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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Reflexão

Quem organiza a sua vida como se não houvesse a morte não está bom da cabeça.....
É sempre muito cedo ou muito tarde e hei-de morrer sem ter visto a vida toda, no fim o que somos, possuímos e levamos é apenas aquilo que não se perde com a morte, tudo o resto é pura ilusão!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Morte, Personalidade e Alma

Durante o curso da existência, diferentes tipos de energia fluem pelo organismo humano. Cada tipo de energia tem o seu próprio sistema de acção; cada tipo de energia se manifesta no seu tempo. Aos quatro meses e meio da concepção, manifesta-se a força motriz e muscular. Isto está relacionado com o nascimento da função respiratória e pulmonar. Aos dez meses e meio, o crescimento, com todos seus maravilhosos metabolismos e os tecidos conjuntivos. Entre os dois e os três anos do menino, fecha-se a moleira frontal dos recém-nascidos, ficando, de facto, o sistema cérebro-espinhal perfeitamente formado.
Durante os sete primeiros anos, forma-se a personalidade humana.
Aos quatorze anos, aparece a energia pessoal, fluindo avassaladoramente pelo sistema neuro-simpático.
Aos trinta e cinco anos, aparece o sexo na sua forma transcendental de emoção criadora. É quando se chega a esta idade que podemos fabricar isso a que se chama Alma. O homem normal não tem Alma, melhor dizendo, ainda não é homem nem tem Alma.
O animal intelectual, falsamente chamado homem normal, é uma máquina controlada pela legião do "eu"; este é pluralizado. "Devo ler um livro", diz a função intelectual; "vou a um jogo de futebol", diz a função motriz; "tenho fome, não irei a nenhuma parte", declara a digestão; "prefiro ir onde esteja uma mulher", declara o "eu" passional, etc., etc. Todos estes "eus" guerreiam entre si. O "eu" que hoje jura fidelidade à Gnosis é deslocado por outro que odeia à Gnosis. O "eu" que hoje adora uma mulher é deslocado depois por outro que a aborrece. Só fabricando Alma estabelecemos um princípio permanente de Consciência dentro de nós mesmos. Aquele que tem Alma vive consciente depois da morte. A Alma pode ser criada com a acumulação de energias mais subtis que o organismo produz. A sua cristalização dá-se através de supremos esforços para fazer-se auto consciente em forma total e definitiva. Desgraçadamente, o animal intelectual chamado homem, gasta torpemente estas energias em apetências, temores, ira, ódio, inveja, paixões, ciúmes etc., etc.
É urgente criar a vontade consciente; é indispensável submeter todos os nossos pensamentos e actos ao Julgamento Interno. Só assim podemos criar isso que se chama Alma. Precisamos de nos auto conhecermos profundamente para criar a Alma.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Reflexão

Sabemos que a vida é uma brincadeira efémera, e apenas por isso somos capazes de suportá-la sem perder o senso de humor; sem a ideia da inevitabilidade da morte, já teríamos enlouquecido diante da perspectiva aterrorizante de uma existência eterna. É um consolo saber que nossas vidas terão um fim; cada dia é uma contagem regressiva para o encerramento de uma corrida da qual nunca quisemos participar.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Silêncio

Vou entreabrir a cortina e olhar a lua. Sopros de esquecimento acalmam a minha agitação. A porta abre-se. O tigre salta. O terror entra. Terror e mais terror, perseguindo-me. Visitarei às escondidas os tesouros escondidos na minha solidão. Do outro lado do mundo há colunas de mármore reflectidas em lagos. A andorinha roça com as asas a superfície de lagos sombrios. Mas aqui a porta abre-se e entra gente. Vêm na minha direcção. Sorriem levemente para esconder a crueldade e a indiferença e apoderam-se de mim. A andorinha roça a superfície do lago e a lua solitária percorre mares azuis. Devo estender-lhe a mão; responder. Mas que resposta dar? Retrocedo com violência, sentindo escaldar o corpo desajeitado e exposto à indiferença e ao desdém dos homens, eu que imagino colunas de mármore e lagos onde as andorinhas molham as asas do outro lado do mundo. A noite adensou-se um pouco mais sobre as chaminés. Olhando sobre o ombro deste homem, vejo através da janela um gato tranquilo, que nenhuma luz ofusca e nenhuma seda tolhe. Um gato livre de parar, espreguiçar-se e recomeçar a andar. Odeio os pormenores da vida individual. Mas aqui sou obrigada a escutar. Um enorme peso me oprime. Não posso mover-me sem carregar o peso de séculos. Sou trespassada por um milhão de flechas. Sinto-me atingida pelo ridículo. Eu que seria capaz de expor o peito às tempestades e de me deixar alegremente cobrir pelo granizo, estou imobilizada.
Virginia Woolf

