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quarta-feira, 9 de maio de 2012

O HORROR DOS TRANQUILIZANTES

Foi este o tema escolhido pelo autor desta edição para divulgar o drama que tem vivido desde que foi empurrado para tratamentos à base de tranquilizantes.
Nuno Álvaro Vaz alerta para o perigo das benzodiazepinas, que conduzem a um fenómeno bem conhecido, chamado habituação e dependência, com os consequentes desequilíbrios psíquicos e desarranjos orgânicos. Diversos relatórios clínicos têm confirmado que as benzodiazepinas podem provocar ansiedade, derivando com muita frequên­cia para o desespero e a depressão. Há, pois, que esclarecer as pessoas com debates públicos.
Que este trabalho de Nuno Álvaro Vaz sirva de mensagem para todos quantos directa ou indirectamente possam estar a ser vítimas dos tranquilizantes.
Isto inclui-me a mim próprio, vitima desta teia maléfica armada por médicos, psiquiatras, psicoterapeutas e outros que tais………
Evitem os medicamentos, evitem a toxicodependência legal, sejam normais tal como são.
O meu pai sempre dizia: Somos como somos!

OS DOENTES E A FAMÍLIA

Quero sublinhar que me parece não serem, em princípio, os tranquilizantes os causadores de certas desavenças e desen­tendimentos nas famílias. Todavia, quando um tratamento se torna prolongado, os do­entes deixam de acompanhar o ritmo quo­tidiano da família, mas disso não têm culpa, porque a sua natureza não os ajuda, Acon­tece que algumas famílias não estão pre­paradas para compreender conveniente­mente os seus pacientes. Gera-se, então, um certo mal-estar que contamina todo o agre­gado familiar, Daqui, a necessidade de uma grande formação humana por parte das famílias atingidas por estas dramáticas situa­ções.
As expressões como «ele não está bom da cabeça, ele está insuportável, ele é um maníaco, ele isto, ele aquilo», magoam os doentes e deixam-nos ainda mais angustia­dos, mais sós, mais isolados e mais entregues à sua sorte. E muito mais, quando o doente atingido se comporta sem que nada justifique tais comentários.
Nisto, como em tudo, as vítimas são os mais fracos, e ninguém se deve considerar uma vítima daqueles que sofrem, para justi­ficar, muitas vezes, a sua pouca compreen­são, a sua saturação, a sua falta de resig­nação.
Haverá que lutar, isso sim, ao lado do doente, apoiando-o, e encorajando-o para tentar vencer a situação criada pêlos tran­quilizantes.
Famílias há — a maioria, felizmente — que uma vez envolvidas por dramas desta natureza, tudo fazem pêlos seus pacientes, dispensando-lhes todo o carinho, toda a compreensão e aceitando, com a maior resignação, a situação. É desta forma que o doente deve ser acompanhado, suavizan­do, com um sorriso, uma carícia, um beijo, todas as dores que o devoram noite e dia.
Infelizmente, conheço casos de lares totalmente destruídos e de famílias inteiras voltadas contra os seus doentes drogados. Vi também casos de desprezo total, muito bem disfarçado, que não é fácil detectar a qual­quer observador.
Mas também conheço casos de doa­ção total aos seus doentes, Casos, onde a fé em Deus ilumina todo o agregado familiar e onde todos querem ser os primeiros a estar junto dos seus doentes.
Vem aqui, a propósito, subscrever algu­mas passagens do livro «A VIDA SEM TRAN­QUILIZANTES», da autoria do Dr. Vernon Coleman, traduzido por Paula Reis e editado em Portugal pela TERRAMAR.
Logo na sua introdução, o autor come­ça por esclarecer que «o maior problema de dependência da droga no mundo é criado por um grupo de medicamentos, as benzodiazepinas, que são muitíssimo receitados pêlos médicos e tomados por milhões incon­táveis de pessoas perfeitamente vulgares em todo o globo».
Embora só estejam à disposição há menos de um quarto de século, «as benzodiazepinas, como o Valium, o Librium e o Mogadan, tornaram-se das drogas mais pulares no mundo. Usam-se para ajudar as pessoas a adormecer, para as ajudar a suportar a ansiedade e para tratar centenas de sintomas físicos e mentais muito varia­dos», considera Vernon Coleman.
Mas diz mais. Lembra, por exemplo, que os especialistas em dependência de drogas bradam que «livrar as pessoas das benzodiazepinas é mais difícil do que desintoxicar dependentes da heroína». E, apesar deste aviso, os médicos continuam a passar receitas com esse tipo de medicamentos.
«Creio que a razão principal para tal acontecer é os médicos estarem tão viciados em receitar benzodiazepinas como os paci­entes estarem viciados em toma-las»,

QUE EFEITOS PRODUZEM, AFINAL, AS BENZODIAZEPINAS? 

