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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os 5 Estágios da Dor da Morte / Luto

A reacção psíquica determinada pela experiência com a morte foi descrita por Elisabeth Kubler-Ross como tendo cinco estágios (Berkowitz, 2001):
Primeiro Estágio: Negação e Isolamento    
A Negação e o Isolamento são mecanismos de defesas temporários do Ego contra a dor psíquica diante da morte. A intensidade e duração desses mecanismos de defesa  dependem de como a própria pessoa que sofre e as outras pessoas ao seu redor são capazes de lidar com essa dor. Em geral, a Negação e o Isolamento não persistem por muito tempo.
Segundo Estágio: Raiva/Cólera  
Por causa da raiva, que surge devido à impossibilidade do Ego manter a Negação e o Isolamento, os relacionamentos tornam-se problemáticos e todo o ambiente é hostilizado pela revolta de quem sabe que vai morrer. Junto com a raiva, também surgem sentimentos de revolta, inveja e ressentimento.  
Nessa fase, a dor psíquica do afrontamento da morte manifesta-se por atitudes agressivas e de revolta; - porque comigo? A revolta pode assumir proporções quase paranóicas; “com tanta gente ruim para morrer porque eu, eu que sempre fiz o bem, sempre trabalhei e fui honesto”...  
Transformar a dor psíquica em agressão é, mais ou menos, o que acontece em crianças com depressão. É importante, nesse estágio, haver compreensão dos demais sobre a angústia transformada em raiva na pessoa que sente interrompidas as suas actividades de vida pela doença ou pela morte.  
Terceiro Estágio: Negociação
Havendo deixado de lado a Negação e o Isolamento, “percebendo” que a raiva também não resolveu, a pessoa entra no terceiro estágio; a negociação. A maioria dessas negociações é feita com Deus e, normalmente, mantidas em segredo.  
Como dificilmente a pessoa tem alguma coisa a oferecer a Deus, além de sua vida, e como Este parece estar reclamando a vida, quer a pessoa queira ou não, as negociações assumem mais as características de súplicas.  A pessoa implora que Deus aceite sua “oferta” em troca da vida, como por exemplo, sua promessa de uma vida dedicada à igreja, aos pobres, à caridade ... Na realidade, a negociação é uma tentativa de adiamento. Nessa fase o paciente se mantém sereno, reflexivo e dócil (não se pode negociar com Deus, ao mesmo tempo em que se hostiliza pessoas).  
Quarto Estágio: Depressão     
A Depressão aparece quando o paciente toma consciência de sua debilidade física, quando já não consegue negar suas condições de doente, quando as perspectivas da morte são claramente sentidas. Evidentemente, trata-se de uma atitude evolutiva; negar não adiantou, agredir e se revoltar também não, fazer negociações não resolveu. Surge então um sentimento de grande perda. É o sofrimento e a dor psíquica de quem percebe a realidade nua e crua, como ela é realmente, é a consciência plena de que nascemos e morremos sozinhos.   Aqui a depressão assume um quadro clínico mais típico e característico; desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro, etc. 
Quinto Estágio: Aceitação
Nesse estágio o paciente já não experimenta o desespero e nem nega sua realidade. Esse é um momento de repouso e serenidade antes da longa viagem.
É claro que interessa, à psiquiatria e à medicina melhorar a qualidade da morte (como sempre tentou fazer em relação à qualidade da vida), que o paciente alcance esse estágio de aceitação em paz, com dignidade e bem estar emocional. Assim ocorrendo, o processo até a morte pôde ser experimentado em clima de serenidade por parte do paciente e, pelo lado dos que ficam, de conforto, compreensão e colaboração para com o paciente.  

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Elisabeth Kübler-Ross - On Death and Dying, 1969

Elisabeth Kübler-Ross nasceu em Zurique, na Suíça, em 1926. Depois da publicação do seu livro, Sobre a Morte e o Morrer (On Death and Dying, 1969), celebrizou-se como conferencista e autora de livros do movimento moderno em prol da consciência sobre a morte. No seu livro, propõe uma classificação das várias fases que as pessoas em vias de morrer atravessam, distribuindo-as por cinco categorias: Negação, Revolta, Negociação, Depressão e Aceitação. Kübler-Ross defende que a passagem peças cinco fases poderá ser facilitada por um trabalho de prestação de cuidados, desempenhados por indivíduos com capacidade para compreender e lidar com a expressão emocional dos que estão á beira da morte. A autora estabelece um contraste entre as mortes a que assistiu em criança, enquanto voluntária para os trabalhos de reconstrução que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, e a desumanização da morte, controlada cientificamente, no sistema médico moderno. O estádio final da sua teoria, a aceitação, tornou-se um símbolo cultural oposto ao carácter de «negação da morte» que se considera habitualmente característico das culturas europeias e norte-americanas modernas. Assim, a simbologia da sua aceitação pode ser interpretada como um protesto feminino contra a tentativa masculina de negar a realidade da morte. Depois da publicação do seu livro, Kübler-Ross passou a dedicar-se à actividade de conferencista, à realização de Workshops por todo o mundo e ao desenvolvimento de centros para a cura espiritual nos EUA, primeiro na Califórnia e depois no estado da Virgínia.
Apesar de as suas credenciais de psiquiatra terem conferido credibilidade científica ao seu trabalho, os seus métodos, motivações e capacidade de liderança tiveram origem sobretudo nas suas crenças religiosas. Desde cedo na sua vida, Kübler-Ross experienciou formas de comunicação para lá da realidade convencional. Por exemplo, enquanto criança, ela e a sua companheira de quarto moribunda tiveram «conversas profundas e plenas de significado sem nunca terem emitido um som» (Kübler-Ross 1977). Mais tarde viria a afirmar que aqueles que falam com «simplicidade» são os que «menos precisam de nós». Em adulta foi guiada por espíritos, que lhe transmitiam sinais sempre que ela precisava da sua ajuda. Á medida que ia ficando mais conhecida, a sua mensagem tornou-se progressivamente mais espiritual e passou a relatar experiências extracorpóreas «Vê-se o corpo etéreo e tornamo-nos um padrão de energia incrivelmente belo. Há centenas deles nesta sala, neste preciso instante. Muito poucos olhos humanos tiveram esta experiência, mas eu já a tive duas vezes» (Entrevista na Playboy, 1981)
Os cinco estádios de que fala Kübler-Ross no seu primeiro livro, em que adverte para a necessidade de ouvirmos os que estão a morrer – cujas experiências de vida podem ser de grande utilidade para a sociedade actual, negadora da morte -, foi claramente um factor de motivação para a fundação de muitos hospitais de retaguarda, e para o estabelecimento de programas de apoio a moribundos e aos seus familiares e amigos. Menos claro, porém, é o modo como a sua mensagem religiosa contribui para as três décadas de popularidade de que gozou, ou como a sua mensagem terá estado na génese do movimento em prol da consciência sobre a morte, que Kübler-Ross tanto encorajou.