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Canto Para Minha Morte

Eu sei que determinada rua que eu ja' passei
Nao tornara' ouvir o som dos meus passos
Tem uma revista que eu guardo ha' muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir
Cada vez que eu me despeco de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela ultima vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu nao sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela vira'?
Sera' que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou sera' que ela vai me pegar no meio do copo de uisque,
Na musica que eu deixei para compor amanha?
Sera' que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Vira' antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que esta' em algum lugar me esperando
Embora eu ainda nao a conheca?
Vou te encontrar
Vestida de cetim
Pois em qualquer lugar
Esperas so' por mim
E no teu beijo
Provar o gosto estranho
Que eu quero e nao desejo
Mas tenho que encontrar
Vem
Mas demore a chegar
Eu te deteste e amo
Morte, morte, morte que talvez
Seja o segredo desta vida
Qual sera' a forma da minha morte
Uma das tantas coisas que eu nao escolhi na vida?
Existem tantas... um acidente de carro
O coracao que se recusa a bater no proximo minuto
A anestesia mal aplicada
A vida mal vivida
A ferida malcurada
A dor ja' envelhecida
O cancer ja' espalhado e ainda escondido
Ou ate', quem sabe,
O escorregao idiota, num dia de sol
A cabeca no meio-fio
O' morte, tu que es tao forte
Que matas o gato, o rato e o homem
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado
E que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem
Nos meus filhos
Na palavra rude que eu disse para alguem que nao gostava
E ate' no uisque que eu nao terminei de beber
Aquela noite...
Vou te encontrar
Vestida de cetim
Pois em qualquer lugar
Esperas so' por mim
E no teu beijo
Provar o gosto estranho
Que eu quero e nao desejo
Mas tenho que encontrar
Vem
Mas demore a chegar
Eu te deteste e amo
Morte, morte, morte que talvez
Seja o segredo desta vida

Autoria de Raul Seixas e Paulo CoelhoCantada por Raul Seixas

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Amigos, ter ou não ter, a tristeza que invade

"UM DÍA ALGUEM ESCREVEU:
-SE TIVESSE UM MILHÃO DE AMIGOS E PEDISSE A CADA UM UMA MOEDA , PODERIA SER MILIONÁRIO.
-SE TIVESSE 500 MIL AMIGOS, PEDIRIA PARA DARMOS AS MÃOS E UNIRMOS O PAÍS.
-SE TIVESSE 200 MIL AMIGOS FUNDARIA UMA CIDADE ONDE TODOS SE SAUDASSEM COM UM SORRISO.
-SE TIVESSE 25 MIL AMIGOS A EMPRESA DE TELEFONE CORTARIA A MINHA LINHA CADA VEZ QUE FIZESSE ANOS.
-SE TIVESSE 6 MIL AMIGOS GOSTARIA DE TER 6 MIL AFILHADOS.
-SE TIVESSE MIL AMIGOS TERIA DUAS MIL MÃOS SÓ PARA MIM.
-SE TIVESSE 365 AMIGOS PASSARIA CADA DIA DO ANO COM UM DELES.
-SE TIVESSE 100 AMIGOS TERIA 100 CONSELHOS.

