravidade deste problema".
Por isso, na sua opinião, "é muito positivo que surjam livros como este, que mostram que já há cidadãos neste país que estão alerta quanto aos seus direitos".
Que fique bem claro, se alguém ainda tiver dúvidas: as benzodiazepinas são uma droga devastadora, tanto ou mais que a heroína, a cocaína ou o haxixe.
"EU DROGADO LEGAL ME CONFESSO" foi escrito em desespero de causa por um empresário comercial da cidade de Bragança e, segundo o seu autor, Nuno Álvaro Vaz, "é um desafio à classe médica e uma acusação aos laboratórios".
Em foco está a benzodiazepina, uma substância química normalmente presente emtranquilizantes e anti-depressivos.
No seu livro que, em apenas 20 dias, praticamente se esgotou só em Bragança, Nuno Vaz compara os tranquilizantes às drogas ilegais, pela dependência e pelas sequelas que produzem.
Os efeitos secundários das benzodiazepinas podem ser tão gravosos que levem a diversas incapacidades psíquicas e orgânicas dos consumidores e, na opinião de um psiquiatra por nós contactado, "estão por contabilizar os acidentes de viação e de trabalho que terão provocado".
Segundo elementos que colhemos, os laboratórios que produzem medicamentos à base de benzodiazepinas não avisaram devidamente os médicos acerca dos riscos da sua utilização, pelo que podem ser chamados a prestar contas pelas pessoas que se considerem lesadas.
A ONU ALERTOU
Há 30 anos que os portugueses ingerem benzodiazepinas para lutar contra a ansiedade, estados de insónia ou aflições de momento.
A Ordem dos Médicos nunca promoveu nenhum estudo ou debate, para analisar as consequências do uso destes produtos farmacêuticos.
No entanto, em 1984, houve um princípio de polémica sobre a inclusão, ou não, das benzodiazepinas no grupo dos estupefacientes e psico-trópicos. Um parecer da ONU recomendou restrição e controlo no consumo das benzodiazepinas, pronunciando-se a favor da sua inclusão no grupo dos estupefacientes, o que não foi levado em conta pelo Ministério da Saúde. A legislação mais recente, de Março deste ano, continua a considerar que, "dado tratar-se de produtos de grande utilização no campo clínico", e para evitar "incómodos e inconvenientes" para médicos, farmácias e utentes, para a sua obtenção basta o uso da receita normal, em vez da receita médica especial para estupefacientes.
Na prática, significa que qualquer cidadão pode abastecer-se de benzodiazepinas na maior parte das farmácias, automedicando-se e criando dependência.
No caso de Nuno Vaz, em que a entrada no mundo das benzodiazepinas foi feita por mão de médicos, as consequências colocaram-lhe, segundo nos diz, "a vida a prazo".
OS LABORATÓRIOS NÃO AVISARAM
"As benzodiazepinas devem ser os medicamentos mais receitados em todo o mundo, e em Portugal também", disse-nos o Dr. Afonso de Albuquerque, director de serviço do Hospital Júlio de Matos. Utilizadas como tranquilizantes e como hipnótico, no primeiro caso para diminuir a ansiedade e no segundo para induzir o sono, as benzodiazepinas, segundo nos informa, foram postas no mercado sem que a classe médica tivesse sido devidamente alertada para as consequências do seu uso.
"Só há poucos anos se começou a perceber que havia certas pessoas afectadas por este grupo de medicamentos em casos de dependência psicológica e fisiológica", afirma o psiquiatra.
Na sua opinião, "as companhias farmacêuticas não avisaram devidamente os médicos, na apresentação das benzodiazepinas, acerca dos riscos da sua utilização".
Durante três décadas, os tranquilizantes foram receitados tanto por psiquiatras como por cardiologistas, estomatologistas, e médicos de todas as especialidades. Afonso de Albuquerque está mesmo convencido de que o maior consumo de benzodiazepinas é feito em clínica geral e não em psiquiatria.