No dizer de Vernon Coleman, desde que foram introduzidas nos mercados e na prática médica, na década de 60, as benzo­diazepinas, «têm quatro efeitos principais».
Em primeiro lugar, «aliviam a ansiedade»,
Em segundo lugar, «têm uma acção se­dativa e fazem com que as pessoas que as tomam se sintam sonolentas»,
Em terceiro lugar, algumas dessas benzodiazepinas são utilizadas no tratamento de «situações, como a epilepsia».
Em quarto e último lugar, as benzodiazepinas são também tomadas para «relaxar músculos tensos e contraídos».
Lembra também o autor do livro «A VIDA SEM TRANQUILIZANTES», que, para clínicos gerais mal treinados, que enfrentam de re­pente uma epidemia de doenças mentais, «aquelas drogas são uma resposta para muitos problemas, se não para todos».
As benzodiazepinas contam-se, ainda hoje, entre as drogas mais amplamente re­ceitadas no mundo, sendo «o Librium e o Valium os cabeças de lista mais vendidos».
Parece, até, que os primeiros sucessos obtidos com o Valium «convenceram muitos médicos de que este era uma panaceia que servia para todas as doenças conhecidas do homem», considera Vernon Coleman.
O uso das benzodiazepinas espalhou-se de tal forma, que qualquer pessoa que vá ao médico «está condenada a uma receita deste tipo de drogas», porque as benzodia­zepinas constituem, quase de certeza, «o grupo de drogas mais receitado no mundo».
À medida que os anos vão passando, cada vez mais investigadores têm escrito documentos mostrando que «as benzodiazepinas não são tão inócuas como primeiro se pensava», alerta, no seu livro, o Dr. Vernon Coleman.
Infelizmente, ainda hoje, é prática cor­rente, nos hospitais, dar-se benzodiazepinas a pessoas internadas, por rotina.
«Tal como estão as coisas neste momento — considera Vernon Coleman — o problema parece destinado a piorar muito mais, antes de se conseguir algumas melhorias».
Na última parte do seu livro, Vernon Coleman chama a atenção para algumas das formas que achou úteis para ajudar os pacientes a fazer frente às pressões, dizendo: «Faça frente à culpa, ao aborrecimento, à frustração, à ambição, ao medo», sem deixar de ficar atento aos primeiros sinais avisadores, tais como:«dores de cabeça, indiges­tões, erupções cutâneas, tonturas, dores de peito, diarreia, insónia, cansaço, e ainda comportamento impulsivo, memória fraca, irritabilidade, etc».
Perante tal cenário deve tomar uma ati­tude: «relaxar-se», aconselha Vernon Coleman.

