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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Tranquilizantes, Calmantes e Soníferos - Perigos no seu uso

Algumas toneladas de drogas permitidas e legais são largamente utilizadas por adultos e idosos pertencentes às mais diversas classes sociais. São esses milagrosos medicamentos que nos permitem dormir e suportar as doenças e a morte que se aproxima. O que seria de nós sem os tranquilizantes e soniferos.
Construíram a crença de que podemos e devemos viver sem ansiedade. Esta crença, imposta pelos laboratórios interessados na venda das drogas, foi assimilada pelos médicos e depois se espalhou para o público em geral. Uma vez incorporado esse valor, iniciou-se a ida dos ansiosos aos consultórios em busca do remédio milagroso. Embutida na crença de viver sem ansiedade, criou-se a fantasia que todos nós devemos e precisamos viver felizes. O que seria isto? Novamente confundimos o real com o ideal. Imaginamos, erroneamente, que existe um estado físico e mental de total felicidade, sem nenhum sintoma desagradável, sem nenhuma doença, em momento algum.
Não existe esse paraíso, pelo menos aqui na Terra. Os desarranjos, geralmente passageiros, não são doenças que precisam ser tratadas. Elas fazem parte da vida de qualquer animal. A doença, para a Medicina, é um estado continuado e “normal” de um desarranjo do organismo. Neste caso, o desarranjo inicial contínuo é de longa duração e, assim, dá origem a um novo estado do organismo. Este passa a funcionar de modo disfuncional. O novo arranjo do organismo passa a ser chamado de “doença”. Portanto, uma dor de cabeça, uma diarréia, uma gripe ou febre, a tristeza, um medo, euforia, uma pressão alta durante certo tempo, um colesterol ligeiramente alto, uma dor lombar, etc., fazem parte da vida de todos.
Segundo o conhecimento actual, a ansiedade pode ser um sinal, uma emoção saudável e necessária a uma boa adaptação do indivíduo ao meio, sendo, muitas vezes, um aviso do organismo indicando que algo precisa ser feito para modificar a vida, uma espécie de medo. Acredito que muito do que se afirma acerca da ansiedade nada mais é que uma sensibilidade maior de algumas pessoas a possíveis pistas do meio externo ou interno, indicadoras de que algo deve ser feito, ou, pelo menos, focalizado e notado. Além disso, muitos ansiosos, sendo mais pessimistas, tomam mais cuidados com possíveis problemas futuros e, desse modo, prevêem problemas antes deles acontecerem. A ansiedade pode agir como um “antídoto” contra outras doenças, pois, conforme seu alerta, o possuidor, antecipadamente, será capaz de tomar medidas contra o perigo possível.
O transtorno psiquiátrico oposto à ansiedade é o Transtorno da Personalidade Anti-Social. A pessoa anti-social não apresenta ansiedade, ou seja, ele não tem preocupação, não faz planos para o futuro, é sempre optimista e faz tudo para seu próprio bem (geralmente malfeito) devido a sua falta de preocupação com o futuro. O anti-social, acreditando muito em si mesmo e no seu futuro brilhante, faz incríveis tolices levando-o ao fracasso, perda dos bens, uso de drogas e, muitas vezes, acaba nas prisões ou nos cemitérios muito cedo. Esse é um resumo do retrato do indivíduo com características opostas aos ansiosos. Seriam os anti-sociais os supersadios?
As drogas para sanar ou abrandar a ansiedade foram usadas há milhares de anos. A primeira delas, e que continua a ser consumida, é o álcool. Para alegria dos consumidores aflitos, a cada dia, inúmeros calmantes são lançados. Uma estatística da Organização Mundial de Saúde, publicada há alguns anos, mostrou um consumo anual de 500 milhões de psicotrópicos em países como o Brasil. Desses, 70% eram ansiolíticos, ou seja, medicamentos para diminuir a ansiedade (um transtorno emocional), apreensão, tensão ou medo.
Muitas pessoas só dormem após tomarem seu sedativo preferido e, para suportar o dia desagradável que virá, ingerem mais outro calmante diurno. Alguns usam os tranquilizantes para viajar de avião, dançar, namorar, transar, tirar carteira de motorista, dar aulas, casar, isto é, as atividades que podem acarretar certo grau de intranquilidade, pois todos nós devemos ou temos obrigação de ser sadios.
Os ansioliticos são ingeridos puros ou misturados com bebidas, usados junto a moderadores de apetite e às drogas anticolinérgicas (os chamados antidistônicos). Alguns estão embutidos nos medicamentos antidepressivos, fortificantes, vitaminas, diuréticos, etc.

Aqui vai um alerta: As bulas acerca dos calmantes , muitas vezes, são mentirosas. Descrevem muito mais os “bons” resultados que os “ruins”. Muitas bulas não relatam a dependência à droga após um curto período de uso, como a diminuição da capacidade psicomotora, o aumento do cansaço, diminuição da memória, a pioria dos sintomas após a sua interrupção (ansiedade rebote) e o risco de seu uso nos idosos e crianças. Não confie cegamente nesse milagre!

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