"Os laboratórios que as produzem têm, de certo modo, escondido a possibilidade de criar dependência", disse-nos. "Em Portugal já houve alguns debates sobre esse tema, mas entre os psiquiatras, que começaram a ser alertados pêlos seus próprios doentes".
"Tenho tido muitos doentes que já me chegam em estado de dependência das benzodiazepinas", confirmou o psiquiatra. "Num ou noutro caso, tive mesmo necessidade de os internar. Mas normalmente a desintoxicação é feita em regime ambulatório, com recurso a outro medicamento, para ir criando a desabituação".
TRANQUILIZANTES E ESTUPEFACIENTES
Nuno Vaz, que também se submeteu a diversas curas de desintoxicação, compara os efeitos das benzodiazepinas aos dos estupefacientes. Ouvimos a opinião do Dr. Afonso de Albuquerque:
"Ambos são produtos que actuam sobre o cérebro. Mas aquilo que se supõe ser o mecanismo de acção cerebral passa por vias diferentes, num caso ou noutro. Há sectores do cérebro que são receptores das benzodiazepinas, o que significa que o medicamento actua nessas zonas, e apenas nessas. E o estupefaciente actua noutras zonas. A condução do estímulo produzido pela benzodiazepina é diferente da produzida pêlos opiácios".
A IMPORTÂNCIA DO LIVRO
Cálculos por alto estimam em alguns milhares os portugueses profundamente afectados pêlos efeitos secundários dos tranquilizantes e anti-depressivos. Em Inglaterra já há grupos de utentes que procuram fazer pressão e obter indemnização dos laboratórios que lançam estes medicamentos no mercado sem aviso sobre os direitos colaterais.
Por nós contactada, a direcção da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, que representa as companhias produtoras de medicamentos, afirmou-nos que "cumpre estritamente a lei".
Nalgumas embalagens de medicamentos contendo benzodiazepinas verificámos que nas contra-indicações não consta nenhuma referência quanto ao facto de poderem produzir dependência.
Atentos ao problema, os médicos do Júlio de Matos estão a procurar substituir as benzodiazepinas de efeitos mais gravosos por outras de fabrico mais recente que, na prática, provocam menos sonolência. As doses, sob controlo, procuram ser mínimas, a fim de reduzir os riscos da habituação.
"É bom alertar as pessoas para não abusarem das doses prescritas", recomenda o psiquiatra, adiantando que "a própria classe médica ainda não está mentalizada para a gravidade deste problema".
Por isso, na sua opinião, "é muito positivo que surjam livros como este, que mostram que já há cidadãos neste país que estão alerta quanto aos seus direitos".
Que fique bem claro, se alguém ainda tiver dúvidas: as benzodiazepinas são uma droga devastadora, tanto ou mais que a heroína, a cocaína ou o haxixe.
AFINAL, DE QUEM E A CULPA DESTA MERDA?
Alguns médicos defendem-se, dizendo mesmo que não foram devidamente esclarecidos pêlos laboratórios.
O Dr. Afonso de Albuquerque, director de serviço do Hospital Júlio de Matos, é um deles. Basta ler a entrevista concedida ao semanário "O Jornal", de 28/06/91
Por outro lado, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, que representa as companhias produtoras de medicamentos, defende-se, ao declarar ao mesmo semanário que "cumpre estritamente a lei".
Por seu lado, os doentes lamentam-se não terem sido esclarecidos pelo seu médico quanto às consequências que tais drogas lhes poderiam trazer, sobretudo no âmbito da dependência.
Enquanto uns afirmam cumprir estritamente a lei, outros queixam-se com a falta de esclarecimento. Afinal, de quem será, então, a culpa?...
Perante tão grave situação, pergunta-se: qual o papel do Estado, do Ministério da Saúde, nestas jogadas de pingue-pongue, onde ninguém quer ter a culpa?
Por que não se exige aos laboratórios que ponham, de forma destacada e completa, na literatura que acompanha as embalagens deste tipo de medicamentos, a acção farmacológica, indicações, contra-indicações, efeitos acessórios, precauções e posologia? Sim, porque nem todos são totalmente claros, omitindo muito da acção farmacológica na sua literatura.