-SE TIVESSE 4 AMIGOS TERIA ASSEGURADAS AS 4 PESSOAS QUE CARREGARIAM O MEU CAIXÃO.
-SE TIVESSE 2 AMIGOS SERIA 2 VEZES MAIS FELIZ.
-MAS SE TIVESSE SÓ 1 AMIGO NÃO PRECISARIA DE TER MAIS.
-AMIGOS SÃO OS QUE NOS MOMENTOS BONS APARECEM SE OS CHAMARMOS E NOS MAUS.... SIMPLESMENTE APARECEM"

Isto é um email que anda por ai a circular na internet, enviado e reenviado vezes sem conta, passando de computador em computador, passado e repassado, muitas vezes em se ler com atenção o que está escrito, como autómatos reenviamos estas coisas porque é assim que funciona, transformou-se numa espécie de código que todos seguem, todos menos eu, normalmente os que me chegam, e não são poucos, ficam por aqui atirados imediatamente na caixa do lixo electrónico.
Este, particularmente, fez-me pensar um pouco, por diversas razões:
- Ninguém tem tantos amigos, a maioria da população tem muitos menos do que aqueles que imagina, e muitos problemas seriam evitados se as pessoas não confiassem tanto nos supostos amigos, não lhes contassem a vida, não os levassem a casa e não lhes fizessem confidências. Afinal o que é um amigo, um verdadeiro amigo, é aquele que passa por nós na rua e acena, olá tudo bem, bom dia, boa tarde ou boa noite e vamos embora até logo, é o amigo/colega do trabalho que sabe aqueles segredos profissionais que mais ninguém devia saber e diz religiosamente que vai guardar segredo, é o amigo de infância, da escola, com quem brincávamos horas e horas, com quem partilhávamos os brinquedos, a mesa de aulas, a refeição, o lanche, os aniversários, mas que a vida se encarregou um dia mais tarde de afastar até parecer que nunca nos tínhamos conhecido antes, e obrigando-nos a engolir em seco ao mesmo tempo que escorre uma lágrima quando recordamos o tempo de meninos? Ou será o amigo de ocasião, aquele conhecido encontrado por acaso aqui e ali que serve de conversa de circunstancia quando não existe mais conversa, ou melhor, existe, mas não se diz porque é sociavelmente incorrecto.
-Amigos há muitos, amigos do alheio, amigos da onça, amigos falsos, falsos amigos, amigos de todos e amigos de ninguém, eu considero-me de dois grupos diferentes, sou o amigo dos outros e não sou amigo de ninguém, exactamente na mesma proporção daqueles que são meus amigos, ou seja, nenhum!!
-Claro que tive os amigos de infância, nessa altura todos somos amigos, como é bom ser pequeno, mas depois cresce-se depressa demais e não somos todos iguais, os amigos que deveriam ser os amigos para sempre, deixam-se influenciar por factores externos ou familiares e lentamente, com passinhos de lã, afastam-se de nós como o diabo da cruz, e ás tantas estamos sozinhos gritando mudos no meio da multidão que já nos voltou as costas e passa indiferente ás memórias do passado.
-Amigos deveriam ser sim, como diz o texto, aqueles que aparecem nos bons momentos quando os chamamos e nos maus momentos quando simplesmente não os esperamos, mas falando de mim, porque é de mim que falo, é por mim que me interesso, os outros que se fodam, em relação a mim os amigos desapareceram de um dia para o outro, quando não somos todos iguais e tomamos atitudes anti-convencionais, anti-sociais e outras de carácter doentio e desequilibrado não quer dizer que não tenhamos falta de amigos, ao contrário, é nessas alturas, mais do que nunca, os amigos são essenciais e precisamos deles, porque razão me abandonaram nas horas criticas, porque razão me abandonam no dia a dia, na ajuda efectiva á vida diária, objectivamente e diariamente? Puta que os pariu, orgulhosamente só permaneço, em sentido, vertical como as árvores morro de pé, isolado de ervas daninhas, exterminadas sob a sombra de uma existência superior.

terça-feira, 19 de maio de 2009

O que Continua Depois da Morte?

