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sábado, 24 de agosto de 2013

A Fabricação da Loucura - Parte # 2

Em 1952, o DSM-I [O Manual Diagnóstico e Estatístico, da Associação Americana de Psiquiatria] listou 112 distúrbios. Em 1968, o DSM-II listou 163 distúrbios. Em 1980, o DSM-III listou 224 distúrbios. Na década de 80, psiquiatras calcularam que um em cada dez americanos estava mentalmente doente. Na década de 90, um em dois. Em breve serão todos"... "Apesar de, certamente, haver pessoas que precisam de medicação ou internamento psiquiátrico para evitar que façam mal a si mesmas e aos outros, esse número está longe de um americano em dois, ou dez, ou cem. Para a maioria, a infelicidade pessoal, conflitos de grupo, incivilidade crassa, promiscuidade flagrante, crime epidêmico e violência orgiástica são produtos não de uma sociedade mentalmente doente, mas de um sistema que - por falta de um estadista visionário e de virtude filosófica - permitiu e estimulou a sociedade a se tornar virtualmente perturbada.

Nm estudo sobre os 170 membros do painel que produziu os critérios de diagnóstico do DSM-4 (publicado em 1994), 56% tinham vínculos financeiros com empresas farmacêuticas (Nos painéis sobre transtornos de humor e esquizofrenia, 100% dos especialistas tinham ligações com a indústria farmacêutica).
A indústria é impulsionada pelo imperativo económico para manter lucros elevados através de manutenção e da expansão contínua de seus mercados. E o DSM desempenha uma função chave nesse processo expandindo a lista de categorias de diagnóstico a cada nova edição.
A indústria farmacêutica é uma das indústrias mais rentáveis do mundo - com vendas globais alcançando US$ 400 bilhões por ano. Os medicamentos psicotrópicos desempenham um papel fundamental nos lucros, com os cinco primeiros SSRIs rendendo entre US$ 1 bilhão e US$ 3 bilhões por ano, apesar de as drogas serem quase idênticas.

Antes do tratamento, os pacientes diagnosticados com depressão, esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos não sofrem nenhum “desequilíbrio químico”. No entanto, depois que uma pessoa passa a tomar medicação psiquiátrica, que perturba a mecânica normal de uma via neuronal, seu cérebro começa a funcionar... anormalmente." ...
O número de doentes mentais incapacitados aumentou imensamente desde 1955 e durante as duas últimas décadas, período em que a prescrição de medicamentos psiquiátricos explodiu e o número de adultos e crianças incapacitados por doença mental aumentou numa taxa alucinante. Assim, chegamos a uma pergunta óbvia, embora herética: o paradigma de tratamento baseado em drogas poderia estar alimentando, de alguma maneira imprevista, essa praga dos tempos modernos?

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