AS BENZODIAZEPINAS E A DEPENDÊNCIA 

Há que deixar os pacientes e não pacientes bem esclarecidos quanto às diferen­ças e efeitos, por exemplo, do Valium, que habitualmente é utilizado como droga con­tra a ansiedade, e do Mogadan, que é utili­zado como comprimido para dormir.
Ambos têm constituintes básicos muito semelhantes, e os efeitos que produzem também são semelhantes.
O que eu digo não é, nem pretende ser, obviamente, uma prova científica, mas há muita gente que argumenta que as benzodi­azepinas não causam dependência, e isso não corresponde à verdade. Que o digam os fabricantes que põem à venda estes pro­dutos, ainda se compreende. Mas já não se compreende que o afirmem alguns medicos.
Não há que deturpar os factos e muito menos utilizar argumentos que não podem encontrar suporte. Dizer que tais drogas conduzem apenas a um «hábito» ou a uma «viciação», no fundo é a mesma coisa que dizer: conduzem à «dependência».
Logo que se utilizem benzodiazepinas por um período superior a dez dias, é natural que o paciente fique dependente. Comigo sucedeu assim, e com muitos outros que eu conheci igual.
Há muitos médicos e muitos, e mesmo muitos doentes, que apoiam as minhas afir­mações. O que se lembra é que, apesar destas verdades e provas, as benzodiazepinas ainda se continuam a receitar sem qual­quer restrição, provocando danos físicos e cerebrais que arruínam para sempre a saúde das pessoas.
Diversos relatórios clínicos têm confir­mado que as benzodiazepinas podem pro­vocar ansiedade.
Na Holanda, por exemplo, segundo re­fere Vernon Coleman, um psiquiatra contri­buiu com um artigo para uma publicação médica holandesa, na qual descrevia como «quatro pacientes, que tomavam um com­primido de benzodiazepinas para dormir, ti­nham aparecido com uma ansiedade acentuada e alterações psicológicas intole­ráveis». O relatório desencadeou centenas de outras queixas semelhantes acerca da droga. Isto para focar apenas um de entre largas dezenas de casos semelhantes.
Há também provas — e muitas! — que as mesmas drogas podem provocar de­pressão. E isto acontece — e digo-o por experiência — quando os pacientes vivem exclusivamente num mundo escuro, irreal, onde se encontram entorpecidos, derivan­do com muita frequência para o «desespero e a depressão».
Deve, pois, dizer-se, por amor à verda­de, que todas as pessoas que tomarem qualquer benzodiazepina em grande quan­tidade, estão a caminhar para um «perigo real», pondo mesmo em causa a sua vida.
Não me parece que alguém possa sa­ber, com precisão, quais poderão ser os efeitos, a longo prazo, que as benzodiaze­pinas poderão provocar no cérebro das pessoas. Sabe-se que afectam gravemente a memória, dado que foi já referido em muitos congressos de neuropsicofarmacologia in­ternacionais, como, por exemplo, o de Je­rusalém, em 1982.
As benzodiapezinas podem ainda afectar — e quem o revela é o dr. Vernon Coleman — a capacidade para gozar, para pensar, e ter efeitos poderosos na persona­lidade das pessoas. Aliás, um psiquiatra do Royal Edinburgh Hospital,em Edinburgo, disse que duas dezenas de pacientes de meia idade, que haviam ingerido uma benzodia­zepina, «com uma meia vida muito curta», para os ajudar a dormir, se tinham tornado mais ansiosos. E também há provas que as mesmas drogas também podem provocar uma certa depressão e angústia.

AS BENZODIAZEPINAS E AS DEMAIS DROGAS

Para que todos quantos me lerem pos­sam ficar bem esclarecidos, alerto aqui para o relacionamento das benzodiazepinas e as outras drogas.
Não sei, penso também que muito poucos o poderão saber, o que poderá su­ceder na ligação entre as benzodiazepinas e o álcool, barbitúricos, drogas antidiabéti-cas, antidepressivos, cafeína, etc. Sabe-se que não ligam bem, Por outro lado, cientistas e especialistas no sector afirmam que, em­bora não provoquem de uma forma directa o cancro, podem fazer com que «se de­senvolva nas pessoas com predisposição para tal». Portanto, ninguém poderá dizer com absoluta certeza se a benzodiazepina pro­voca ou não o cancro.
Uma coisa, porém, é certa: «Quanto ao fígado, o consumo generalizado da droga necessita de uma avaliação mais minuciosa dos testes da função hepática, enquanto os pacientes estão a tomar, por exemplo Diazepam», revelam em relatório publicado no volume 27, Nº5, do Digestive Discases and Sciences, Francis Tedasco e Luther Mills, doutores em medicina.

FACTORES DE RISCO DAS BENZODIAZEPINAS 

O grande problema que envolve certos doentes que foram iniciados em tratamentos à base de drogas do grupo das benzodia­zepinas tem a ver com a desculpa de certos médicos que, vendo-se acusados de estar a receitar benzodiazepinas em excesso, des­culpam-se logo, alegando que não passam de «tranquilizantes menores», o que não é bem assim,
De facto, as benzodiazepinas não são, nem nunca foram, «tranquilizantes meno­res», porque são potencialmente perigosas, quando tomadas em grandes quantidades.