Fármacos, cuja composição química é perfeitamente igual, trazem a acompanhar os medicamentos literatura acentuadamente diferente.
Veja-se um exemplo: LORENIN - LORSE-DAL - LORINAX. São três tranquilizantes bem conhecidos e utilizados, até há pouco tempo, no mercado nacional.
O LORINAX deixou de se encontrar nas farmácias e, segundo informações, estará suspenso ou esgotado.
A literatura que acompanha este medicamento reza assim:
1 comprimido contém 1 ou 2,5 mg de lorazepan ou 7-cloro-5-(0-clorofenil)-3-hidroxi-1,3-dihidro-2H-1,4-benzo-diazepina-2-ona.
Precauções
À semelhança do que se passa com todos os agentes psicotrópicos, deve evitar-se a ingestão de bebidas alcoólicas durante o tratamento com LORINAX. Também é conveniente a não condução de veículos durante o princípio do tratamento, até que a reacção ao fármaco seja suficientemente conhecida.
Efeitos Acessórios: - Não constam
LORENIN
O Lorazepam é quimicamente o 7-cloro-5-(0-clorofenil)-3-hidroxi-1,3-dihidro-2H-1,4-benzodiazepina-2-ona. É um tranquilizante da série das benzodiazepinas, que actua em doses particularmente baixas.
Efeitos Acessórios
Quando ocorrem, surgem habitualmente no início do tratamento e geralmente desaparecem com a continuação ou após redução da dose. Os mais frequentes são: sedação, tonturas, sensação de fraqueza e perturbação do equilíbrio Menos frequentemente têm sido referidos: desorientação, depressão, náusea, alterações do apetite, cefaleias, por turbações do sono, agitação, sintomas dermatológicos, perturbações visuais, sintomas gastro-intestinais e outras manifestações do sistema nervoso autónomo. A incidência de sedação e perda do equilíbrio têm tendência a aumentar com a idade.
Precauções
Deve avaliar-se periodicamente a necessidade de uma terapêutica continuada. Devem ainda ser tomadas as devidas precauções em presença das seguintes situações: Glaucoma de ângulo fechado e insuficiência da função hepática ou renal. À semelhança de outras benzodiazepinas, devem fazer-se periodicamente exames laboratoriais de rotina, contagem dos elementos do sangue e testes da função hepática em doentes submetidos ao tratamento prolongado.
Estão descritos casos transitórios de amnésia ou perturbação da memória com o uso de benzodiazepinas.
Deve evitar-se o uso de LORENIN durante a gravidez, especialmente nos 3 primeiros meses, na última fase e durante o parto.
Deve ter-se em atenção que o LORENIN, embora em quantidades farmacologicamente insignificantes, é excretado no leite materno. Não está recomendado o seu uso em pediatria.
Os indivíduos propensos à dependência, drogados e alcoólicos, deverão manter-se sob cuidadosa vigilância devido à predisposição para a habituação e dependência. O uso de benzodiazepinas pode levar à dependência, bem como a fenómenos de supressão quando estas são descontinuadas bruscamente. O LORENIN, como qualquer outra benzodiazepina, deverá, quando indicado,ser descontinuado gradualmente para evitar a ocorrência daquele fenómeno. Tal como com todos os agentes psicotrópicos, deve evitar-se a concomitante ingestão de álcool, uma vez que não é inteiramente previsível a reacção individual. Do mesmo modo aconselham-se os doentes a não conduzirem veículos durante o princípio da medicação e até que a sua reacção ao fármaco seja suficientemente conhecida.
LORSEDAL
COMPRIMIDOS DE 1 mg
Lorazepam [7-cloro-(0-clorofenil)-1.3-dihidro-3-hidroxi-2H-1,4-benzo-diazepina-2-onal].........................1 mg
Excipiente - q.b.p. um comprimido
Precauções
Não se encontram contra-indicações para o produto, quando administrado nas doses terapêuticas. Em doentes fracos ou idosos, se a posologia não foi devidamente ajustada, podem, todavia, ocorrer, especialmente no início do tratamento, sedação diurna ou sinais de inibição motora.
