Páginas

domingo, 25 de agosto de 2013

A Fabricação da Loucura - Parte # 3

Neurotipia
Em Psicologia, Psiquiatria, Neurologia e áreas afins, diz-se neurotípico do indivíduo que não apresenta distúrbios significativos no funcionamento psíquico.
É um conceito um tanto impreciso, visto que não é possível determinar um padrão normal de funcionamento psíquico do qual os desvios fossem considerados doenças ou transtornos mentais.
Por outro lado, é consenso entre os especialistas que todas as pessoas apresentam problemas emocionais, comportamentais, sentimentais etc., em graus e durações variáveis, não sendo isto, portanto, critério suficiente para diagnóstico de qualquer distúrbio. Daí que entram na análise alguns factores bastantes subjectivos, como adequação ao convívio social (depende de como família, amigos, professores, colegas de escola ou de trabalho relatam a interacção com o indivíduo em questão e das normas, sempre questionáveis, impostas em cada situação) e, principalmente, do sofrimento relatado pela pessoa em consequência do problema.
Ainda assim, é um conceito útil, servindo de referência como resultado aceitável para o tratamento do paciente.

 Lobotomia
O enorme escândalo da leucotomia e da lobotomia chegou ao fim no início dos anos 50, não por alguma reserva ou reviravolta médica, mas porque um novo instrumento – os tranquilizantes – tornou-se disponível, sendo apresentado (como acontecera com a própria psicocirurgia) como totalmente terapêutico e sem efeitos colaterais. Se há ou não grande diferença, neurológica ou eticamente, entre a psicocirurgia e os tranquilizantes é uma questão incómoda que nunca foi encarada de verdade. Se administrados em doses maciças, os tranquilizantes certamente podem, como a cirurgia, induzir à ‘tranquilidade’, acalmar as alucinações e ilusões do psicótico, mas a calma a que induzem pode ser como a serenidade da morte – e, por um paradoxo cruel, privar os pacientes de resoluções naturais que podem ocorrer com psicoses, enclausurando-os, em vez disso, numa doença vitalícia causada pelas drogas

Sem comentários: