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segunda-feira, 7 de maio de 2012

AFINAL, DE QUEM E A CULPA DESTA MERDA?

Alguns médicos defendem-se, dizendo mesmo que não foram devidamente esclarecidos pêlos laboratórios.
O Dr. Afonso de Albuquerque, director de serviço do Hospital Júlio de Matos, é um deles. Basta ler a entrevista concedida ao semanário "O Jornal", de 28/06/91
Por outro lado, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, que representa as companhias produtoras de medicamentos, defende-se, ao declarar ao mesmo semanário que "cumpre estritamente a lei".
Por seu lado, os doentes lamentam-se não terem sido esclarecidos pelo seu médico quanto às consequências que tais drogas lhes poderiam trazer, sobretudo no âmbito da dependência.
Enquanto uns afirmam cumprir estritamente a lei, outros queixam-se com a falta de esclarecimento. Afinal, de quem será, então, a culpa?...
Perante tão grave situação, pergunta-se: qual o papel do Estado, do Ministério da Saúde, nestas jogadas de pingue-pongue, onde ninguém quer ter a culpa?
Por que não se exige aos laboratórios que ponham, de forma destacada e completa, na literatura que acompanha as embalagens deste tipo de medicamentos, a acção farmacológica, indicações, contra-indicações, efeitos acessórios, precauções e posologia? Sim, porque nem todos são totalmente claros, omitindo muito da acção farmacológica na sua literatura.
Fármacos, cuja composição química é perfeitamente igual, trazem a acompanhar os medicamentos literatura acentuadamente diferente.
Veja-se um exemplo: LORENIN - LORSE-DAL - LORINAX. São três tranquilizantes bem conhecidos e utilizados, até há pouco tempo, no mercado nacional.
O LORINAX deixou de se encontrar nas farmácias e, segundo informações, estará suspenso ou esgotado.
A literatura que acompanha este medicamento reza assim:
1 comprimido contém 1 ou 2,5 mg de lorazepan ou 7-cloro-5-(0-clorofenil)-3-hidroxi-1,3-dihidro-2H-1,4-benzo-diazepina-2-ona.
Precauções
À semelhança do que se passa com todos os agentes psicotrópicos, deve evitar-se a ingestão de bebidas alcoólicas durante o tratamento com LORINAX. Também é conveniente a não condução de veículos durante o princípio do tratamento, até que a reacção ao fármaco seja suficientemente conhecida.
Efeitos Acessórios: - Não constam
LORENIN
O Lorazepam é quimicamente o 7-cloro-5-(0-clorofenil)-3-hidroxi-1,3-dihidro-2H-1,4-benzodiazepina-2-ona. É um tranquilizante da série das benzodiazepinas, que actua em doses particularmente baixas.
 Efeitos Acessórios
 Quando ocorrem, surgem habitualmente no início do tratamento e geralmente desaparecem com a continuação ou após redução da dose. Os mais frequentes são: sedação, tonturas, sensação de fraqueza e perturbação do equilíbrio Menos frequentemente têm sido referidos: desorientação, depressão, náusea, alterações do apetite, cefaleias, por turbações do sono, agitação, sintomas dermatológicos, perturbações visuais, sintomas gastro-intestinais e outras manifestações do sistema nervoso autónomo. A incidência de sedação e perda do equilíbrio têm tendência a aumentar com a idade.
Precauções
Deve avaliar-se periodicamente a necessidade de uma terapêutica continuada. Devem ainda ser tomadas as devidas precauções em presença das seguintes situações: Glaucoma de ângulo fechado e insuficiência da função hepática ou renal. À semelhança de outras benzodiazepinas, devem fazer-se periodicamente exames laboratoriais de rotina, contagem dos elementos do sangue e testes da função hepática em doentes submetidos ao tratamento prolongado.
Estão descritos casos transitórios de amnésia ou perturbação da memória com o uso de benzodiazepinas.
Deve evitar-se o uso de LORENIN durante a gravidez, especialmente nos 3 primeiros meses, na última fase e durante o parto.
Deve ter-se em atenção que o LORENIN, embora em quantidades farmacologicamente insignificantes, é excretado no leite materno. Não está recomendado o seu uso em pediatria.
Os indivíduos propensos à dependência, drogados e alcoólicos, deverão manter-se sob cuidadosa vigilância devido à predisposição para a habituação e dependência. O uso de benzodiazepinas pode levar à dependência, bem como a fenómenos de supressão quando estas são descontinuadas bruscamente. O LORENIN, como qualquer outra benzodiazepina, deverá, quando indicado,ser descontinuado gradualmente para evitar a ocorrência daquele fenómeno. Tal como com todos os agentes psicotrópicos, deve evitar-se a concomitante ingestão de álcool, uma vez que não é inteiramente previsível a reacção individual. Do mesmo modo aconselham-se os doentes a não conduzirem veículos durante o princípio da medicação e até que a sua reacção ao fármaco seja suficientemente conhecida.
LORSEDAL
COMPRIMIDOS DE 1 mg
Lorazepam [7-cloro-(0-clorofenil)-1.3-dihidro-3-hidroxi-2H-1,4-benzo-diazepina-2-onal].........................1 mg
Excipiente - q.b.p. um comprimido
Precauções
Não se encontram contra-indicações para o produto, quando administrado nas doses terapêuticas. Em doentes fracos ou idosos, se a posologia não foi devidamente ajustada, podem, todavia, ocorrer, especialmente no início do tratamento, sedação diurna ou sinais de inibição motora.
Não se podendo prever a reacção individual quando da ingestão simultânea de álcool, o uso de bebidas alcoólicas deve fazer-se com muita prudência.
Também se aconselha evitar a condução de veículos, no início do tratamento, até se conhecer completamente a reacção ao medicamento.
Efeitos Acessórios: - Não constam
Como se pode ver e ler, nem todos estes medicamentos descrevem os riscos que se correm ao toma-los. Para quê e porquê a omissão dos efeitos acessórios no LORINAX e no LORSEDAL, quando, com a mesmíssima composição, o LORENIN faz referência aos mesmos? Aliás, no que toca às precauções a ter, a literatura do folheto do LORENIN é bem explícita, enquanto que os restantes dois se limitam a meia dúzia de linhas.



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