Não se podendo prever a reacção individual quando da ingestão simultânea de álcool, o uso de bebidas alcoólicas deve fazer-se com muita prudência.
Também se aconselha evitar a condução de veículos, no início do tratamento, até se conhecer completamente a reacção ao medicamento.
Efeitos Acessórios: - Não constam
Como se pode ver e ler, nem todos estes medicamentos descrevem os riscos que se correm ao toma-los. Para quê e porquê a omissão dos efeitos acessórios no LORINAX e no LORSEDAL, quando, com a mesmíssima composição, o LORENIN faz referência aos mesmos? Aliás, no que toca às precauções a ter, a literatura do folheto do LORENIN é bem explícita, enquanto que os restantes dois se limitam a meia dúzia de linhas.
O Dr. Afonso de Albuquerque, director de serviço do Hospital Júlio de Matos, é um deles. Basta ler a entrevista concedida ao semanário "O Jornal", de 28/06/91
Por outro lado, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, que representa as companhias produtoras de medicamentos, defende-se, ao declarar ao mesmo semanário que "cumpre estritamente a lei".
Por seu lado, os doentes lamentam-se não terem sido esclarecidos pelo seu médico quanto às consequências que tais drogas lhes poderiam trazer, sobretudo no âmbito da dependência.
Enquanto uns afirmam cumprir estritamente a lei, outros queixam-se com a falta de esclarecimento. Afinal, de quem será, então, a culpa?...
Perante tão grave situação, pergunta-se: qual o papel do Estado, do Ministério da Saúde, nestas jogadas de pingue-pongue, onde ninguém quer ter a culpa?
Por que não se exige aos laboratórios que ponham, de forma destacada e completa, na literatura que acompanha as embalagens deste tipo de medicamentos, a acção farmacológica, indicações, contra-indicações, efeitos acessórios, precauções e posologia? Sim, porque nem todos são totalmente claros, omitindo muito da acção farmacológica na sua literatura.
Fármacos, cuja composição química é perfeitamente igual, trazem a acompanhar os medicamentos literatura acentuadamente diferente.
Veja-se um exemplo: LORENIN - LORSE-DAL - LORINAX. São três tranquilizantes bem conhecidos e utilizados, até há pouco tempo, no mercado nacional.
O LORINAX deixou de se encontrar nas farmácias e, segundo informações, estará suspenso ou esgotado.
A literatura que acompanha este medicamento reza assim:
1 comprimido contém 1 ou 2,5 mg de lorazepan ou 7-cloro-5-(0-clorofenil)-3-hidroxi-1,3-dihidro-2H-1,4-benzo-diazepina-2-ona.
Precauções
À semelhança do que se passa com todos os agentes psicotrópicos, deve evitar-se a ingestão de bebidas alcoólicas durante o tratamento com LORINAX. Também é conveniente a não condução de veículos durante o princípio do tratamento, até que a reacção ao fármaco seja suficientemente conhecida.
Efeitos Acessórios: - Não constam
LORENIN
O Lorazepam é quimicamente o 7-cloro-5-(0-clorofenil)-3-hidroxi-1,3-dihidro-2H-1,4-benzodiazepina-2-ona. É um tranquilizante da série das benzodiazepinas, que actua em doses particularmente baixas.
Efeitos Acessórios
Quando ocorrem, surgem habitualmente no início do tratamento e geralmente desaparecem com a continuação ou após redução da dose. Os mais frequentes são: sedação, tonturas, sensação de fraqueza e perturbação do equilíbrio Menos frequentemente têm sido referidos: desorientação, depressão, náusea, alterações do apetite, cefaleias, por turbações do sono, agitação, sintomas dermatológicos, perturbações visuais, sintomas gastro-intestinais e outras manifestações do sistema nervoso autónomo. A incidência de sedação e perda do equilíbrio têm tendência a aumentar com a idade.Precauções
Deve avaliar-se periodicamente a necessidade de uma terapêutica continuada. Devem ainda ser tomadas as devidas precauções em presença das seguintes situações: Glaucoma de ângulo fechado e insuficiência da função hepática ou renal. À semelhança de outras benzodiazepinas, devem fazer-se periodicamente exames laboratoriais de rotina, contagem dos elementos do sangue e testes da função hepática em doentes submetidos ao tratamento prolongado.
