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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Morte dos Progenitores na Idade Adulta

Apesar de a morte de um progenitor, quando uma pessoa já é adulta, ser um acontecimento comum e esperado no decurso normal da vida, ainda assim é provavelmente vivida como uma perda significativa e muito perturbante em alguns casos específicos não muito raros. Como importante acontecimento simbólico que é, a morte de um progenitor tende a alterar a visão que um individuo tem da vida e de tudo o que o rodeia. Qualquer morte nos faz lembrar a nossa própria morte e mortalidade inevitável, mas a morte de um progenitor leva a que uma pessoa se aperceba, talvez pela primeira vez, que se tornou adulta, muitas vezes uma dura realidade quando para isso não se está minimamente preparado ou instruído.
Muitas pessoas acreditam que a morte de uma mãe é mais difícil de aceitar do que a de um pai, o que não é verdade mas que é explicado e que poderá ter a ver com um estatuto inerente às mães. Isto porque são elas as primeiras a fornecerem cuidados e carinho à criança, e talvez porque, estatisticamente, os homens morrem mais cedo do que as mulheres. Por conseguinte, a morte da mãe representa muitas vezes, efectiva e simbolicamente, deixar de «ter país». Esta situação pode levar o indivíduo que ficou órfão a demonstrar novamente pesar pela morte do progenitor que faleceu anteriormente.
A morte de um progenitor provoca muitas vezes um «empurrão» no desenvolvimento, trazendo uma sensação de maior maturidade aos adultos órfãos. Na ausência dos pais, eles deixam de se ver a si próprios como «crianças». Especialmente no caso em que se verifica a morte de ambos os pais, nota-se uma significativa mudança de papéis nos filhos adultos. Os pais já não estão lá para «aparar os golpes», mesmo que essa opção existisse apenas na imaginação do filho. Quando os pais de uma pessoa estão vivos, estes são normalmente vistos como uma potencial fonte de apoio moral. A morte de um progenitor reduz esse sentimento de segurança. O filho pode sentir que já não resta ninguém para responder a um pedido de ajuda de forma incondicional. Os cuidados e o amor associados aos pais são geralmente vistos como únicos, incondicionais e insubstituíveis.
Enfrentar a morte dos pais tanto pode envolver o conforto do amparo como a desprotecção da separação, na medida em que a pessoa que ficou órfã mantém lembranças reconfortantes do progenitor ao mesmo tempo que reconhece a realidade da morte. O desaparecimento de uma nova relação saudável com o progenitor falecido é um elemento crucial na fase do luto pela sua morte. Mesmo quando o enlutado é um adulto, não deixa de ser a criança dos pais, e este papel é essencial para determinar a natureza do pesar que é vivido com a morte dos pais. Os filhos órfãos mantêm normalmente ligações com os pais falecidos através de memórias e de objectos, conservando desta forma os seus laços com eles por meio de vários pontos de contacto. Para os adultos, o pesar que sucede à morte de um dos pais é em geral menos intenso do que o pesar que sucede á morte de uma criança ou à morte de um cônjuge, por exemplo. Os sentimentos de ligação aos pais foram redireccionados para terceiros, incluindo cônjuges e crianças. Não obstante, os casamentos e outras relações íntimas podem tornar-se tensas quando o enlutado sente que os outros não lhe estão a dar o apoio emocional de que precisava ou que esperava, ou que os outros não dão o devido valor ao impacto da perda. Além disso, as questões que se prendem com a divisão dos bens materiais podem complicar o sentimento de pesar resultante da morte de um progenitor.

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