Algumas toneladas de drogas permitidas e legais são largamente utilizadas por adultos e idosos pertencentes às mais diversas classes sociais. São esses milagrosos medicamentos que nos permitem dormir e suportar as doenças e a morte que se aproxima. O que seria de nós sem os tranquilizantes e soniferos.
Construíram a crença de que podemos e devemos viver sem ansiedade. Esta crença, imposta pelos laboratórios interessados na venda das drogas, foi assimilada pelos médicos e depois se espalhou para o público em geral. Uma vez incorporado esse valor, iniciou-se a ida dos ansiosos aos consultórios em busca do remédio milagroso. Embutida na crença de viver sem ansiedade, criou-se a fantasia que todos nós devemos e precisamos viver felizes. O que seria isto? Novamente confundimos o real com o ideal. Imaginamos, erroneamente, que existe um estado físico e mental de total felicidade, sem nenhum sintoma desagradável, sem nenhuma doença, em momento algum.
Não existe esse paraíso, pelo menos aqui na Terra. Os desarranjos, geralmente passageiros, não são doenças que precisam ser tratadas. Elas fazem parte da vida de qualquer animal. A doença, para a Medicina, é um estado continuado e “normal” de um desarranjo do organismo. Neste caso, o desarranjo inicial contínuo é de longa duração e, assim, dá origem a um novo estado do organismo. Este passa a funcionar de modo disfuncional. O novo arranjo do organismo passa a ser chamado de “doença”. Portanto, uma dor de cabeça, uma diarréia, uma gripe ou febre, a tristeza, um medo, euforia, uma pressão alta durante certo tempo, um colesterol ligeiramente alto, uma dor lombar, etc., fazem parte da vida de todos.
Segundo o conhecimento actual, a ansiedade pode ser um sinal, uma emoção saudável e necessária a uma boa adaptação do indivíduo ao meio, sendo, muitas vezes, um aviso do organismo indicando que algo precisa ser feito para modificar a vida, uma espécie de medo. Acredito que muito do que se afirma acerca da ansiedade nada mais é que uma sensibilidade maior de algumas pessoas a possíveis pistas do meio externo ou interno, indicadoras de que algo deve ser feito, ou, pelo menos, focalizado e notado. Além disso, muitos ansiosos, sendo mais pessimistas, tomam mais cuidados com possíveis problemas futuros e, desse modo, prevêem problemas antes deles acontecerem. A ansiedade pode agir como um “antídoto” contra outras doenças, pois, conforme seu alerta, o possuidor, antecipadamente, será capaz de tomar medidas contra o perigo possível.
O transtorno psiquiátrico oposto à ansiedade é o Transtorno da Personalidade Anti-Social. A pessoa anti-social não apresenta ansiedade, ou seja, ele não tem preocupação, não faz planos para o futuro, é sempre optimista e faz tudo para seu próprio bem (geralmente malfeito) devido a sua falta de preocupação com o futuro. O anti-social, acreditando muito em si mesmo e no seu futuro brilhante, faz incríveis tolices levando-o ao fracasso, perda dos bens, uso de drogas e, muitas vezes, acaba nas prisões ou nos cemitérios muito cedo. Esse é um resumo do retrato do indivíduo com características opostas aos ansiosos. Seriam os anti-sociais os supersadios?
As drogas para sanar ou abrandar a ansiedade foram usadas há milhares de anos. A primeira delas, e que continua a ser consumida, é o álcool. Para alegria dos consumidores aflitos, a cada dia, inúmeros calmantes são lançados. Uma estatística da Organização Mundial de Saúde, publicada há alguns anos, mostrou um consumo anual de 500 milhões de psicotrópicos em países como o Brasil. Desses, 70% eram ansiolíticos, ou seja, medicamentos para diminuir a ansiedade (um transtorno emocional), apreensão, tensão ou medo.
Muitas pessoas só dormem após tomarem seu sedativo preferido e, para suportar o dia desagradável que virá, ingerem mais outro calmante diurno. Alguns usam os tranquilizantes para viajar de avião, dançar, namorar, transar, tirar carteira de motorista, dar aulas, casar, isto é, as atividades que podem acarretar certo grau de intranquilidade, pois todos nós devemos ou temos obrigação de ser sadios.