Estão descritos casos transitórios de amnésia ou perturbação da memória com o uso de benzodiazepinas.
Deve evitar-se o uso de LORENIN durante a gravidez, especialmente nos 3 primeiros meses, na última fase e durante o parto.
Deve ter-se em atenção que o LORENIN, embora em quantidades farmacologicamente insignificantes, é excretado no leite materno. Não está recomendado o seu uso em pediatria.
Os indivíduos propensos à dependência, drogados e alcoólicos, deverão manter-se sob cuidadosa vigilância devido à predisposição para a habituação e dependência. O uso de benzodiazepinas pode levar à dependência, bem como a fenómenos de supressão quando estas são descontinuadas bruscamente. O LORENIN, como qualquer outra benzodiazepina, deverá, quando indicado,ser descontinuado gradualmente para evitar a ocorrência daquele fenómeno. Tal como com todos os agentes psicotrópicos, deve evitar-se a concomitante ingestão de álcool, uma vez que não é inteiramente previsível a reacção individual. Do mesmo modo aconselham-se os doentes a não conduzirem veículos durante o princípio da medicação e até que a sua reacção ao fármaco seja suficientemente conhecida.
LORSEDALCOMPRIMIDOS DE 1 mg
Lorazepam [7-cloro-(0-clorofenil)-1.3-dihidro-3-hidroxi-2H-1,4-benzo-diazepina-2-onal].........................1 mg
Excipiente - q.b.p. um comprimido
Precauções
Não se encontram contra-indicações para o produto, quando administrado nas doses terapêuticas. Em doentes fracos ou idosos, se a posologia não foi devidamente ajustada, podem, todavia, ocorrer, especialmente no início do tratamento, sedação diurna ou sinais de inibição motora.
Não se podendo prever a reacção individual quando da ingestão simultânea de álcool, o uso de bebidas alcoólicas deve fazer-se com muita prudência.
Também se aconselha evitar a condução de veículos, no início do tratamento, até se conhecer completamente a reacção ao medicamento.
Efeitos Acessórios: - Não constam
Como se pode ver e ler, nem todos estes medicamentos descrevem os riscos que se correm ao toma-los. Para quê e porquê a omissão dos efeitos acessórios no LORINAX e no LORSEDAL, quando, com a mesmíssima composição, o LORENIN faz referência aos mesmos? Aliás, no que toca às precauções a ter, a literatura do folheto do LORENIN é bem explícita, enquanto que os restantes dois se limitam a meia dúzia de linhas.
O MUNDO PODE PERDER A GUERRA CONTRA AS DROGAS
De acordo com um especialista neste assunto, o mundo pode perder a guerra contra as drogas, caso não tome uma nova atitude perante ela , todas elas. Este especialista chama a atenção para o facto de os traficantes estarem a ampliar o mercado, vendendo droga a consumidores cada vez mais jovens. «Se queremos programas educacionais e de prevenção realmente eficazes, temos de mudar a maneira como as crianças olham as drogas, quer legais, quer ilegais», diz-nos Jonh Duff, autor do livro «A Verdade sobre as Drogas» e presidente internacional do programa de educação, prevenção e reabilitação Narconon, mundialmente reconhecido como a única rede verdadeiramente eficaz de centros de reabilitação que não utiliza drogas no seu programa.