Duas coisas vão ao sepulcro: a primeira é o corpo físico, a segunda é a personalidade humana. Esta última, como já disse antes, forma-se durante os primeiros sete anos da infância, e se robustece com as experiências. Às vezes, a personalidade perambula pelo cemitério; outras vezes, sai de seu sepulcro quando seus enfermos a visitam e lhe levam flores. Mas, pouco a pouco, a personalidade vai se desintegrando. A personalidade é energética e atómica.
A personalidade é perecível. Não existe nenhum amanhã para a personalidade do defunto, ela é mortal. A personalidade não retorna. A personalidade é filha de seu tempo e morre em seu tempo. Aquela que continua é a essência, quer dizer, o fantasma do morto. Dentro de dito fantasma, se desenvolve o Ego que retorna, o "eu", o mim mesmo. Este último é legião de diabos que continuam. É falso nos dividir entre dois “eus”, um de tipo inferior e outro de tipo superior. O "eu" é legião de diabos, que se desenvolvem dentro de nós mesmos, isso é tudo.
Muito se fala na literatura ocultista de um "eu" superior, de um "eu" divino, mas, resulta que esse "eu" superior não é tal "eu". A Seidade Divina transcende qualquer apologia ao Eu. Aquilo que não tem nome profano é o Ser, o Íntimo.
A Essência é molecular; a essência, o fantasma do morto, vive normalmente no mundo molecular. Assim, ao morrer, saímos do mundo celular e entramos no mundo molecular, usamos um corpo molecular.
O "Livro Tibetano dos Mortos" diz textualmente o seguinte: "Oh, nobre por nascimento... seu corpo presente, sendo um corpo de desejos... não é um corpo de matéria grosseira, assim agora você tem o poder de atravessar qualquer massa de rochas, colinas, penhascos, terra, casas, e mesmo o Monte Meru, sem encontrar obstáculo... Está agora provido do poder das acções milagrosas que, porém, não é o fruto de nenhum Samadhi, mas, sim, do poder que vem a ti naturalmente... Você pode, instantaneamente, chegar a qualquer lugar que deseje; tem o poder de chegar ali no tempo em que um homem demoraria para abrir ou fechar a mão. Estes vários poderes de ilusão e de mudança de forma, não os desejem, não o desejem".

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Apelo de um Anjo Neutro

Apelo de um Anjo Neutro
Trevas Cruel angústia
Este lar é um inferno
Não há dia
Apenas penumbra
E a noite negra
Sem luar de prata
Pois a lua é rubra
E teu brilho de sangue
Almas sofrendo
Tudo ao redor é negro
Miseráveis de alma a vagar
E a escura noite não vai se findar
Um lugar onde não há regras
Nem sempre aqui se dorme
Não há confiança
Aqui o mal o consome
Vivo neste mar de sangue
Sob este céu de escuridão
Para mostrar o caminho
À quem ainda tem chance
De ter na alma
Um pingo de sangue
Vislumbro espectros perdidos
Olhos de desilusão
Pois neste céu se findaram
E nunca sairam
Nuvens negras pairam o sono
De quem ainda está a existir
Tormenta da alma
Criaturas que derramam sangue
E sempre estão a sucumbir
A irrefreável vontade de morrer
Possui a mente destas almas
Estas devem transmutar este pensar
Em ânsia incontida de viver
Liberte-se deste inferno de guerra
Siga-me
Desprenda tuas asas
Voe forte
Para longe
Até sumir
Não olhe para trás
Aqui permanecerei
Para resgatar
Os que ainda hão de se libertar deste lugar
Um lugar onde a dama da morte está a emperar
Por: Earth Wing



sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sinto a tua falta, leva-me para junto de ti

Morte… morte… morte…
Todos falam dela…
Todos a temem…
E eu… eu que a espero há tanto tempo… e ela não vem…
Será que se esqueceu?
Ou a minha alma é tão negra que nem ela a quer?
Talvez eu lhe possa dar uma ajuda: lembrar-lhe que se esqueceu de mim…
Ou podia fazer o trabalho dela e ficava tudo resolvido…
Mas não posso; prometi que esperava por ela… porquê?
Devia ter-me levado há muito tempo.
Mas não… continuo aqui… e espero… espero… e espero mais um pouco… (já estou a desesperar)
E fico aqui, a sofrer… sozinho… num mundo de miséria, solidão, hipocrisia e sofrimento…
“Leva-me daqui… acaba com este sufoco… lava-me para junto dele… e ficaremos juntos para sempre… felizes ou tristes… mas juntos… é só isso que te peço… depois deixo-te em paz… por favor…”
Pai, sinto tanto a tua falta…

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ela chegará......