Os ansioliticos são ingeridos puros ou misturados com bebidas, usados junto a moderadores de apetite e às drogas anticolinérgicas (os chamados antidistônicos). Alguns estão embutidos nos medicamentos antidepressivos, fortificantes, vitaminas, diuréticos, etc.
Aqui vai um alerta: As bulas acerca dos calmantes , muitas vezes, são mentirosas. Descrevem muito mais os “bons” resultados que os “ruins”. Muitas bulas não relatam a dependência à droga após um curto período de uso, como a diminuição da capacidade psicomotora, o aumento do cansaço, diminuição da memória, a pioria dos sintomas após a sua interrupção (ansiedade rebote) e o risco de seu uso nos idosos e crianças. Não confie cegamente nesse milagre!
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sexta-feira, 20 de setembro de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Medicamentos - Novos anticonvulsivantes - Lamotrigina
Lamotrigina
A LTG (Lamotrigina) é um anticonvulsivante derivado da feniltriazina, indicado no tratamento associado de convulsões parciais com ou sem generalização secundária em adolescentes e adultos. Aparentemente, possui o mesmo efeito da OXC, de bloqueio dos canais de sódio e cálcio voltagem-sensíveis. Devido ao risco de rash cutâneo, em geral, 50 a 200 mg diários são suficientes. Quando o paciente faz uso do valproato, as doses iniciais devem ser reduzidas à metade e quando o paciente também toma CBZ, o esquema inicial deve ser dobrado. De modo geral, é bem tolerada pela maioria dos pacientes, entretanto, nas primeiras oito semanas, ela pode causar um rash cutâneo benigno em torno de 10% dos pacientes e rash grave em menos de 0,1%. Pode ser retirada e gradualmente re-introduzida nos casos benignos. Em casos raros pode ocorrer uma reação grave, como a síndrome de Stevens-Johnson. Efeitos colaterais podem incidir em 10% dos pacientes tratados, como insónia e cefaléia transitória; não causa ganho de peso e raramente tonturas, tremores, diplopia, ataxia, náuseas, vista turva e sonolência.
A LTG não afecta o metabolismo de outras drogas, mas substâncias que inibem o citocromo P450, fracção 3A4 (por ex., CBZ), reduzem os níveis séricos da LTG. O valproato inibe o metabolismo da LTG dobrando sua meia-vida e fenitoína, fenobarbital e primidona diminuem seus níveis plasmáticos em cerca de 40%.
Há poucos estudos controlados em mania. Num estudo pequeno, de quatro semanas de duração, 30 pacientes internados em mania foram randomizados para tomarem LTG ou lítio. As diferenças não foram significativas, provavelmente porque as doses de lítio eram baixas. O mesmo problema ocorreu em outro estudo controlado, comparando LTG, lítio e olanzapina em grupos de 15 pacientes, no qual foram encontradas diferenças significativas nas respostas terapêuticas.
Há dois estudos negativos não publicados até o momento. É o único anticonvulsivante superior ao placebo no tratamento da depressão bipolar. Em estudo duplo-cego, controlado com placebo, 195 bipolares de tipo I foram alocados para tomarem 50 mg ou 200 mg de LTG, ou placebo. Após sete semanas, 56%, 48% e 29%, respectivamente, tiveram resposta terapêutica. Foi significativamente mais eficaz que o placebo, sem elevar o risco de ciclagem para mania ou hipomania. A LTG foi superior (41%) ao placebo (26%) na profilaxia da ciclagem rápida em 324 pacientes bipolares de tipo I e II, randomizados para 100 a 300 mg/dia de LTG ou placebo, por seis meses. Dois estudos separados, controlados, prospectivos de 18 meses compararam lítio, LTG e placebo no tratamento de manutenção em bipolares de tipo I56-57 com depressão ou mania, hipomania ou estado misto. Nos pacientes, cujo último episódio foi de mania, hipomania ou estado misto, aqueles que tomaram lítio demoraram significativamente mais a desenvolver novos episódios e os do grupo da LTG mais para apresentar depressão.
Na profilaxia de pacientes, cujo último episódio foi depressivo, 463 bipolares estabilizados em monoterapia foram randomizados para cinco grupos: LTG 50 mg, 200 mg ou 400 mg; lítio (0.8 - 1.1 mEq/l) ou placebo.56-57 Os resultados foram semelhantes ao estudo anterior e não houve diferenças significativas entre LTG e lítio, levando em conta o tempo até uma intervenção terapêutica para controle de episódios maníacos ou depressivos.