«São muitas, talvez demasiadas, as pessoas que confiam nas drogas tipo aspirina, tranquilizantes, álcool, etc.», — continua Duff. «Essas pessoas devem deixar de pensar que as drogas curam tudo! Devem compreender os efeitos que elas acarretam. É devido a essa atitude generalizada que as crianças pensam que as drogas ilegais, como a marijuana, heroína, cocaína, etc., são coisas que se podem «experimentar» sem o perigo de serem afectadas por isso. Tal não é verdade, mas muitas crianças não o sabem ou não acreditam. Com a Narconon as pessoas deixam as drogas e não voltam a pegar-lhes. Isto devido aos métodos únicos que nós usamos». L. Ron Hubbard é um dos mais aclamados e lidos autores de todos os tempos, mas o que muitas pessoas não sabem é que ele também investigou durante anos os efeitos nocivos das drogas e que desenvolveu métodos revolucionários de reabilitação compostos de exercício físico, vitaminas e sauna.
É preciso vencer esta guerra contra a droga! E não é por acaso que as crianças cada vez mais jovens estão a ser incentivadas a tomar drogas. Olhem à vossa volta e vejam se é verdade ou não que as drogas, legais e de rua, estão a chegar às mãos de crianças cada vez mais jovens!
A TÍTULO DE CONCLUSÃO
Chegados aqui, espero bem que tenham interpretado estas linhas como um alerta de objectivos altruístas e como uma mensagem de sinal cautelar, que eu faço questão em dirigir a todos quantos se encontram já inseridos no processo médico-prescrito do uso de tranquilizantes, e também àqueles que eventualmente possam vir a ser vítimas de uma habituação tóxica, transformando-se em drogados tutelados pela lei.
Este meu alerta não é um vomitar de frases soltas e infundadas. É, isso sim, e acima de tudo, o resultado de uma experiência dramaticamente vivida ao longo dos meus últimos 4 anos, em que o meu próprio corpo serviu de laboratório.
Tal como o autor destas linhas, centenas e centenas de outras pessoas vegetam pêlos mesmos meandros duma vida sem sentido, porque destruída e sem encanto e prazer, sem alegria.
Os tranquilizantes — e estou à vontade para o confirmar — não passam de um mito. Não são melhores, nem piores, que as conhecidas drogas ilegais, como a cocaína, a heroína ou a haxixe.
E digo isto, porque ao aperceber-me das terríveis consequências do uso dos tranquilizantes, prescritos medicamente, comecei a ler uma série de reputadíssimos autores nacionais e estrangeiros, sobre tal matéria, acabando todos eles por condenar este tipo de medicação, dados os efeitos perversos que os mesmos produzem no organismo dos pacientes.
É que os tranquilizantes produzem nas pessoas que os utilizam uma tal dependência e uma tal habituação, que se torna bem mais difícil combatê-los do que a própria droga ilegal.
E sublinho, mais uma vez, para que não fiquem dúvidas: a iniciação à habituação aos tranquilizantes acontece mesmo quando uma pessoa toma apenas um comprimido à noite «para dormir».
E como sei que são já aos milhares as pessoas das mais diversas camadas sociais e profissionais (sacerdotes, empresários, funcionários, reformados, professores, jornalistas,etc., etc.) a tomar o seu comprimido ao deitar, «só para poder dormir», acabando por se sentir mais cansadas, não podia ficar calado. Daqui lanço, pois, o meu alerta, o meu aviso amigo a todas elas: tenham cuidado, muito cuidado, porque dentro de alguns anos começarão todas a ter graves problemas de ordem física e psíquica difíceis de curar.
Claro que o uso dos tranquilizantes leva a um aparente, e, portanto, enganador descanso, com algum efeito positivo apenas ao nível do adormecimento da dor provocada por lesões orgânicas e sofrimentos morais. Só que não resolve absolutamente nada que se relacione com a cura do doente. Cria apenas a dependência, enquanto os verdadeiros problemas continuarão a subsistir, agravando-se de dia para dia, por força dos efeitos da droga medicada.
Daqui o não ser de espantar o facto de no mundo existirem já hoje mais toxicode-pendentes legais do que ilegais.
Foi por isso, e só por isso, que me decidi a publicar este meu trabalho, contribuindo de alguma forma para que muitos seres humanos, muitos amigos e conhecidos meus possam repensar a minha mensagem, quemais não pretende ser do que uma boa conselheira.