A morte chegará inexoravelmente. Portanto, que oca vaidade a de centrar a existência nesta vida! Repara como sofrem tantas e tantos: uns, porque ela se acaba, custa-lhes deixá-la; outros, porque dura demais, aborrece-os...
Nunca se pode entender a nossa passagem pela Terra como um fim. É preciso sair dessa lógica errada, e firmar-se na outra, na eterna. E para isso é necessária uma mudança total: esvaziar-nos de nós mesmos, dos motivos egocêntricos, que são caducos, para renascermos em Cristo, que é eterno.

Josemaría Escrivá

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A Nossa Morte

O que mais me intriga e dói na nossa morte, como vemos na dos outros, é que nada se perturba com ela na vida normal do mundo. Mesmo que sejas uma personagem histórica, tudo entra de novo na rotina como se nem tivesses existido. O que mais podem fazer-te é tomar nota do acontecimento e recomeçar. Quando morre um teu amigo ou conhecido, a vida continua natural como se quem existisse para morrer fosses só tu. Porque tudo converge para ti, em quem tudo existe, e assim te inquieta a certeza de que o universo morrerá contigo. Mas não morre. Repara no que acontece com a morte dos outros e ficas a saber que o universo se está nas tintas para que morras ou não. E isso é que é incompreensível - morrer tudo com a tua morte e tudo ficar perfeitamente na mesma. Tudo isto tem significado para o teu presente. Mas recua duzentos anos e verás que nada disto tem já significado.
Vergílio Ferreira, in 'Escrever'

quinta-feira, 26 de março de 2009

Glória Efémera

O que se entrovisca com a glória póstuma não se apercebe de que cada um dos que se hão-de lembrar dele bem depressa morrerá por sua vez, depois por seu turno o que lhe suceder no lugar vazio, até que toda a lembrança por completo se extinga, ao passar de um a outro, como brandões acesos que se apagam. mas supõe que são imortais os que houverem lembrança de ti, e imortal a tua fama: que te importa isso? Não digo ao morto que serás, nada te aproveita; mas ao que vive, que lhe importa ser louvado? - A não ser que vejas nisso algum interesse político. Marco Aurélio (Imperador Romano), in 'Pensamentos'

sábado, 21 de março de 2009

Só a Morte Desperta os Nossos Sentimentos

Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?! Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós, durante a vida inteira. Mas sabe porque nós somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres.
É assim o homem, caro senhor, tem duas faces. Não pode amar sem se amar. Observe os seus vizinhos, se calha de haver um falecimento no prédio. Dormiam na sua vida monótona e eis que, por exemplo, morre o porteiro. Despertam imediatamente, atarefam-se, enchem-se de compaixão. Um morto no prelo, e o espectáculo começa, finalmente. Têm necessidade de tragédia, que é que o senhor quer?, é a sua pequena transcendência, é o seu aperitivo. É preciso que algo aconteça, eis a explicação da maior parte dos compromissos humanos. É preciso que algo aconteça, mesmo a servidão sem amor, mesmo a guerra ou a morte. Vivam, pois, os enterros!
Albert Camus, in 'A Queda'

