A decomposição ou deterioração do corpo humano é o processo natural que ocorre quando um cadáver é enterrado ou deixado à mercê dos elementos; a decomposição é, no segundo caso normalmente mais rápida, já que auxiliada pela acção das aves e de outros animais. A velocidade a que um corpo se decompõe depende em grande medida do ambiente em que se encontra, Normalmente, o cabelo, as unhas e os dentes separam-se ao fim das primeiras semanas e, após um ou dois meses, os tecidos tornam-se líquidos e as cavidades corporais abrem-se. A convicção generalizada é a de que, após um período de um os dois anos, apenas o esqueleto e os dentes se mantêm. A humidade ajuda à decomposição e alguns tipos de terreno também podem acelerar o processo, se bem que outros possam ter o efeito contrário (por exemplo as turfeiras). A cobertura do cadáver com cal acelera a sua decomposição, eu próprio assisti há muitos anos, a essa pratica, entretanto caída em desuso, de abrir os caixões antes de serem colocados na sepultura, para os cadáveres serem cobertos com um balde de cal, exactamente para acelerar o processo de decomposição.Têm sido atribuídos vários significados à maior ou menor rapidez com que um corpo se decompõe. Em algumas sociedades, em zonas da Grécia rural, por exemplo, procede-se à exumação de forma a verificar-se em que estado se encontra o processo de separação da alma relativamente ao corpo. O grau de decomposição do corpo é considerado um indicador do ponto em que vai a viagem do morto: um corpo em avançado estado de decomposição representa uma boa jornada para o além-túmulo. Pelo contrário, e em outras sociedades, os cadáveres que se decompõem lentamente ou aparentam mudar de forma ou de posição mas que não se decompõem são frequentemente vistos com horror ou temidos como vampiros, zombies ou entes malignos.
Nas sociedades cristãs, a decomposição está ligada à criação e é considerada como uma punição do pecado original de Adão e Eva. Neste contexto, aos corpos que não aparentam decomposição tem sido atribuído um estatuto de santidade. Por exemplo, quando o corpo de São Cuteberto foi exumado, em 698 D.C, o seu estado de preservação foi considerado como um milagre póstumo. Em moldes semelhantes, a descoberta de corpos bem preservados em criptas de antigas igrejas é sinal de boa sorte para aqueles que os vêem ou lhes tocam. Em sociedades ocidentais (como é o caso do Reino Unido), o medo da decomposição do corpo é o factor que tem determinado a opção cada vez mais frequente pela cremação. Em outros países, supostamente desenvolvidos, como os EUA, o embalsamento é a forma preferida de atrasar o processo de decomposição.




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