Alerto igualmente a imprensa deste país para que denuncie esta grave situação que vivem os drogados legais, e dirijo um convite às autoridades para se debruçarem muito a sério sobre este problema que tanto aflige a humanidade.
O poder da dependência gerada pêlos tranquilizantes é tão grande que, se, por exemplo, fosse proibido às farmácias vender temporariamente este tipo de tranquilizantes, muitos pacientes afectados por esta «droga» seriam bem capazes de tentar o suicídio, como já aconteceu com algumas pessoas.
Os resultados terríveis deste tipo de tratamentos confinam sempre na dependência e na destruição do organismo. E como ainda não se registaram efeitos positivos nas tentativas feitas até hoje da desintoxicação das «drogas legais», só a redução gradual de tais tranquilizantes poderá resultar, se o organismo ajudar.
Com fundamento em modernos e seguros diagnósticos, concluí que dos tranquilizantes herdei:
— Atrofia renal com diminuição de tamanho e espessura dos meus rins e uma drenagem;
— Problema hepático grave;
— Agravamento do aparelho digestivo;
— Dores a nível muscular e de tecidos;
— Frequentes fases de esquecimento e dificuldades de raciocínio.
Termino com votos que esta minha mensagem seja lida e reflectida, para que ela possa chegar ainda a tempo de repor o amor, a felicidade e a alegria de viver a quantos sofrem, por força da acção do uso da «droga legal».
Fica também o meu convite para que ninguém, mas mesmo ninguém, abuse de medicamentos tranquilizantes, seja em que circunstâncias for, porque, quando não se morre do mal, pode morrer-se da cura, com uma vida bem mais difícil e aflitiva.
Que o meu aviso vos ajude a salvar a todos vós que sofreis.
Nuno Álvaro Vaz
«São muitas, talvez demasiadas, as pessoas que confiam nas drogas tipo aspirina, tranquilizantes, álcool, etc.», — continua Duff. «Essas pessoas devem deixar de pensar que as drogas curam tudo! Devem compreender os efeitos que elas acarretam. É devido a essa atitude generalizada que as crianças pensam que as drogas ilegais, como a marijuana, heroína, cocaína, etc., são coisas que se podem «experimentar» sem o perigo de serem afectadas por isso. Tal não é verdade, mas muitas crianças não o sabem ou não acreditam. Com a Narconon as pessoas deixam as drogas e não voltam a pegar-lhes. Isto devido aos métodos únicos que nós usamos». L. Ron Hubbard é um dos mais aclamados e lidos autores de todos os tempos, mas o que muitas pessoas não sabem é que ele também investigou durante anos os efeitos nocivos das drogas e que desenvolveu métodos revolucionários de reabilitação compostos de exercício físico, vitaminas e sauna.
É preciso vencer esta guerra contra a droga! E não é por acaso que as crianças cada vez mais jovens estão a ser incentivadas a tomar drogas. Olhem à vossa volta e vejam se é verdade ou não que as drogas, legais e de rua, estão a chegar às mãos de crianças cada vez mais jovens!
A TÍTULO DE CONCLUSÃO
Chegados aqui, espero bem que tenham interpretado estas linhas como um alerta de objectivos altruístas e como uma mensagem de sinal cautelar, que eu faço questão em dirigir a todos quantos se encontram já inseridos no processo médico-prescrito do uso de tranquilizantes, e também àqueles que eventualmente possam vir a ser vítimas de uma habituação tóxica, transformando-se em drogados tutelados pela lei.
Este meu alerta não é um vomitar de frases soltas e infundadas. É, isso sim, e acima de tudo, o resultado de uma experiência dramaticamente vivida ao longo dos meus últimos 4 anos, em que o meu próprio corpo serviu de laboratório.
Tal como o autor destas linhas, centenas e centenas de outras pessoas vegetam pêlos mesmos meandros duma vida sem sentido, porque destruída e sem encanto e prazer, sem alegria.
