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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Sentimento de perca

Hoje sinto que perdi alguma coisa, alguma coisa que me era muito querida e por quem nutria um especial afecto, não sei se perdi ou não, ainda é cedo para o saber na realidade, mas tudo indica que sim, a vida é-me madrasta e a morte bem podia ter-me lavado logo naquele Setembro de 1991.
Tantas vezes sinto que devo estes 21 anos à terra que me há-de comer os olhos, e no porquê te ter sobrevivido a tantos acidentes e desgraças, tantas ocasiões de ter acabado com tudo para sempre me safar, até quando vão durar as vidas que me foram concedidas? E porquê? Para que estou guardado? Porquê este sofrimento, esta angustia de viver todos os dias sem um sentido definido, sem esperança, ousando querer o que não posso, imaginando-me em sítios distantes com outras pessoas que nunca vou conhecer.
Talvez porque até podia voltar as costas tudo e ir embora, partir, embora com o rumo certo porque era o que queria, mas outras coisas impedem-me de o fazer, por agora, e quando poder será tarde demais, a vida troca-nos as voltas e mistura tudo, fazendo-nos palhaços numa tempestade.
Sinto a coisa grave pois levantei-me ás 7:00 horas e já tomei cerca de 6 comprimidos, 3 deles diferentes, nem sei o que tomo, apenas queria dormir e esquecer tudo, as lágrimas tolham-me os olhos e nem chorar em paz consigo, DEIXEM-ME UM PAZ............. idiotas............ !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 17 de julho de 2012

A minha existência

Hoje pode ser um dia como outro qualquer, limito-me a constatar o meu sofrimento psicológico e emocional, tomo mais alguns Lorenins de 2,5 mg, misturados com um Lexotan 6 mg e alguns Diazepans 10mg, a seco, porque me esqueci da garrafa de água, aguardo  a noite e amanhã tudo volta a ser idêntico, talvez amanhã começe com Sedoxil e Xanax, os Lorenins dão-me muito sono e eu odeio dormir. Triste existência, penso!
A tarde vai amadurecer o meu sentimento de impossibilidade de resistir, a dôr psicológica torna-se mais aguda no final do dia, mais um dia passado, mais uma semana, mais um mês.... quando é que fazes alguma coisa da tua vida? Vive o sonho, não vivas a vida, penso eu, mas não o faço......estou imóvel.
Aquele discurso de "tens tudo",  ou "já pensaste no sofrimento dos outros que têm doenças terminais", "Pensa em tanta desgraça por esse mundo fora"... nenhum destes conselhos ou observações me consolam ou fazem sequer sentir alguma coisa, estimo muito que os outros se fodam.
Este meu sentir que já não é sentir, mas sim um impulso de revolta, libertação, raiva... É preciso ter a "coragem" ou a "cobardia" de colocar termo a estes dias confusos, a esta vida sem futuro e com um passado com contornos obscuros, incompletos, plenos de violência aliada a muita desorganização mental e desequilibrio emocional.
Não sei quanto tempo, quantos dias, meses anos, ou horas vou resistir.......ja resisti no passado fui capaz de sair de buracos fundos, quem me conhece sabe que sim, mas desta vez penso que é pior porque desta vez talvez nem eu admita que estou mesmo mal.
Estou convicto que o meu valor morto é muito superior ao valor que tenho enquanto vivo... Lá diz o ditado popular: "Queres ser bom? Morre ou ausenta-te."
Outrora o sucesso de uma outra sociabilidade social tornavam a minha vida mais interessante financeiramente..... hoje, reduzido a quase nada, teimo em não querer passar com nada, em manter determinadas coisas de um passado recente, incompatíveis com a realidade actual, teimo em não ver.
Os "amigos" nunca existiram, sempre todos passaram a recear algum pedido e afastam-se... nunca se querem comprometer... Familiares não os tenho, ou prefiro ignorá-los,  não resistem à satisfação de ver-me em baixo e nunca, mesmo nunca disseram : "Precisas de alguma coisa...?"
Chegámos ao fim do caminho? Ou ainda tens cartas para jogar?... Ao longo da estrada só encontrei ganância e vaidade e muita gente a vencer na vida apenas por oportunismo com jogadas corruptas e aldrabices...
Jogava-se a sobrevivência, devia ter jogado sujo, como vi alguns colegas fazer, mas não sou aldrabão, nem mentiroso, não sei fazer isso, e com a sorte que tenho o mais provável era ser logo apanhado na jogada, eu  jogo limpo, honestamente, por isso estou pobre enquanto os outros têm contas bancárias bem recheadas, fazendo exactamente o mesmo tipo de trabalho, só não vê quem não quer.
Realmente poderia ter feito tanta coisa que não gostaria que me fizessem, mas hoje seria um homem de sucesso.....

domingo, 10 de maio de 2009

Morte, Existencialismo e Absurdo

Os existencialistas defendem, muitas vezes, que as nossas vidas são absurdas, na medida em que vivemos na certeza de que um dia serão ceifadas pela morte. Se encararmos a nossa condição com exactidão, teremos de reconhecer a ausência de sentido de esperança, e que é inevitável que as nossas vidas terminem no nada. A questão que obviamente se levanta é se, perante a falta de sentido da vida, devemos cometer suicídio. Olhamos para o mundo procurando sinais da existência de sentido, mas o mundo permanece silencioso. O problema em torno do suicídio prende-se com a negação da liberdade que este implica, uma tentativa de escapar ao dilema trágico em que nos encontramos, e com a rejeição da possibilidade de se procurar afirmar a nossa dignidade face á morte. É necessário estabelecer valores num mundo que, em si próprio, não os possui. O suicídio aceita o absurdo como final e universal. Não somos obrigados a condicionar o nosso futuro devido à omnipresença da morte. A experiência do absurdo permite-nos experimentar, em simultâneo, a nossa condição de seres únicos, dignos e livres.

Frequentemente, argumenta-se que, se deus não existe, se não existe a imortalidade, a vida é absurda. Camus(1955) apresenta muito bem esta ideia, contrastando o modo como gostamos de encarar o mundo (ordeiro, moral, e racional) com a realidade de um mundo frio e insensível. Nagel (1971) enfatiza este ponto ao observar que empenhamos imensos cuidados e esforços nos nossos projectos, apenas para descobrir que os resultados podem ser decepcionantes e que, a longo prazo, nem sequer existem resultados, uma vez que acabamos por morrer. Este tipo de percepção cria frequentemente uma situação em que o suicídio se apresenta como uma solução tentadora. Porém, muitos filósofos criticam esta ideia por não considerar, com seriedade suficiente, a necessidade de desenvolvermos uma atitude audaz, apesar do absurdo da nossa situação. Ou seja, o facto de os nossos projectos poderem resultar em nada não implica necessariamente que deixemos de tentar realizá-los, pois não deixa de ser excitante tomar a decisão de fazer alguma coisa, apesar de se saber que o fim último da acção é transitório. Para muitos existencialistas, o reconhecimento do absurdo é isto mesmo: percebe-se a futilidade da acção e, ao mesmo tempo, age-se como se continuar a agir ou parar de agir fosse igualmente absurdo, e, no caso do suicídio, deixar de agir de todo.