segunda-feira, 16 de março de 2009

O Medo da Morte só se Justifica na Juventude

Algumas pessoas idosas vivem obcecadas com o medo da morte. Este sentimento só se justifica na juventude. Os jovens que receiam, com razão, morrer na guerra, podem legitimamente sentir a amargura do pensamento de terem sido defraudados do melhor que a vida lhes podia oferecer. Mas num velho que conheceu já as alegrias e dores humanas e que cumpriu a sua missão, qualquer que fosse, o receio da morte é algo de abjecto e ignóbil. O melhor meio de o vencer - pelo menos quanto a mim - é aumentar gradualmente as nossas preocupações, torná-las cada vez mais impessoais, até ao momento em que, a pouco e pouco, os limites da nossa personalidade recuem e a nossa vida mergulhe mais ainda na vida universal.
Pode-se comparar a existência de um indivíduo a um rio - pequeno a princípio, estreitamente encerrado entre duas margens, arremetendo, com entusiasmo, primeiro os seixos e depois as cataratas. A pouco e pouco, o rio alarga-se, as suas margens afastam-se, a água corre mais calmamente e, por fim, sem nenhuma mudança brusca, desagua no oceano e perde sem sofrimento a sua existência individual. O homem que na velhice pode ver a sua vida desta maneira, não receará a morte, pois as coisas que o interessavam continuam. E se, com o declínio da vitalidade, a fadiga aumenta, o pensamento do que subsiste não será desagradável. O homem inteligente deve desejar morrer enquanto trabalha ainda, sabendo que os outros continuarão a sua missão interrompida, e contente por pensar ter feito o que lhe era possível fazer.
Bertrand Russell, in 'A Última Oportunidade do Homem'

sexta-feira, 13 de março de 2009

Fazer as Contas com a Morte

Só há uma liberdade, fazer as contas com a morte. Depois disso, tudo é possível. Não posso forçar-te a crer em Deus. Crer em Deus é aceitar a morte. Quando tiveres aceitado a morte, o problema de Deus ficará resolvido por si - e não o inverso.
Albert Camus, in 'Cadernos'

quinta-feira, 12 de março de 2009

Morre-se Agora Muito Tarde

Pensando bem, vale mais morrer já, morre-se agora muito tarde. Quero dizer, muito depois de ter morrido muita coisa à nossa volta e dentro de nós. A vida humana estendeu-se e o que havia nela encolheu. A vida humana é assim vagarosa, «objectivamente» vagarosa, mas o que acontece dentro dela é rapidíssimo (...) Porque aos vinte e cinco anos, digamos aos trinta, temos o farnel pronto para a viagem. Antigamente dava para a viagem toda, agora temos de nos abastecer outra vez - com quê? Temos a bagagem pronta, o amor, as ideias, o corte das camisas e do cabelo, tudo na mala - como aguentar até aos setenta sem mudar de mala nem de camisas? Mesmo que as camisas sejam novas. Imagina agora tu a usares o coco do teu avô.
Vergílio Ferreira, in 'Nítido Nulo'

terça-feira, 10 de março de 2009

A Morte e o Sexo

A vida dá-nos indicações sob várias formas de que a morte não deveria assustar-nos, pelo contrário, que é agradável.
O sono é-nos dado como um protótipo da morte, e lutamos por ele todas as noites, que nos dá o maior esquecimento da vida. Não tememos o esquecimento; desejamo-lo porque nos dá paz. O sexo também nos sugere como será agradável a morte, mas não prestamos atenção. Se pudéssemos morrer duas vezes, então talvez não receássemos a segunda vez.
Tal como uma virgem receia a dor causada pela introdução do pénis, mas sente prazer da segunda vez e fica cheia de vontade de sexo e ansiosa por isso, não prestando atenção à insignificância da dor comparada com o prazer que recebe.
Por isso só temos uma morte, para que ao percebermos o seu encanto da primeira vez, não nos sentíssemos mais poderosamente atraídos por ela do que pela vida. Deus não seria capaz de nos manter vivos, como não foi capaz de nos manter na inocência, e estaríamos continuamente a lutar por nos sucidarmos.
O sexo é-nos dado como uma substituição para a morte múltipla. Depois de nos restabelecermos de uma morte doce, ficamos cheios de vontade de a experimentar outra vez.
Alexander Puschkine, in 'Diário Secreto'

sábado, 7 de março de 2009

Tínhamo-nos esquecido de que temos de morrer

Aconteceu-nos uma coisa realmente curiosa: tínhamo-nos esquecido de que temos de morrer. É esta a conclusão a que chegaram os historiadores depois de terem examinado todas as fontes escritas da nossa época. Uma investigação realizada nos cerca de cem mil livros de ensaio publicados nos últimos vinte anos mostraria que apenas duzentos deles (0,2%, portanto) tocavam o problema da morte. Livros de medicina incluídos.
(Pierre Chaunu)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Aprender a Morrer para Saber Viver

