Por vezes afirma-se que a morte é o tabu dos tempos modernos, tendo substituído o sexo na sociedade vitoriana, em Inglaterra. Isto acontece porque, numa sociedade cada vez mais secularizada, as pessoas preocupam-se de um modo muito profundo com os que lhes acontecerá para além da morte, já que não têm qualquer conforto religioso em que possam confiar. A morte torna-se, então, literalmente impensável, devido ao seu grau de absurdo e á sua falta de significado. Parece interromper arbitrariamente a aquisição de capital e a cadeia do progresso humano, e só pode ser encarada com medo, ou mesmo com terror. Embora esta sejas uma tese muito comum, a sua veracidade está longe de ser comprovada. Parece haver no presente tanta discussão acerca da morte e dos conceitos a ela ligados como houve no passado, pelo menos nas sociedades ocidentais, e é oportuno perguntarmo-nos quão profundamente consoladora terá sido outrora a religião em relação à morte. Ou seja, até que ponto os intervenientes em funerais cristãos acreditavam num além, onde o falecido estaria destinado a viver uma outra forma de existência? De facto, não o sabemos, e os nossos antepassados parecem ter estado tão empenhados em continuar vivos como nos vivos de hoje. É importante não concluir, com base no relativo declínio de algumas religiões tradicionais do Ocidente, que a sociedade se tornou inevitavelmente mais secular.
Pode estar a haver um rápido crescimento no âmbito da religião informal, nomeadamente nas crenças em entidades como anjos e demónios, subculturas obscuras, como o gótico ou o satanismo, e em princípios como a sorte, que limitam o efeito da secularização nas atitudes sociais perante a morte e o morrer, desenvolvendo e abrindo as portas a um futuro incerto e desconhecido acerca da forma como encarar e receber a morte entre as pessoas nas diversas sociedades.





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