Testes Neuropsicológicos
Os pacientes alcoólicos confirmados ao se submeterem a testes de inteligência apresentam 45 a 70% normais. Contudo, esses mesmos ao fazerem testes mais específicos em determinadas áreas do funcionamento mental, como a capacidade de resolver problemas, pensamento abstracto, desempenho psicomotor, memória e capacidade de lidar com novidades, costumam apresentar problemas.
Os testes normalmente representam actividades desempenhadas diariamente e não situações especiais ou raras. Este resultado mostra que os testes superficiais deixam passar comprometimentos significativos. Os testes neuropsicológicos são mais adequados e precisos na medição de capacidades mentais comprometidas pelo álcool. Têm sido observadas também que no cérebro dos alcoólicos ocorrem modificações na estrutura apresentada nos exames de tomografia ou ressonância, além de comprometimento na vascularização e nos padrões eléctricos. Como essas descobertas são recentes, não houve tempo para se estudar a relação entre essas alterações laboratoriais e os prejuízos psicológicos que eles representam.
Efeitos do Álcool sobre o Cérebro
Os resultados de exames pos-mortem (autópsia) mostram que pacientes com história de consumo prolongado e excessivo de álcool têm o cérebro menor, mais leve e encolhido do que o cérebro de pessoas sem história de alcoolismo. Estas descobertas continuam sendo confirmadas pelos exames de imagem como a tomografia, a ressonância magnética e a tomografia por emissão de fótons. O dano físico directo do álcool sobre o cérebro é um facto já inquestionavelmente confirmado. A parte do cérebro mais afectada costumam ser o córtex pré-frontal, a região responsável pelas funções intelectuais superiores como o raciocínio, capacidade de abstracção de conceitos e lógica. Os mesmos estudos que investigam as imagens do cérebro identificam uma correspondência linear entre a quantidade de álcool consumida ao longo do tempo e a extensão do dano cortical. Quanto mais álcool mais dano. Depois do córtex, regiões profundas seguem na lista de mais acometidas pelo álcool: as áreas envolvidas com a memória e o cerebelo que é a parte responsável pela coordenação motora.
O Processo Metabólico do Álcool
Quando o álcool é consumido passa pelo estômago e começa a ser absorvido no intestino caindo na corrente sanguínea. Ao passar pelo fígado começa a ser metabolizado, ou seja, a ser transformado em substâncias diferentes do álcool e que não possuem os seus efeitos. A primeira substancia formada pelo álcool chama-se acetaldeído, que é depois convertido em acetado por outras enzimas, essas substâncias assim com o álcool excedente são eliminados pelos rins; as que eventualmente voltam ao fígado acabam sendo transformadas em água e gás carbónico expelido pelos pulmões.
A passagem do intestino para o sangue dá-se de acordo com a velocidade com que o álcool é ingerido, já o processo de degradação do álcool pelo fígado obedece a um ritmo fixo podendo ser ultrapassado pela quantidade consumida. Quando isso acontece temos a intoxicação pelo álcool, o estado de embriaguez. Isto significa que há muito álcool circulando e agindo sobre o sistema nervoso além dos outros órgãos.
Como a quantidade de enzimas é regulável, um indivíduo com uso contínuo de álcool acima das necessidades estará produzindo mais enzimas metabolizadoras do álcool, tornando-se assim mais "resistente" ao álcool. A presença de alimentos no intestino torna mais lenta a absorção do álcool. Quanto mais gordura houver no intestino mais lenta se tornará a absorção do álcool.
Apesar do álcool ser altamente calórico (um grama de álcool tem 7,1 calorias; o açúcar tem 4,5), ele não fornece material permanente; assim a energia oferecida pelo álcool é utilizada enquanto ele circula ou é perdida. A famosa "barriga de cerveja" é dada mais pelos aperitivos que acompanham a bebida do que pelo próprio alcool, é um mito urbano.
Consequências corporais do alcoolismo
À medida que o alcoolismo avança, as repercussões sobre o corpo agravam-se. Os órgãos mais atingidos são: o cérebro, o trato digestivo, coração, músculos, sangue e glândulas hormonais. Como o álcool dissolve o mucus do trato digestivo, provoca irritação na camada externa de revestimento que pode acabar provocando sangramento. A maioria dos casos de pancreatite aguda (75%) são provocados por alcoolismo. As afecções sobre o fígado podem ir de uma simples degeneração gordurosa à cirrose que é um processo irreversível e incompatível com a vida. O desenvolvimento de patologias cardíacas pode levar 10 anos por abusos de álcool e ao contrário da cirrose pode ser revertida com a interrupção do vício. Os alcoólicos tornam-se mais susceptíveis a infecções porque suas células de defesas são em menor número. O álcool interfere directamente com a função sexual masculina, com infertilidade por atrofia das células produtoras de testosterona, e diminuição dos hormonas masculinas. O predomínio das hormanas femininos nos alcoólocos do sexo masculino leva ao surgimento de características físicas femininas como o aumento da mama (ginecomastia).
O álcool pode afectar o desejo sexual e levar a impotência por danos causados nos nervos ligados a erecção. Nas mulheres o álcool pode afectar a produção hormonal feminina, levando diminuição da menstruação, infertilidade e afectando as características sexuais femininas.
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