Os tranquilizantes — e estou à vontade para o confirmar — não passam de um mito. Não são melhores, nem piores, que as conhecidas drogas ilegais, como a cocaína, a heroína ou a haxixe.
E digo isto, porque ao aperceber-me das terríveis consequências do uso dos tranquilizantes, prescritos medicamente, comecei a ler uma série de reputadíssimos autores nacionais e estrangeiros, sobre tal matéria, acabando todos eles por condenar este tipo de medicação, dados os efeitos perversos que os mesmos produzem no organismo dos pacientes.
É que os tranquilizantes produzem nas pessoas que os utilizam uma tal dependência e uma tal habituação, que se torna bem mais difícil combatê-los do que a própria droga ilegal.
E sublinho, mais uma vez, para que não fiquem dúvidas: a iniciação à habituação aos tranquilizantes acontece mesmo quando uma pessoa toma apenas um comprimido à noite «para dormir».
E como sei que são já aos milhares as pessoas das mais diversas camadas sociais e profissionais (sacerdotes, empresários, funcionários, reformados, professores, jornalistas,etc., etc.) a tomar o seu comprimido ao deitar, «só para poder dormir», acabando por se sentir mais cansadas, não podia ficar calado. Daqui lanço, pois, o meu alerta, o meu aviso amigo a todas elas: tenham cuidado, muito cuidado, porque dentro de alguns anos começarão todas a ter graves problemas de ordem física e psíquica difíceis de curar.
Claro que o uso dos tranquilizantes leva a um aparente, e, portanto, enganador descanso, com algum efeito positivo apenas ao nível do adormecimento da dor provocada por lesões orgânicas e sofrimentos morais. Só que não resolve absolutamente nada que se relacione com a cura do doente. Cria apenas a dependência, enquanto os verdadeiros problemas continuarão a subsistir, agravando-se de dia para dia, por força dos efeitos da droga medicada.
Daqui o não ser de espantar o facto de no mundo existirem já hoje mais toxicode-pendentes legais do que ilegais.
Foi por isso, e só por isso, que me decidi a publicar este meu trabalho, contribuindo de alguma forma para que muitos seres humanos, muitos amigos e conhecidos meus possam repensar a minha mensagem, quemais não pretende ser do que uma boa conselheira.
Alerto igualmente a imprensa deste país para que denuncie esta grave situação que vivem os drogados legais, e dirijo um convite às autoridades para se debruçarem muito a sério sobre este problema que tanto aflige a humanidade.
O poder da dependência gerada pêlos tranquilizantes é tão grande que, se, por exemplo, fosse proibido às farmácias vender temporariamente este tipo de tranquilizantes, muitos pacientes afectados por esta «droga» seriam bem capazes de tentar o suicídio, como já aconteceu com algumas pessoas.
Os resultados terríveis deste tipo de tratamentos confinam sempre na dependência e na destruição do organismo. E como ainda não se registaram efeitos positivos nas tentativas feitas até hoje da desintoxicação das «drogas legais», só a redução gradual de tais tranquilizantes poderá resultar, se o organismo ajudar.
Com fundamento em modernos e seguros diagnósticos, concluí que dos tranquilizantes herdei:
— Atrofia renal com diminuição de tamanho e espessura dos meus rins e uma drenagem;
— Problema hepático grave;
— Agravamento do aparelho digestivo;
— Dores a nível muscular e de tecidos;
— Frequentes fases de esquecimento e dificuldades de raciocínio.
Termino com votos que esta minha mensagem seja lida e reflectida, para que ela possa chegar ainda a tempo de repor o amor, a felicidade e a alegria de viver a quantos sofrem, por força da acção do uso da «droga legal».
Fica também o meu convite para que ninguém, mas mesmo ninguém, abuse de medicamentos tranquilizantes, seja em que circunstâncias for, porque, quando não se morre do mal, pode morrer-se da cura, com uma vida bem mais difícil e aflitiva.
Que o meu aviso vos ajude a salvar a todos vós que sofreis.
Nuno Álvaro Vaz
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