INTERROGAÇÕES AOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE

É ou não é verdade que os tranquilizan­tes levam a uma dependência tanto ou mais amarga que a produzida pelas drogas ilegais, como a cocaína, haxixe, marijuana, etc?
É ou não verdade que os tranquilizantes têm uma acção tóxica prolongada no orga­nismo das pessoas?
É ou não verdade que os tranquilizantes actuam de forma negativa a nível cerebral, hepático, renal, muscular, etc., etc?
É ou não verdade que é mais difícil combater a dependência dos tranquilizan­tes, que a das drogas ilegais?
É ou não verdade que no mundo da medicina não há, por enquanto, nenhum antídoto para resolver o problema provo­cado pela dependência dos tranquilizan­tes?
É ou não é verdade que o uso excessivo e prolongado dos tranquilizantes leva as pessoas a uma tal dependência e estado de desespero, que passam a ser potenciais candidatas a levar o resto da vida com internamentos constantes em hospitais e clí­nicas de desintoxicação?
Perante esta tão dolorosa quão cho­cante realidade, pergunta-se:
Por que razão não são esclarecidas as pessoas?
Por que não se fazem debates públicos a nível nacional, como acontece em relação às drogas ilegais?
Qual a razão para que se ataque só aquela e não esta, se ambas são idênticas quanto aos seus efeitos?
 Por que se esconde tão dura realidade, permitindo que se vão destruindo milhares de pessoas, só no nosso país?
Por que se omite ao público um esclare­cimento tão importante, a exigir que a saúde não se perca e o bem-estar das pessoas se não degrade?
Porquê tanta passividade por parte das autoridades com responsabilidade no sector, permitindo, com o seu silêncio, que tantas pessoas se tornem escravas dos tranquili­zantes?
Peço, muito especialmente aos homens da comunicação social, que tenham a co­ragem de fazer um levantamento exaustivo das realidades sobre esta matéria, que po­derão observar nas Casas de Saúde, nos Hospitais e nas Clínicas da Especialidade de doenças nervosas (Psiquiatrias), e nas suas próprias residências, onde poderão ver, com os seus próprios olhos, que uma boa parte dos pacientes envolvidos neste tipo de tra­tamentos, à base de tranquilizantes, poderi­am ter sido poupados.
Quantos dramas!... Quantas lágrimas!... Quantas angústias e tristezas as paredes dessas instituições não escondem!...
Encontrarão gente de todas as idades e estratos sociais a suplicar a cura para os seus males.
As Selecções Reader's Digest, de Agosto de 1990, relatam um acontecimento que merece ser aqui abordado. Trata-se de uma consultora médica, que, devido a uma do­ença incurável, teve de lhe ser amputada uma perna na clínica Maio, dos Estados Uni­dos.
O Dr. Glover e o Dr. Brakovec receita­ram-lhe, para acalmar as suas dores tranqui­lizantes, para usar apenas num limitadíssimo período de tempo pós-operatório. Como porém, não podia suportar as dores, desobe­decendo ao que lhe fora prescrito, continuou a ingeri-los.
Chegando ao conhecimento do Dr. Glover a atitude desta doente, aquele re­preendeu-a com certa dureza, dizendo-lhe: «Leonor, mais vale morrer de cancro do que tornar-se uma drogada. Se não se desem­baraçar imediatamente dos tranquilizantes, perderá muito mais do que já perdeu: todo o amor-próprio e por fim a própria vida».
 No encontro distrital sobre Toxicodependência, realizado, em 18 de Fevereiro de 1991, na Escola Superior de Educa­ção, em Bragança, no âmbito do Projecto Vida, depois de ter deixado a toda a assis­tência o meu testemunho, dirigindo-me à Mesa que presidia, composta por alguns médicos, sempre perguntei ao moderador do debate: «Senhor doutor: é ou não verdade que os tranquilizantes são tão terríveis e ne­fastos para o organismo, quanto o são as drogas ilegais, como a cocaína, a heroína e a haxixe?» A resposta do médico foi bem clara: «Está fora de dúvida».

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