No uso da LTG, encontrou-se um risco de malformações congénitas maiores de 3% em amostras de mais de 300 gestantes.45 Quando usada em associação com o valproato, esse risco subiu para 11,9%; assim sendo, não deve ser usada em gestantes e nem na amamentação, pelo risco de rash no lactente.
A LTG (Lamotrigina) é um anticonvulsivante derivado da feniltriazina, indicado no tratamento associado de convulsões parciais com ou sem generalização secundária em adolescentes e adultos. Aparentemente, possui o mesmo efeito da OXC, de bloqueio dos canais de sódio e cálcio voltagem-sensíveis. Devido ao risco de rash cutâneo, em geral, 50 a 200 mg diários são suficientes. Quando o paciente faz uso do valproato, as doses iniciais devem ser reduzidas à metade e quando o paciente também toma CBZ, o esquema inicial deve ser dobrado. De modo geral, é bem tolerada pela maioria dos pacientes, entretanto, nas primeiras oito semanas, ela pode causar um rash cutâneo benigno em torno de 10% dos pacientes e rash grave em menos de 0,1%. Pode ser retirada e gradualmente re-introduzida nos casos benignos. Em casos raros pode ocorrer uma reação grave, como a síndrome de Stevens-Johnson. Efeitos colaterais podem incidir em 10% dos pacientes tratados, como insónia e cefaléia transitória; não causa ganho de peso e raramente tonturas, tremores, diplopia, ataxia, náuseas, vista turva e sonolência.
A LTG não afecta o metabolismo de outras drogas, mas substâncias que inibem o citocromo P450, fracção 3A4 (por ex., CBZ), reduzem os níveis séricos da LTG. O valproato inibe o metabolismo da LTG dobrando sua meia-vida e fenitoína, fenobarbital e primidona diminuem seus níveis plasmáticos em cerca de 40%.
Há poucos estudos controlados em mania. Num estudo pequeno, de quatro semanas de duração, 30 pacientes internados em mania foram randomizados para tomarem LTG ou lítio. As diferenças não foram significativas, provavelmente porque as doses de lítio eram baixas. O mesmo problema ocorreu em outro estudo controlado, comparando LTG, lítio e olanzapina em grupos de 15 pacientes, no qual foram encontradas diferenças significativas nas respostas terapêuticas.
Há dois estudos negativos não publicados até o momento. É o único anticonvulsivante superior ao placebo no tratamento da depressão bipolar. Em estudo duplo-cego, controlado com placebo, 195 bipolares de tipo I foram alocados para tomarem 50 mg ou 200 mg de LTG, ou placebo. Após sete semanas, 56%, 48% e 29%, respectivamente, tiveram resposta terapêutica. Foi significativamente mais eficaz que o placebo, sem elevar o risco de ciclagem para mania ou hipomania. A LTG foi superior (41%) ao placebo (26%) na profilaxia da ciclagem rápida em 324 pacientes bipolares de tipo I e II, randomizados para 100 a 300 mg/dia de LTG ou placebo, por seis meses. Dois estudos separados, controlados, prospectivos de 18 meses compararam lítio, LTG e placebo no tratamento de manutenção em bipolares de tipo I56-57 com depressão ou mania, hipomania ou estado misto. Nos pacientes, cujo último episódio foi de mania, hipomania ou estado misto, aqueles que tomaram lítio demoraram significativamente mais a desenvolver novos episódios e os do grupo da LTG mais para apresentar depressão.
Na profilaxia de pacientes, cujo último episódio foi depressivo, 463 bipolares estabilizados em monoterapia foram randomizados para cinco grupos: LTG 50 mg, 200 mg ou 400 mg; lítio (0.8 - 1.1 mEq/l) ou placebo.56-57 Os resultados foram semelhantes ao estudo anterior e não houve diferenças significativas entre LTG e lítio, levando em conta o tempo até uma intervenção terapêutica para controle de episódios maníacos ou depressivos.
No uso da LTG, encontrou-se um risco de malformações congénitas maiores de 3% em amostras de mais de 300 gestantes.45 Quando usada em associação com o valproato, esse risco subiu para 11,9%; assim sendo, não deve ser usada em gestantes e nem na amamentação, pelo risco de rash no lactente.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
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