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sábado, 11 de julho de 2009

O "Hel" Germânico e nórdico pré cristão

Uma visão de um inferno subterrâneo para todos, sem suplícios, em que as sombras dos defuntos esvoaçam por entre uma fria bruma, predomina no Norte da Europa, sobretudo nos povos germânicos, antes do cristianismo. O mundo dos mortos aí é o hel, ou «lugar escondido», de onde deriva o inglês hell (inferno), o alemão Hölle, (inferno), hehlen (dissimular); é também um buraco, um vazio (inglês Hole, alemão Hölle), enquanto o latim utilizará infernum (lugar bem fundo) nas traduções da Bíblia, e inferi para os infernos pagãos. Lugar subterrâneo, obscuro e frio, o hel, segundo os Dits de Grimnir, é uma das raízes da árvore do mundo, com a esfera dos gigantes e a esfera dos homens. Acede-se aí depois de uma viagem cheia de ciladas, muitas vezes descrita como uma travessia marítima. Envolve-a um grande rio tumultuoso, semelhante ao Oceano dos gregos, e um porto que o permite atravessar. Os próprios Ódin e Freia desceram ao Hel para consultar os adivinhos, mas não puderam franquear a porta. Em princípio, situado ao Norte, na época dos tumultos comunitários, passou depois para Leste pela mitologia germânica, na época dos tumultos individuais. Por volta de 1200 a.C., a passagem ao processo da incineração indica, sem dúvida, uma concepção mais espiritual do Além. A existência de julgamento ou de castigo para os crimes que ficaram impunes na terra apenas aparece num poema tardio, as Prédications de la prophétesse.

Do mesmo modo, por uma lenta evolução, o walhalla, sombria morada dos guerreiros mortos, torna-se no palácio em que se conhece uma vida esplêndida ao lado de Ódin. O sistema punição-recompensa no Além resulta verdadeiramente de uma longa maturidade, sob a influência de alguns elementos exteriores

Ao mesmo temas encontram-se entre os escandinavos e os celtas pré-cristãos. Mircea Eliade evidenciou a importância considerável entre esses povos, do tema da viagem aos infernos. Os heróis celtas Bran, Cuchulainn, Connia e Oisin deslocam-se numa barca e encontram o deus dos Mortos, Manannan; outros, como Conn ou Nera, descem ao outro mundo através de um trajecto subterrâneo e outros adaptados na época cristã, nas viagens de São Brandão, de Maelduin ou no sonho de São Patrício. Se a terra dos mortos que esses heróis pagãos descobrem se mostra por vezes agradável, a verdade é que nada aí revela qualquer diferenciação de tipo moral. Os obstáculos que se conhecem durante a viagem podem ser comparados a certas provas iniciáticas, permitindo pensar que o acesso aos infernos está reservado aos iniciados. Alguns heróis realizam também certas incursões na terra dos mortos para aí apanharem qualquer objecto precioso, como o inesgotável caldeirão, protótipo do futuro Graal.

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