Diz Cícero que filosofar não é outra coisa senão preparar-se para a morte. Isso porque de certa forma o estudo e a contemplação retiram a nossa alma para fora de nós e ocupam-na longe do corpo, o que é um certo aprendizado e representação da morte; ou então porque toda a sabedoria e discernimento do mundo se resolvem por fim no ponto de nos ensinarem a não termos medo de morrer. Na verdade, ou a razão se abstém ou ela deve visar apenas o nosso contentamento, e todo o seu trabalho deve ter como objectivo, em suma, fazer-nos viver bem e ao nosso gosto, como dizem as Santas Escrituras. Todas as opiniões do mundo coincidem em que o prazer é a nossa meta, embora adoptem meios diferentes para isso; de outra forma as rejeitaríamos logo de início, pois quem escutaria alguém que estabelecesse como fim o nosso penar e descontentamento?
Michel de Montaigne, in 'Ensaios'

quarta-feira, 4 de março de 2009

Quem Aprendeu a Morrer Desaprendeu de Servir

Os homens vão, vêm, andam, dançam, e nenhuma notícia de morte. Tudo isso é muito bonito. Mas, também quando ela chega, ou para eles, ou para as suas mulheres, filhos e amigos, surpreendendo-os imprevistamente e sem defesa, que tormentos, que gritos, que dor e que desespero os abatem!
Já vistes algum dia algo tão rebaixado, tão mudado, tão confuso? É preciso preparar-se mais cedo para ela; e essa despreocupação de animal, caso pudesse instalar-se na cabeça de um homem inteligente, o que considero inteiramente impossível, vende-nos caro demais a sua mercadoria. Se fosse um inimigo que pudéssemos evitar, eu aconselharia a adoptar as armas da cobardia. Mas, como isso não é possível, como ele vos alcança fugitivo e poltrão tanto quanto corajoso, De facto ele persegue o cobarde que lhe foge, e não poupa os jarretes e o dorso poltrão de uma juventude sem coragem (Horácio), e que nenhuma ilusão de couraça vos encobre, Inútil esconder-se prudentemente sob o ferro e o bronze: a morte saberá fazer-se expôr à cabeça que se esconde (Propércio), aprendamos a enfrentá-lo de pé firme e a combatê-lo. E, para começar a roubar-lhe a sua maior vantagem contra nós, tomemos um caminho totalmente contrário ao habitual.
Eliminemos-lhe a estranheza, trilhemo-lo, acostumemo-nos a ele. Não pensemos em nenhuma outra coisa com tanta frequência quanto na morte. A todo o instante representemo-la à nossa imaginação, e sob todos os aspectos. Ao tropeço de um cavalo, à queda de uma telha, à menor picada de alfinete, ruminemos imediatamente: «Pois bem, quando será a morte mesma?»
E diante disso enrijeçamo-nos e fortifiquemo-nos. Pelo meio às festas e à alegria, conservemos esse refrão da lembrança da nossa condição, e não nos deixemos arrastar ao prazer tão intensamente que por vezes não volte a passar-nos na lembrança sob quantas formas o nosso regozijo está na mira da morte, e com quantos ataques ela o ameaça. Assim faziam os egípcios, que, pelo meio dos seus festins e no melhor divertimento, mandavam trazer o esqueleto de um corpo de homem morto, para servir de advertência aos convivas, Imagina que cada dia que brilha é para ti o dia supremo; receberás com reconhecimento a hora com que não havias contado (Horácio).
É incerto onde a morte nos espera; esperemo-la em toda a parte. A premeditação da morte é premeditação da liberdade. Quem aprendeu a morrer desaprendeu de servir. Saber morrer liberta-nos de toda a sujeição e imposição. Na vida não existe mal para aquele que compreendeu que a privação da vida não é um mal.
Michel de Montaigne, in 'Ensaios'