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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A Ausência - Memento Mori - Post Mortem


Foto de finais do Século XIX ou princípios do Século XX, esposa e filho relembram o esposo e pai que partiu, ela de braço dado com o seu sobretudo, o filho com o seu boné oficial.
Esta foto tem a particularidade de não ter o morto em si, como era costume na época vitoriana do final do Século XIX, mas apenas a sua presença em espírito, simples, para memória futura.
Uma das melhores fotografias Post Mortem que já vi!

domingo, 10 de março de 2013

Post Mortem

"Post Mortem" vem do Latim, significando "Pós Morte", ou após a morte.
As fotos "Post Mortem" aparentemente tiveram origem na Inglaterra, quando a Rainha Victoria pediu que fotografassem um cadáver de uma pessoa conhecida, ou um parente, para que ela guardasse como recordação.
A partir desse momento, o "costume" lentamente espalhou-se por diversas partes do mundo, sendo que várias familias passaram a fazer amesma coisa, guardando para si uma mórbida recordação do ente querido que havia partido.
Até os dias de hoje, por mais estranho que se possa parecer, em alguns lugares ainda existe esse costume.
Durante o século XIX, o acto de fotografar os falecidos era bem mais comum, parecendo nos dias de hoje algo "mórbido" e sem sentido, mas naquele tempo tornou-se um costume natural.
Criar álbuns com fotos dos familiares e amigos mortos, era uma espécie de negação da morte, ao mesmo tempo que as fotografias tornavam-se recordações guardadas pela família para se lembrar daqueles que se foram.
Além disso, observa-se que "fotografias" naquela época era um grande luxo, devido ao elevado preço para produzi-las e também devido à pouca quantidade de câmeras fotográficas e profissionais disponíveis.
A fotografia "Post Mortem" em si era algo bem caro, e funcionava como última homenagem aos falecidos.
No acto de fotografar a pessoa que morreu à pouco tempo, estando o corpo em estado "fresco", eram criados verdadeiros cenários elaborados com composições muitas vezes complexas de estúdio para fazer os álbuns dos mortos, e assim tornar a morte menos dolorosa.
Em outros casos, após algum tempo do falecimento da pessoa, e ocorrido o "rigor mortis", era necessário inventar situações complicadas para a foto ficar natural, envolvendo a instalação de calços sob cadeiras e inclinar a câmera fotográfica para que a cena se ajustasse a posição fixa do cadáver, etc....
Para essas fotos o importante era fazer parecer que os falecidos estivessem dormindo ou em posições de pessoas "vivas".
Com isso, era comum fotos com grupos de mortos e também de pessoas vivas sentados fazendo poses com cadáveres.
Em algumas montagens, eram colocadas estacas de madeira por dentro da roupa dos cadáveres, ao mesmo tempo que eram maquilhados e colocados em posições como se estivessem vivos, como: em pé ao lado de familiares, sentados com pernas cruzadas em sofás, lendo livros, abraçando um ente querido, ou outra pose que fosse normal para quem estivesse vivo.
Grande parte das fotos de bebes eram coloridas artificialmente para dar um tom de vida ao cadáver das crianças.

*Observa-se que fotos "Post Mortem" se diferem de fotos tiradas normalmente de cadáveres após acidentes ou decomposição, pois o intuíto das fotografias e a "arte" por trás das montagens tinham finalidades apenas sentimentais, e não de impressionismo, como tirada por repórteres ou curiosos.






Bando Dalton - Post Mortem


sábado, 27 de junho de 2009

O controlo sobre Morte

Uma das explicações para a existência de rituais Post Mortem está relacionada com a necessidade humana de exercer alguma espécie de controlo sobre a morte.
A escolha aparentemente arbitrária que a morte faz da sua vítima é, desde longa data, uma problemática com a qual as sociedades se têm debatido ao longo da história e nas várias culturas. A morte é a incógnita – não sabemos o que é que existe para além da vida, se é que existe alguma coisa, mas sobretudo não podemos prever com nenhuma certeza o «onde», o «quando» ou o «como» da sua chegada. O facto de a vida poder ser apagada sem aviso e sem consideração pela situação da pessoa enche o coração humano de medo. É por esta razão que as pessoas têm procurado a todo o custo exercer domínio sobre a natureza aleatória da morte.
Assim, nas sociedades tradicionais, o controlo da mortalidade tem sido experimentado em grande medida através da religião e dos rituais populares; as tentativas modernas, por outro lado, baseiam-se sobretudo nos mecanismos da ciência. A ciência médica procura prolongar os limites da existência física e deter a morte, com uma correspondente diminuição de taxonomias fatais. O conhecimento médico e as técnicas práticas aspiram ao domínio da nossa existência terrena. Este processo, iniciado no século XIX, transforma gradualmente o discurso sobre a morte num discurso sobre a doença, associando-se-lhe a mitologia popular que acredita que todas as doenças podem ser, ou eventualmente serão, curadas. A noção de «salvar a vida» adquire erroneamente um valor de permanência.
Sob os auspícios da salvação da vida e da redução do sofrimento, a ciência médica desenvolveu técnicas e medicamentos que reduzem drasticamente quer a incidência da mortalidade, quer grande parte da dor física e emocional que a acompanha, Consequentemente, as nações industrializadas avançadas estão livres de todas as formas de doenças fatais, tais como a tuberculose, a cólera a varíola, e esperam pacientemente que mais tarde ou mais cedo seja encontrada uma cura para os males que ainda persistem.
Embora este avanço seja reconhecido por muitos como a possibilidade de se alcançar uma qualidade de vida mais saudável e mais afortunada, também tem os seus críticos, que afirmam frequentemente que a ciência ultrapassou os seus limites e que está agora a interferir nas leis da natureza e a penetrar num domínio que é tradicionalmente do foro de Deus. Outros críticos da ciência salientam que, quando se tenta prolongar a vida, alguns doentes dos hospitais vêem as suas vidas prolongadas de um modo desnecessário e, por vezes, doloroso.
Os esforços que se promovem modernamente para controlar a morte não envolvem simplesmente a tentativa de prolongar a vida. De igual modo importante é a capacidade que as nações poderosas têm de pôr termo à existência. Por exemplo, nas guerras modernas, em que, tendo caracterizado o conflito como justo e acreditando que têm o direito ao uso de uma arma mortífera, cada uma das partes ataca o seu alvo como forma de atingir os objectivos da guerra, Neste contexto, o poder do conhecimento científico é usado para causar a morte, se bem que, como alguns defendem, com a intenção de salvar vidas no futuro.
Esta exegese tem implicações tem implicações importantes para a relação moderna entre o controlo do poder e o controlo da morte. De acordo com a formulação de Marcuse (1969), as pessoas não são livres enquanto não forem capazes de controlar a morte. A morte é a fronteira além da qual não conseguimos chegar, e, portanto, a vida tem de ser mantida a todo o custo. Noutras eras e nas culturas tradicionais, o sobrenatural tem sido invocado como capaz de influenciar a natureza, a frequência e as vítimas da morte. Nas sociedades ocidentais contemporâneas, o papel cada vez menos importante do cristianismo no fornecimento de um enquadramento ou na atribuição de sentido a esta experiência parece ser directamente proporcional à crescente influência da ciência. Por outras palavras, as pessoas sempre desejaram exercer controlo sobre a morte. Historicamente, este controlo tentava realizar-se através da crença religiosa. Hoje, nas sociedades modernas a ciência e a tecnologia estão a substituir a fé como meio de controlo da mortalidade.